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Com a NFL explodindo no Brasil em 2011/2012 com a compra dos direitos de transmissão por parte da ESPN e o fim das transmissões no BandSports, muitos fãs conhecem muito pouco sobre Donovan McNabb.

Alguns lembram das passagens apagadas por Washington e Minnesota, outros lembram que ele não sabia que o jogo poderia terminar empatado e, os mais ávidos, lembram dele passando mal no Super Bowl XXXIX – e chamando o Hugo.

O que pouca gente lembra é como McNabb passou por dificuldades desde que entrou na NFL. Draftado em 1999, McNabb foi vaiado quando escolhido e claramente tinha um defeito em sua mecânica que prejudicava a sua acurácia – faziam os passes ir cada vez mais para baixo, no pé dos recebedores. Mesmo assim ele se desenvolveu de maneira surpreendente e, aliando capacidade atlética e de evitar turnovers, conseguiu sobreviver toda a carreira sem um grande wide receiver – até a chegada de Terrell Owens.

A temporada de 2004 foi o seu auge (e o declínio depois foi acentuado). Após a derrota no Super Bowl e o fim da carreira de Owens na Philadelphia, o vestiário dos Eagles nunca mais foi o mesmo. O pior: os anos de escolhas pobres no Draft, por parte de Andy Reid, estavam começando a cobrar a equipe.

Com a lesão no joelho em 2006, McNabb perdeu muito de seu atleticismo e tinha que ser um pocket passer mais puro: tarefa ingrata para quem não tinha um corpo de recebedores prolífico e tinha problemas crônicos com a precisão.


“RODAPE"

Um pouco de contexto

2008 era o último ano da janela para os Eagles tentarem o Super Bowl. Na defesa, o safety Brian Dawkins (que deveria ter entrado no Hall da Fama em 2017) e os cornerbacks Sheldon Brown e Lito Sheppard já tinham passado do auge (o que levou a contratação de Asante Samuel na Free Agency).

No ataque, McNabb contava com o pior ano de sua carreira com relação ao grupo de apoio: os recebedores tinham como destaque Kevin Curtis e o calouro DeSean Jackson – não era o ideal. A linha ofensiva, outrora a maior força desse ataque e uma das melhores da NFL, via os tackles Jon Runyan e Tra Thomas declinando com a idade. Para piorar a situação, o guard sensação Shawn Andrews batalhava contra uma depressão (nunca mais foi o mesmo) e o running back Brian Westbrook (a estrela deste ataque) estava em uma disputa contratual no início do ano. Nada bom mesmo.

Apesar de todos esses problemas, o principal motivo desta temporada ter sido a última janela para os Eagles (e para McNabb, consequentemente) foi a saúde do coordenador defensivo, Jim Johnson. Ele era um mestre na arte do blitz em formação 4-3 e era o principal pilar da comissão técnica de Reid. Não se engane: a base dos times vitoriosos da Philadelphia era a sua defesa, com a filosofia de ceder muitas jardas e poucos pontos – principalmente se baseando em uma secundária de elite. Com todos ficando velhos e Johnson sofrendo com o câncer (veio a falecer na intertemporada de 2009), o peso de levar a equipe toda nas costas viraria para o quarterback – o que acelerou ainda mais o declínio da carreira de McNabb.

A temporada regular

Antes de falar sobre o fim melancólico, vale lembrar a montanha russa que foi a temporada tanto de McNabb quanto dos Eagles.

A equipe chegou ao fim de novembro com um recorde 5-5-1 após uma derrota humilhante para os Ravens. Na ocasião, McNabb foi para o banco no fim do primeiro tempo e deu lugar a Kevin Kolb, que teve uma interceptação histórica retornada por Ed Reed para 109 jardas.

