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Alguns enxergam o Wild Card como o “patinho feio” da pós-temporada, pois, em teoria, é a rodada dos playoffs com os piores times em campo – ou pelo menos as franquias com os seeds mais baixos. Se apenas levarmos em conta o que ocorreu na temporada passada, a crítica é bastante válida, afinal foi o Wild Card mais sem graça e desequilibrado em mais de 36 anos.

Contudo, 2017 foi a exceção e não a regra. A rodada de repescagem já nos proporcionou confrontos memoráveis e grandes histórias, conforme veremos neste texto.

Hoje vamos relembrar os sete melhores jogos de Wild Card de todos os tempos. Como sempre fazemos ao elaborar este tipo de lista, é importante alertar que ela é altamente subjetiva e várias partidas excelentes acabaram ficaram de fora. Porém, em nossa defesa, vale dizer que ainda assim conseguimos separar alguns dos principais momentos da história da NFL. Então, se você quiser apagar a má impressão de 2017 e entrar no hype para os duelos do final de semana, é só continuar lendo.

Seattle Seahawks 41 x 36 New Orleans Saints (Temporada 2010/2011)

Este é um daqueles confrontos que entram para a história por causa de um lance específico. Você já deve saber do que estamos falando. Faltando pouco mais de 3:30 minutos para o término da partida e com o placar mostrando 34 a 30 para Seattle, Marshawn Lynch protagonizou a jogada que definiu sua carreira e levou o nome “Beast Mode” a um novo patamar. O running back correu 67 jardas, quebrou nove tackles e anotou o que praticamente sacramentou o triunfo dos Seahawks. De quebra, Lynch ainda foi responsável por um terremoto de pequenas proporções, pois a comemoração dos torcedores presentes no CenturyLink Field enquanto ele corria com a bola foi percebida por um sismógrafo.

Fora o épico, vale dizer também que a vitória de Seattle é famosa por ter sido um upset considerável. Campeões da NFC West com um medíocre record 7-9 em 2010, os Seahawks viram os Saints (11-5) chegarem como favoritos por 10 pontos no duelo. Mesmo assim, levaram a melhor no tiroteio contra o potente ataque comandado por Drew Brees.

Indianapolis Colts 45 x 44 Kansas City Chiefs (Temporada 2013/2014)
A segunda maior virada da história dos playoffs e, provavelmente, o maior milagre de Andrew Luck com camisa de Indianapolis até agora. No dia 4 de janeiro de 2014, os Colts chegaram a ficar perdendo por 38 a 10 logo noício do terceiro de quarto, após Luck sofrer sua segunda interceptação da noite – ele acabaria o dia com três.

A partir daí, começou a reação da franquia, com direito a 21 pontos no terceiro quarto e 14 nos 15 minutos derradeiros. Luck lançou quatro touchdowns e ainda entrou numa vez ele mesmo na end, depois de recuperar um fumble sofrido pelo running back Donald Brown. T.Y. Hilton somou 13 recepções (terceira maior marca em um jogo de playoff) para 224 jardas e dois touchdowns. O wide, aliás, anotou a pontuação da vitória com uma recepção de 64 jardas a menos de cinco minutos do fim. Ademais, méritos também para a defesa de Indianapolis, a qual foi completamente dominada na primeira etapa, mas teve uma atuação heroica no segundo tempo – ela ficou em campo por inacreditáveis 37 minutos

San Francisco 49ers 39 x 38 New York Giants (Temporada 2002/2003)
A épica vitória de San Francisco sobre New York também entra na galeria das grandes viradas de todos os tempos, porém, ao contrário de Colts e Chiefs, este jogo acabou sendo marcado mesmo pelas polêmicas decisões da arbitragem. Vamos por partes. Os Giants chegaram a abrir uma diferença de 38 a 14 no placar, mas acabaram permitindo 25 pontos sem resposta nos últimos 20 minutos de partida e tomaram a virada, protagonizando uma das maiores entregadas de paçoca já vistas na NFL. O da virada dos 49ers foi anotado por Tai Streets a cerca de um minuto para o fim do tempo regulamentar.

Foi então que começou a treta. Delvin Joyce retornou o kickoff 32 jardas. Na sequência, o quarterback Kerry Collins conseguiu fazer os Giants marcharem pelo campo, posicionando a bola na linha de 23 jardas dos 49ers faltando seis segundos para a partida acabar. Era só acertar o field goal. O problema é que o long snapper Trey Junkin errou por muito, impossibilitando o chute. Matt Allen, o holder, se desesperou e tentou ele mesmo salvar o dia, lançando um passe na direção do guard Rich Seubert. A bola caiu na chão e, de quebra, os árbitros ainda assinalaram uma penalidade dos Giants, dizendo que o offensive lineman era um recebedor inelegível.

Contudo, assim como Junkin, as zebras também erraram feio. Seubert, na verdade, estava elegível e sofreu uma falta claríssima por interferência de passe não marcada. Por outro lado, o inelegível da jogada era o guard Tam Hopkins e ele sim cruzou a linha de scrimmage antes da hora, caracterizando uma infração não vista pelas zebras. Como houve uma penalidade para cada time, a descida deveria ter sido repetida, com New York tendo uma nova chance de chutar o field goal. Isso nunca aconteceu.

