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Sem rodeios: é quase uma injustiça histórica o Tennessee Titans jamais ter vencido um Super Bowl. Apesar da franquia ter se mudado para Tennessee há apenas vinte anos, desde os tempos de AFL a história dessa equipe é marcada por grandes nomes do esporte, momentos inesquecíveis – de a sua criação como Oilers em 1960 até os momentos atuais.

Como muitos já devem saber, o Tennessee Titans nasceu como Houston Oilers, e desde a sua criação, havia uma vocação para jogadores históricos. O primeiro quarterback da história do time foi ninguém menos que George Blanda, lendário signal callerplace kicker que jogou nada mais nada menos que vinte e oito temporadas de futebol americano. Logo nos dois primeiros anos de existência, venceram a AFL, em 1960 e 1961.

Não vou mergulhar com profundidade na história da equipe – afinal, o enfoque aqui é 2008 – mas é impossível não admirar uma equipe que teve Warren Moon no comando por dez temporadas. Isso sem sequer mencionar os nove anos de Steve “Air” McNair, com a campanha da temporada de 1999 – que culminou na aparição no Super Bowl XXXIV, no qual ficaram a literalmente uma jarda de levar a partida para a prorrogação. Foi nesta mesmíssima temporada que a partida de Wild Card contra o Buffalo Bills entrou para a história, conhecida eternamente como “Music City Miracle”1.

Vince Young? Que nada.

Retomemos, enfim, o ano de 2008. É bem provável que você, caro leitor, associe ao Tennessee Titans dessa época o nome do fenômeno universitário Vince Young – e você não estaria errado. O explosivo quarterback chegou na NFL respaldado pelos brilhantes números da carreira na Universidade do Texas2, sendo alçado como uma mudança de paradigma na posição 3.

Acontece que, justamente na estreia da temporada 2008 contra o Jacksonville Jaguars, Young lesionou o joelho no último quarto da partida. Depois de já ter lançado duas interceptações e apenas um touchdown, o ex-Longhorn deu lugar ao quarterback Kerry Collins – à época um veterano com mais de dez temporadas de futebol americano na conta, considerado um quarterback pouco badalado com (mais uma) oportunidade sob os holofotes 4. Collins, para quem não se lembra, era o quarterback dos Giants na campanha (amplamente ajudada pelo jogo terrestre) de 2000, a qual levou o time até o Super Bowl XXXV – no qual perdeu para a fabulosa defesa do Baltimore Ravens daquele ano.

Pois bem, logo ao entrar, Kerry Collins conseguiu conduzir o time à primeira vitória. E mais importante do que o quarterback, foi um running back calouro que anotou 93 jardas terrestres e moveu as correntes o tempo inteiro: Chris Johnson. Do lado defensivo, uma perfomance memorável, com sete sacks para a equipe de Nashville – com destaque para o defensive tackle Albert Haynesworth (lembra dele?). A combinação de uma ótima defesa – que contava também com o defensive end Kyle Vanden Bosch em excelente fase – com jogo terrestre para lá de explosivo seria a tônica da temporada 2008 do Tennessee Titans.

Nas semanas seguintes, foram mais três vitórias, alcançando pela primeira vez na história da franquia um início de temporada com 4-0. Chris Johnson, logo na Semana 2 contra o Cincinnati Bengals, conseguiu sua primeira partida com 100 jardas terrestres. Na Semana 3, uma vitória divisional selada com uma interceptação retornada 99 jardas de Cortland Finnegan, e na Semana 4 Johnson apareceu novamente com dois touchdowns terrestres.

Esse começo perfeito foi apenas o aperitivo. A equipe teve uma temporada perfeita até a Semana 12, sendo derrotados por ninguém menos que o New York Jets de Brett Favre. A síntese do que foi a temporada do Tennessee Titans pode ser vista na Semana 7, contra o Kansas City Chiefs no Arrowhead Stadium. Além de Chris Johnson, o companheiro de posição LenDale White – adversário de Vince Young no icônico Rose Bowl de 2006 – foi crucial conseguindo entrar na end zone com frequência; foram três touchdowns, inclusive um de 80 jardas. Para Chris Johnson, um touchdown de 66 jardas. A partida acabou com 332 jardas terrestres para os Titans, recorde da franquia, ao mesmo tempo que limitou os adversário a apenas 10 pontos.

O ano terminou5 com 13 vitórias e 3 derrotas para o Tennessee Titans – e Collins como titular. Na Semana 17, já com o seed número um garantido, o time foi até Indianapolis e viram Peyton Manning e Joseph Addai tomarem a vitória grátis sem cerimônias. A derrota seria a primeira de uma sequência de oito para a franquia de Nashville.

Chris Johnson, calouro em 2008, foi a grande surpresa – e talvez o eixo motor ofensivo – daquele time

O duelo no playoff divisional contra o Baltimore Ravens

Donos do mando de campo, o Tennessee Titans enfrentou uma equipe que já derrotara em 2008: o Baltimore Ravens6. O time manteve seu estilo de jogo, com Kerry Collins utilizando sua experiência sem forçar passes contra uma defesa perigosa como a dos Ravens7, deixando as correntes serem movidas por Chris Johnson e o wide receiver Justin Gage. Esse bom ritmo ofensivo resultou no primeiro touchdown da equipe, prontamente respondido pelo calouro quarterback Joe Flacco, explorando o espaço da marcação em zona para encontrar o ex-Titan Derrick Mason em uma rota go no lado direito do ataque.

