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O feriado do Dia de Ação de Graças não é algo tão popular entre nós brasileiros como, por exemplo, o Halloween, contudo é uma data muito importante na cultura norte-americano. Comemorado nos Estados Unidos na quarta quinta-feira do mês de novembro, o Thanksgiving é a ocasião em que as famílias se reúnem em grandes jantares, os estudantes universitários voltam para visitar a casa dos pais, o presidente norte-americano faz uma proclamação nacional etc. Ademais, e isso é o que nos interessa aqui, é um dia recheado de partidas da NFL.

A tradição dos jogos de futebol americano disputados no Thanksgiving existe desde os anos 1920, quando a liga foi fundada, porém o formato do evento variou bastante ao longo do tempo. Durante várias décadas (1970 até meados dos anos 2000), apenas duas partidas eram marcadas no feriado. Entretanto, a partir de 2006, a NFL adicionou um terceiro confronto ao calendário, o qual ocorre em horário nobre e não conta com times fixos.

A única coisa mais ou menos invariável (houve algumas poucas exceções) é o seguinte: Lions e Cowboys sempre entram em campo no dia de Ação de Graças, atuando à tarde e em suas respectivas casas. Isso acontece simplesmente por uma questão de costume e tradição. Detroit joga no Thanksgiving desde os anos 1930 e Dallas desde 1966. Ambas as equipes decidiram realizar partidas no feriado para atrair maior atenção do público e ganhar mais audiência.

Feita esta breve contextualização, agora podemos falar sobre o assunto principal deste texto. Hoje trataremos sobre os 10 momentos mais marcantes na história dos jogos de Thanksgiving. Seja com grandes atuações, recordes quebrados ou bizarrices, a data comemorativa sempre proporcionou grandes memórias aos fãs da bola oval. Confira quais os feitos que entraram na lista.

#10 – Jason Garrett liderando uma vitória dos Cowboys como quarterback (1994)

Garrett, hoje treinador de Dallas, não teve uma das trajetórias mais brilhantes de todos os tempos como quarterback. Reserva em grande parte dos 12 anos de carreira, Jason foi titular em apenas nove partidas da NFL. Um destes jogos aconteceu pelos Cowboys no Dia de Ação de Graças de 1994. Substituindo Troy Aikman e o reserva imediato Rodney Peete, Garrett teve o dia de sua vida lançando 311 jardas, dois touchdowns e uma interceptação na vitória de virada de Dallas sobre os Packers por 42 a 31. Claro que o triunfo não seria possível sem a ajuda de Emmitt Smith, o qual correu para 133 jardas, dois touchdowns e ainda somou 95 jardas recebidas.

A performance rendeu ao quarterback o prêmio de jogador ofensivo da semana na NFC. Pode não ter sido algo espetacular, mas sem dúvidas é uma história curiosa.

#9 – Butt Fumble (2012)

Não está escrito em lugar nenhum que momentos marcantes precisam necessariamente ser coisas boas, não é mesmo? Mesmo quem acompanha a NFL há pouco tempo já conhece e deu risada com a jogada tragicômica protagonizada por Mark Sanchez. Em 2012, o quarterback dos Jets saiu correndo, trombou com as costas do seu companheiro (vamos dizer que foi nas costas por motivos eufemísticos), soltou a bola e sofreu um fumble retornado para touchdown. O que as pessoas talvez não se lembrem é que o lance ocorreu no horário nobre de uma noite de Thanksgiving – aliás, os Jets perderam aquele jogo para os Patriots por 49 a 19.

#8 – As 303 jardas aéreas de Jim Benton (1945)

O primeiro recebedor da história a superar a marca das 300 jardas aéreas em uma mesma partida foi Jim Benton. O feito foi conseguido no dia 22 de novembro de 1945, durante um confronto de Thanksgiving disputado entre Cleveland Rams e Detroit Lions. Benton recebeu 10 passes para 303 jardas e um tounchdown na vitória do seu time sobre os Lions por 28 a 21.

#7 – A interceptação retornada para touchdown por Lawrence Taylor (1982)

Taylor é muito mais famoso pelo seu hábito de derrubar quarterbacks no chão e amassá-los, mas algumas vezes ele também recuava para cobrir passes. Em 1982, o linebacker interceptou um lançamento de Gary Danielson, signal caller dos Lions, e retornou a bola 97 jardas para touchdown. O lance, um dos mais famosos da carreira de L.T., aconteceu no último quarto e deu a vitória aos Giants por 13 a 6, desempatando o duelo que se encontrava até aquele momento em igualdade.

#6 – Peyton Manning lançando seis passes para touchdown (2004)

O recém aposentado Peyton Manning possui várias performances mágicas na carreira para se orgulhar. Uma delas foi no Dia de Ação de Graças de 2004, diante dos Lions – como você pode notar, várias coisas já aconteceram contra Detroit no feriado. Em um massacre por 41 a 9 dos Colts, Peyton lançou 236 jardas e seis touchdowns (três para Marvin Harrison e três para Brandon Stokley). Este triunfo foi um dos pontos mais altos da excepcional temporada 2004 vivida pelo quarterback.

Contudo, Manning não foi o primeiro a lançar seis touchdowns em um Thanksgiving. Bob Griese, ex-signal caller dos Dolphins, também fez isso em 1977, quando Miami atropelou o St. Louis Cardinals por 55 a 14.

