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Os anos 1970 foram um momento curioso na história da NFL. Se por um lado tivemos grandes dinastias (Cowboys na Conferência Nacional e Steelers no Super Bowl), running backs espetaculares (O.J. Simpson, Walter Payton etc.) e o auge de técnicos lendários (Don Shula, Chuck Noll, Tom Landry e John Madden), por outro a década foi um pouco mais fraca no quesito quarterbacks. Quer dizer, houve vários signal callers competentes e de destaque, porém, com exceção de Roger Staubach, nenhum deles é considerado excepcional. Pelo menos não ao ponto de um Otto Graham ou Johnny Unitas, usando exemplos que já citamos anteriormente nos outros textos desta série (quarterbacks pré-1958 e década de 1960).

O jogo terrestre foi tão dominante – e por decorrência, os placares, tão baixos – que ao final da década a NFL começou a “abrir o jogo aéreo” por meio de passes. Assim, em 1978 a NFL criou a falta de interferência no passe como conhecemos hoje – o que facilitou a vida de passadores e recebedores.

De toda forma, há muitos jogadores importantes e super vitoriosos a serem citados aqui, os quais foram fundamentais para o sucesso dos seus respectivos times. Resumindo, podemos enxergar os anos 1970 como uma fase de transição até o boom dos quarterbacks ocorrido na década seguinte, em uma época que o esporte intensificava seu processo de transformação para incentivar cada vez mais o jogo aéreo. Vamos ao ranking.

#5 Bob Griese – Miami Dolphins

Anos em atividade: 1967-1980

Nós pensamos seriamente em começar colocando Archie Manning, o papai de Peyton e Eli, na quinta posição, mas na verdade ele nunca conseguiu se destacar profissionalmente muito por conta da fragilidade das equipes onde atuou. Ao invés disso, fomos de Bob Griese, quarterback bicampeão do Super Bowl com os Dolphins.

Certo, você pode falar que Bob apenas gerenciava um ataque conservador e absolutamente voltado ao jogo terrestre. Você também pode argumentar que ele venceu os Super Bowls VII e VIII lançando 18 passes (no total, e não em cada partida). Tudo isso é verdade, porém mesmo assim devemos reconhecer o valor do comandante de um dos times mais vitoriosos da história da liga. Com a dupla Griese e Don Shula, Miami chegou a três Super Bowls consecutivos entre 1971 e 1973, sagrando-se campeão invicto em 1972 – feito até hoje não igualado. Além disso, a franquia terminou com record negativo apenas uma vez na década de 1970 (1976).

As estatísticas de Griese não são exatamente “sexy”, afinal já dissemos que a vocação daquele ataque dos Dolphins era correr com a bola: 25,092 jardas, 56% de passes completos, 192 touchdowns e 172 interceptações. Mesmo assim, ele foi selecionado para seis Pro Bowls e liderou a NFL no quesito touchdowns lançados em 1977. Bob também foi eleito ao Hall da Fama em 1990 e teve sua camisa #12 aposentada por Miami.

#4 Ken Stabler – Oakland Raiders, Houston Oilers e New Orleans Saints

Anos em atividade: 1970-1984

Já explicamos bastante detalhadamente aqui no ProFootball como funcionava a máquina de Oakland nos 1970. Além de um elenco farto em talento e um técnico que mais tarde viraria nome de jogo de video-game (John Madden), a franquia contava com um dos quarterbacks mais prolíficos da época. Membro dos Raiders entre 1970 e 1979, o canhoto Ken Stabler superou a casa dos 25 touchdowns lançados em três ocasiões – o que é muita coisa para o período.

O melhor ano de sua carreira aconteceu em 1976, quando completou 66,7% de seus passes para 2,737 jardas, 27 touchdowns, 17 interceptações e um rating de 103,4 – números impressionantes para a década, até se você for ver como as defesas podiam punir os recebedores. Ademais, venceu o Super Bowl daquela temporada, triunfando com tranquilidade sobre os Vikings por 32 a 14. Sob a tutela de Stabler, Oakland chegou cinco vezes consecutivas à Final da Conferência Americana (1973 a 1977), contudo só venceu uma. Neste intervalo de tempo, o quarterback foi escolhido para quatro Pro Bowls, recebeu o prêmio de MVP da temporada de 1974 e estabeleceu o recorde de 10 partidas seguidas de Playoff com pelo menos um passe para touchdown.

Ken foi trocado pelos Raiders em 1979 e depois disso não conseguiu ter o mesmo sucesso nos Oilers e Saints. Recém eleito ao Hall da Fama (2016), totalizou 59,8% de passes completos, 27,938 jardas, 194 touchdowns e 222 interceptações em 15 anos de carreira.

#3 Fran Tarkenton – Minnesota Vikings e New York Giants

Anos em atividade: 1961-1978

Tarkenton é de longe o quarterback mais produtivo desta lista em termos estatísticos. Em 18 anos de carreira, somou 47,003 jardas aéreas, 342 touchdowns lançados, 266 interceptações, 6,467 passes tentados e 3,696 passes completados – com exceção dos turnovers, todos recordes da liga na época de sua aposentadoria. Seus números são tão acima da média que ele até hoje figura no top 10 histórico da NFL em termos de jardas (8º) e touchdowns (6º), mesmo tendo atuado em uma época menos propícia ao jogo aéreo do que os seus sucessores.