O banco parece que fez muito bem ao camiseta  5. A sua temporada de altos e baixos ficou um pouco para trás e ele conseguiu embalar em um final de ano com quatro vitórias (e uma derrota) para chegar como seed #6 aos Playoffs. Destaque para a lavada em cima do Arizona Cardinals (mais sobre esse time depois) e vitória sobre o 11-1 New York Giants fora de casa – vale lembrar que era a equipe que detinha o título e que foi seed #1.

Mesmo com tal arrancada, os Eagles perderam de novo na semana 16 para Washington e ficaram por um fio para conquistar a vaga nos Playoffs. Eles ”só” precisavam que o Chicago Bears perdesse para o Houston Texans (eliminado já) fora de casa – nada como depender de Chicago, não é Curti?1 – e que Tampa Bay perdesse, em casa, para o 5-10 Oakland Raiders de JaMarcus Russell – Tampa era favorito por 13 pontos! Quando essa combinação aconteceu, Philadelphia só precisava bater Dallas (e Dallas só precisava bater Philadelphia para também ir aos Playoffs). No “pré-playoff“, os Eagles esmagaram os rivais por 44-6.

A pós-temporada mostrando o declínio claro de McNabb

Chegando como seed #6, os Eagles tiveram o privilégio de encontrar Tarvaris Jackson e o Minnesota Vikings na primeira rodada – e venceram sem precisar muito do ataque. Contra os Giants, na rodada seguinte, a defesa novamente dominou, parando terceiras descidas essenciais e interceptando Eli Manning quando necessário – Asante Samuel estava jogando o fino da bola.

Só que o ataque oscilava demais nas partidas. McNabb tinha lapsos, mostrando sinais que aquela seria a sua última grande temporada. O atleticismo não estava mais lá e o time não podia depender dele exclusivamente. No momento que todas as outras engrenagens falhassem, Philadelphia iria cair.

E foi exatamente isso que aconteceu contra os Cardinals. Mesmo os Eagles tendo vencido na temporada regular por 48-20, na final da NFC a defesa não apareceu (foi queimada constantemente por Larry Fitzgerald) e tudo caiu nas costas de McNabb. O quarterback pode até ter terminado o jogo com bons números (375 jardas, 3 touchdowns e 1 interceptação), porém falhou no momento decisivo e não conseguiu completar bem a  derradeira campanha.

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Naquele momento, ficava cada vez mais claro que a janela estava fechando e que a Era McNabb estava chegando ao seu fim na Philadelphia e não tinha muito mais o que fazer.

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O fim melancólico após a derrota

Após perder para Arizona, o time dos Eagles se desmontou. A linha ofensiva ficou ainda mais deteriorada, a defesa perdeu as duas principais lideranças (Brian Dawkins saiu na Free Agency e Jim Johnson faleceu) e o ataque teve que carregar a equipe nas costas. O resultado? Uma derrota no wild card para um Dallas mais forte e o surgimento de Michael Vick como uma possível resposta para 2010.

O tempo de McNabb já havia passado. Com o ataque reformulado, desgaste no vestiário e a mesma dificuldade de sempre com a sua mecânica, só que agora sem defesa. Apesar do último suspiro em 2009, o fim da linha foi em 2008 quando ele continuava em seus altos e baixos e foi levado por uma defesa excepcional que não aguentou o ano fabuloso de Larry Fitzgerald.

Mesmo tendo uma carreira meteórica, com o auge muito cedo e o declínio tão acentuado, Donovan McNabb trouxe uma coisa que Philadelphia não via por muito tempo: vitórias. Mesmo na época de Reggie White e da Gang Green nos anos 1990, esse time não conseguia se manter no topo da NFC pela falta de equilíbrio entre os seus setores.

McNabb conseguiu manter esse equilíbrio por muito tempo graças a sua capacidade de evitar turnovers e criar do nada. Faltou-lhe pouco para sair com o título e, para seus fãs, a temporada de 2008 foi o último sopro de um jogador que ficou para a história dos Eagles.

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“RODAPE"

  1. nota do editor: vá se ferrar, Jean