#5 – Barry Sanders sendo Barry Sanders (1997)

Podem ficar tranquilos torcedores dos Lions, chegou a hora de falarmos coisas boas sobre a franquia. Em 1997, ano em que superou a barreira das 2.000 jardas terrestres, o running back Barry Sanders deu um verdadeiro show contra os Bears no feriado de Ação de Graças. O jogador correu 167 jardas e entrou três vezes na end zone durante o atropelo dos Lions por 55 a 20. A partida também foi especial porque significou o momento em que Sanders se tornou o segundo corredor mais prolífico da história da NFL, na época apenas atrás de Walter Payton.

Como Detroit joga anualmente no Thanksgiving, Barry somou estatísticas consideráveis na data. Ao todo, foram 10 partidas com 931 jardas pelo chão e oito touchdowns.

#4 – O.J. Simpson quebra o recorde de jardas terrestres da NFL (1976)

Antes de virar notícia nas páginas policiais, O. J. Simpson foi um dos grandes running backs da história do futebol americano – falamos um pouco mais sobre isso neste outro texto. Sua carreira, sobretudo com o Buffalo Bills, foi recheada de jogos memoráveis, sendo o principal deles a derrota (sim, uma derrota) para os Lions por 27 a 14. Naquele dia 25 de novembro de 1976, “The Juice” quebrou o recorde da NFL de mais jardas terrestres em uma mesma partida: 29 carregadas, 273 jardas e dois touchdowns.

Segundo os comentários presentes no vídeo linkado acima, O. J. era a única ameaça daquele ataque dos Bills (de fato, o quaterback Gary Marangi completou quatro de 21 tentativas de passe), ou seja, Detroit sabia que a bola seria entregue para ele e mesmo assim não conseguia parar sua corridas. Isso torna a performance ainda mais impressionante.

#3 – Cara ou coroa da discórdia (1998)

Um dos momentos mais estranhos da história da NFL ocorreu em um Thanksgiving – e de novo envolveu indiretamente os Lions. Em 1998, Pittsburgh e Detroit terminaram o último quarto empatados com o placar marcando 16 a 16. O confronto naturalmente foi à prorrogação e, como de praxe, as equipes disputaram um cara ou coroa para definir quem receberia a primeira posse de bola. Foi então que teve início a controvérsia. Jerome Bettis, running back dos Steelers, aparentemente pediu coroa (tails), contudo o árbitro Phil Luckett alegou que ele havia dito cara (heads). Após a moeda cair no chão, o resultado final foi coroa, então os Lions receberam a bola, marcharam pelo campo e logo depois chutaram o field goal da vitória.

O incidente gerou muita polêmica e Luckett foi bastante criticado, pois a impressão é que ele havia errado feio. Alguns dias depois, entretanto, um vídeo com tratamento de som revelou que o árbitro na verdade estava correto: Bettis começou a falar heads e de repente disse tails quando a moeda estava no ar. Além disso, um áudio flagrou o jogador contando ao técnico Bill Cowher que ele havia dito algo como “hea-tails“. Deste modo, o juiz de maneira coerente considerou a primeira palavra como a escolha de Pittsburgh.

O bizarro episódio inclusive ocasionou uma posterior mudança de regra. Após a polêmica, o comissário Paul Tagliabue instituiu que os jogadores devem declarar a sua opção por cara ou coroa antes da moeda ser lançada.

#2 – O show de Randy Moss contra os Cowboys (1998)

Fora a discórdia causada por uma moeda, o ano de 1998 também teve outro momento glorioso: a partida disputada entre Vikings e Cowboys. O duelo foi um verdadeiro “tiroteio” e terminou com a vitória da máquina de pontos de Minnesota por 46 a 36. Quem roubou o show foi o calouro Randy Moss. O wide receiver somou três recepções para 163 jardas e três touchdowns, estabelecendo um novo significado para a palavra eficiente. Cris Carter também passou da casa das 100 jardas (135) e anotou um touchdown.

Do lado de Dallas, destaque para Michael Irvin (10 recepções e 137 jardas) e Troy Aikman com suas 455 jardas lançadas (recorde no dia de Ação de Graças). Ao todo, os times combinaram naquele dia para 82 pontos, 984 jardas totais e 53 first downs. A partida recentemente foi disponibilizada na íntegra no Youtube.

#1 – A pane mental de Leon Lett (1993)

O dia de Thanksgiving nos proporcionou muitas coisas boas e algumas bizarras, mas nada se compara com o que aconteceu no jogo disputado em 1993 entre Cowboys e Dolphins. Perdendo por 14 a 13 e com apenas 15 segundos no relógio, Miami se posicionou para uma tentativa de field goal de 40 jardas. Talvez atrapalhado pelas condições do gramado, já que havia nevado bastante em Dallas naquela noite, o kicker Pete Stoyanovich teve o seu chute bloqueado. A bola passou da linha de scrimmage e ia morrendo lentamente enquanto o time dos Cowboys comemorava a vitória. Até que…

Até que Leon Lett apareceu. Devido a algum tipo de pane mental temporária, o defensive end dos Cowboys correu para cima da bola tentando recuperá-la – ele definitivamente não precisava fazer isso, pois a jogada iria ser declarada morta na sequência. Ao se aproximar, acabou escorregando na neve e dando um “carrinho” na bola, deixando-a viva e possibilitando que os atletas de Miami a agarrassem na linha de uma jarda. Então, os Dolphins chutaram outro field goal e ganharam por 16 a 14.

Este foi o segundo grande vacilo da carreira de Lett. O primeiro ocorreu no Super Bowl XXVII, quando ele de maneira displicente deixou a bola exposta e sofreu um fumble a centímetros da end zone – para sua sorte, Dallas venceu Buffalo por 52 a 17.

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