Numa partida tão disputada, com duas potências defensivas medindo forças, a batalha dos turnovers se torna ainda mais crucial – e foi justamente nesse quesito que o trem do Tennessee Titans descarrilhou. Kerry Collins, dentro do campo do Baltimore Ravens, foi surpreendido por uma blitz do lado direito e, ao buscar Justin McCareins, acabou interceptado por Samari Rolle. Na campanha seguinte, LenDale White sofreu um fumble já na linha de 22 jardas do campo do Baltimore Ravens, recuperado por Jim Leonhard. Mais uma posse no campo do adversário sem conseguir pontuar – o que seria fatal para os donos da casa.

Mesmo dominando o tempo de posse de bola e forçando Ray Lewis, Ed Reed, Terrell Suggs e companhia a ficarem em campo, as 122 jardas conquistadas nessas duas campanhas foram em vão. No terceiro quarto, Rob Bironas teve a chance de anotar um field goal de 51 jardas e colocar os Titans na frente, mas a bola foi para fora pelo lado esquerdo. Foi o Baltimore Ravens que tomou a liderança no começo do último quarto, depois de um terceiro período recheado de punts.


“RODAPE"

A tônica defensiva se manteve, até o Tennessee Titans empatar, com pouco mais de 4 minutos faltando no relógio. O Baltimore Ravens, então, controlou o relógio com maestria e tomou a liderança com menos de um minuto faltando no relógio, com outro field goal de Matt Stover. Ainda havia tempo para uma derradeira campanha do time de Tennessee. Campanha essa que acabou depois de uma quarta descida mal-sucedida, em um belo trabalho defensivo do Baltimore Ravens. No final das contas, levou a melhor quem protegeu melhor a bola. Joe Flacco, naquela oportunidade, se tornou o primeiro calouro da história da NFL a vencer duas partidas pós-temporada – sendo superado no ano seguinte por Mark Sanchez8.

O que sobrou daquela temporada?

Foi a última vez que o Tennessee Titans foi à pós-temporada. Os anos seguintes foram turbulentos, exceto pela temporada de 2.000 jardas de Chris Johnson – que lhe rendeu o apelido de CJ2K -, em 2009. Como uma andorinha só não faz verão, as incertezas na posição de quarterback, a irregularidade de Jeff Fisher e o experimento Jake Locker acabaram por mergulhar os Titans em anos sob a crítica.

Mas espere; A volta por cima está escrita e nas mãos de Marcus Mariota, selecionado em 2015 – e ele tem correspondido. 2017 parece ser o ano no qual os Titans retornarão à pós-temporada, e, quem sabe, finalmente atinjam o objetivo maior de finalmente conquistar o Vince Lombardi.

A temporada de 2008 é um exemplo fantástico de como uma peça de dominó derruba várias outras. A lesão de Tom Brady, perfomances ruins do Indianapolis Colts na primeira metade da temporada e a lesão de Vince Young deram contornos inesperados para a AFC. O Tennessee Titans não tinha nada a ver com isso e aproveitou essa oportunidade, com um ano inesquecível.

Esse efeito borboleta da NFL, por assim dizer, é apaixonante. E lembrem-se: Setembro sempre chega!

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“RODAPE"

  1. Buffalo Bills @ Tennessee Titans, AFC Wild Card Round 1999. Todos os direitos reservados à NFL. Acesso em 11/07/2017. https://www.youtube.com/watch?v=eoE0VLUz00o
  2. http://www.texassports.com/roster.aspx?rp_id=5058. Acesso em 10/07/2017.
  3. RICHMOND, Peter. Are We (Finally) Entering the Age of the Running Quarterback?. N.Y. Times. Acesso em 10/07/2017 http://www.nytimes.com/2008/09/14/sports/playmagazine/0914play-FBALL-YOUNG.html
  4. CHADIHA, Jeffri. A low-key player in the spotlight again. NFL.com. Acesso em 11/07/2017. http://www.espn.com/nfl/columns/story?columnist=chadiha_jeffri&id=4458532
  5. http://www.pro-football-reference.com/teams/oti/2008.htm Acesso em: 10/07/2017
  6. Baltimore Ravens @ Tennessee Titans, AFC Divisional Round 2008. Todos os direitos reservados à NFL. Acesso em 10/07/2017. https://www.youtube.com/watch?v=34Z78yXQI5g
  7. http://www.pro-football-reference.com/boxscores/200901100oti.html Acesso em: 10/07/2017
  8. GAGNON, Brad. A History of Rookie Quarterbacks in the NFL Playoffs. Bleacher Report. Acesso em 10/07/2017 http://bleacherreport.com/articles/2686382-a-history-of-rookie-quarterbacks-in-the-nfl-playoffs