San Francisco 49ers 30 x 27 Green Bay Packers (Temporada 1998/1999)

Com Brett Favre de um lado e Steve Young do outro, o resultado não poderia ser outro além de um dos confrontos mais equilibrados e com um dos melhores finais de todos os tempos. San Francisco vinha de três derrotas seguidas diante de Green Bay nos playoffs. Os Packers, por sua vez, tinham chegado ao Super Bowl nas duas temporadas anteriores.

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As equipes trocaram golpes e se alternaram na liderança durante a partida inteira. Com pouco menos de dois minutos no relógio, Favre conectou um de 15 jardas para Antonio Freeman, deixando o placar 27 a 23 para Green Bay. Foi então que Young recebeu a bola de volta e capitaneou uma campanha perfeita: nove passes tentados, sete completados, 76 jardas e o da vitória lançado a oito segundos do fim, em uma janela quase impossível de ser acertada.

A recepção de 25 jardas de Terrell Owens recebeu o nome de “The Catch II”, em referência à jogada protagonizada por Joe Montana e Dwight Clark em 1982. Além disso, foi a redenção do recebedor, que havia cometido vários drops importantes e outros erros mentais durante a partida.

Tennessee Titans 22 x 16 Buffalo Bills (Music City Miracle, Temporada 1999-2000)
No dia 8 de janeiro de 2000, Titans e Bills faziam um jogo amarrado, com poucos pontos e nada de excepcional, até que um lance colocou o duelo na história da NFL. Após ver Buffalo assumir a liderança do marcador a 16 segundos do fim, Tennessee precisava de um verdadeiro milagre para seguir vivo nos playoffs. Por sorte, as preces da franquia foram atendidas. Lorenzo Neal segurou o kickoff chutado por Steve Christie e entregou a bola para Frank Wycheck. Este, por sua vez, deu alguns passos para o lado e lançou um passe lateral na direção de Kevin Dyson, que agarrou a bola e correu 75 jardas até a end. Após alguns minutos de uma revisão apreensiva e angustiante, os árbitros atestaram que o passe de Wycheck foi legal, confirmando o e um dos finais de jogo mais incríveis já vistos, imortalizado pelo nome de Music City Miracle.

Buffalo tentou repetir o feito no kickoff seguinte, mas não foi capaz. Curiosamente, esta derrota marcou oício da longa sequência da equipe sem conseguir chegar aos playoffs, seca que só foi interrompida no último domingo. Os mais supersticiosos podem atribuir os insucessos da franquia à “maldição de Doug Flutie”. Para resumir a história, Flutie foi o titular nas 15 primeiras partidas de 1999, ajudando os Bills a chegarem na pós-temporada. Contudo, o treinador Wade Philips surpreendentemente decidiu promover o quarterback reserva Rob Johnson à condição de titular, deixando Flutie no banco inclusive no duelo contra os Titans. Segundo o folclore da NFL, isso pode ter levado à maldição e aos anos de miséria de Buffalo.

Arizona Cardinals 51 x 45 Green Bay Packers (Temporada 2009/2010)
Cardinals e Packers nos proporcionaram uma explosão ofensiva poucas vezes vista. Ao todo, os times combinaram para 96 pontos (recorde dos playoffs), 62 first downs e 1024 jardas totais. Kurt Warner teve discutivelmente a melhor atuação estatística de um quarterback na história da pós-temporada: 29 de 33 passes completos, 379 jardas, cinco touchdowns, nenhuma interceptação e um rating de 154,1. Aaron Rodgers, por sua vez, não ficou atrás, ajudando Green Bay a se recuperar de uma desvantagem de 17 a 0.

No final das contas, entretanto, o que ironicamente decidiu o confronto foi uma jogada defensiva. Noício da prorrogação, Rodgers foi sackado e sofreu um fumble. A bola foi recuperada e levada até a end por Karlos Dansby. Desta maneira um tanto melancólica se encerrou a primeira experiência como titular de Rodgers nos playoffs.

Buffalo Bills 41 x 38 Houston Oilers (Temporada 1992/1993)
Não por acaso, este jogo recebeu o nome de “The Comeback”. Ele foi simplesmente a maior virada da história da NFL, considerando tanto temporada regular quanto playoffs. Os Bills conseguiram reverter uma desvantagem de 32 pontos e vencer na prorrogação com Frank Reich, seu quarterback reserva – Jim Kelly estava machucado.

Buffalo anotou 28 pontos somente no terceiro, graças principalmente à tarde inspirada de Andre Reed (oito recepções, 136 jardas e três touchdowns). A franquia virou no último quarto, mas a poucos minutos do fim permitiu o empate dos Oilers. Na prorrogação, Warren Moon foi interceptado na primeira campanha de Houston, deixado os adversários em condição de chutar o field goal da vitória. Steve Christie converteu o disparo e Buffalo seguiu em frente, só parando no Super Bowl.

Para quem não sabe, alguns anos mais tarde os Oilers se mudaram para Tennessee e viraram os Titans. Ou seja, o Music City Miracle foi ainda mais especial, pois significou uma bela vingança contra Buffalo. Baseado no histórico entre Titans e Bills nos playoffs, só podemos esperar um espetáculo se eles eventualmente se encontrarem em 2018.

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