Fran jogou nos Vikings de 1961 a 1966, foi trocado para os Giants e depois trocado de volta para Minnesota em 1972. Logo em sua primeira partida como profissional, por sinal também o primeiro jogo da história dos Vikings, o jovem calouro anotou quatro touchdowns aéreos e um terrestre na vitória por 37 a 13 sobre os Bears. Embora nunca tenha conquistado um anel, Tarkenton, ajudado pela excepcional linha defensiva conhecida como “Purple People Eaters”, levou Minnesota aos Super Bowls VIII, IX e XI. Infelizmente para ele, os adversários eram grandes times liderados por ótimos quarterbacks – respectivamente Miami (Bob Griese), Pittsburgh (Terry Bradshaw) e Oakland (Ken Stabler).

Além da qualidade pelo ar, Tarkenton também ficou famoso pelas corridas improvisadas (os chamados “scrambles“), as quais renderam um total de 3,674 jardas e 32 touchdowns. Entre suas principais honras individuais estão nove seleções ao Pro Bowl, os prêmios de jogador ofensivo e MVP da temporada de 1975, a eleição ao Hall da Fama (1986) e a aposentadoria de sua camisa #10 pelos Vikings.


#2 Terry Bradshaw – Pittsburgh Steelers

Anos em atividade: (1970–1983)

Um quarterback grande, forte, “durão”, com um braço potente e vestindo a camisa dos Steelers. Não, não estamos falando de Ben Roethlisberger, mas sim de Terry Bradshaw, o primeiro signal caller da história a acumular quatro anéis de Super Bowl – feito posteriormente igualado por Joe Montana e Tom Brady.

Primeira escolha geral do Draft de 1970, Terry sofreu bastante durante o início da carreira – em sua temporada de calouro terminou com seis touchdowns e 24 interceptações. Entretanto, encerrados os anos de aprendizagem e turbulência, ele tornou-se um dos líderes de uma das maiores dinastias do futebol americano – inclusive algumas vezes chamando as próprias jogadas. Apoiado por talvez a melhor defesa de todos os tempos, com uma linha defensiva conhecida como “Steel Curtain”, Pittsburgh venceu quatro Super Bowls em um intervalo de seis anos (1974 a 1979). Destes, Bradshaw foi eleito MVP duas vezes (Super Bowls XIII e XIV). Além disso, a franquia ainda chegou em outras duas Finais de Conferência, perdendo respectivamente em 1972 para Miami e em 1976 para Oakland.

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No geral, Bradshaw não colecionou estatísticas tão dominantes: 51,9% de passes completos, 27,989 jardas, 212 touchdowns e 210 interceptações. Contudo, suas performances subiam de nível em momentos decisivos: por exemplo, somando os quatro Super Bowls disputados conseguiu um total de 932 jardas, nove touchdowns, quatro interceptações e um rating médio de 112,8. MVP da temporada de 1978 e líder da liga em touchdowns lançados por duas ocasiões (1978 e 1982), Terry também era uma ameaça com as pernas, obtendo 2,257 jardas terrestres e 32 touchdowns em sua carreira. Ele faz parte do Hall da Fama desde 1989.

#1 Roger Staubach – Dallas Cowboys

Anos em atividade: 1969-1979

Roger Staubach tem uma trajetória profissional bastante inusitada. Após ser uma estrela do College Football atuando por Navy, inclusive vencendo o Troféu Heisman de 1963, ele serviu quatro anos na Marinha dos Estados Unidos. Deste modo, Roger só pôde entrar na NFL em 1969, aos 27 anos de idade. Depois, ainda demorou mais duas temporadas para se tornar o titular absoluto em Dallas.

Porém, uma vez titular, Staubach tornou-se um quarterback extremamente bem-sucedido, comandando um time que conseguiu montar sua própria dinastia na Conferência Nacional. Entre 1971 e 1978, os Cowboys chegaram seis vezes ao NFC Championship Game, vencendo quatro – as derrotas vieram diante de Washington em 1972 e Minnesota em 1973. Obviamente os títulos de conferência levaram a franquia a disputar quatro Super Bowls. Roger sagrou-se campeão em duas oportunidades (Super Bowls VI e XII) e ainda foi eleito o MVP do confronto contra os Dolphins. Por outro lado, as duas derrotas aconteceram para a fortíssima equipe de Pittsburgh.

Apelidado de “Captain Comeback”, também ficou conhecido por operar viradas mirabolantes. As mais famosas ocorreram contra os 49ers e os Vikings respectivamente em 1972 e 1975. No primeiro caso, ele lançou dois touchdowns nos dois minutos finais de partida para reverter uma desvantagem de 28 a 16. Já no segundo, Roger “inventou” o conceito de Hail Mary com um passe de 50 jardas para Drew Pearson a poucos segundos do fim. Sendo católico, ele lançou o passe longo e diz ter rezado uma Ave Maria (Hail Mary, em inglês) durante a trajetória.

Estatisticamente falando, o ponto mais alto de Staubach foi sua temporada de despedida. Em 1979, lançou 3,586 jardas, 27 touchdowns e 11 interceptações. Ele se aposentou com um total de 22,700 jardas, 153 touchdowns e 109 interceptações, números um tanto modestos devido ao seu tempo de atividade ter sido menor do que o normal para grandes quarterbacks – contudo, seu rating final médio de 83,4 foi um recorde para a época. Roger também conseguiu 2,264 jardas e 20 touchdowns pelo chão, foi escolhido para seis Pro Bowls e é membro do Hall da Fama desde 1985.

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