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Se eu falasse que um time estava fadado a perder seu quarterback titular, o que você me diria? Provavelmente que o futuro dessa equipe estaria comprometido. Em outras palavras, você me diria, sem pensar muito, que esse time não teria forças para almejar algo na temporada, dada a importância da posição. Ah, o time perderia, ainda, o seu running back principal. É. Você me diria pra já pensar em 2018. Sem ambos, impossível vencer na NFL, certo?

Errado.

O Minnesota Vikings lidera a Conferência Nacional com 10 vitórias e 2 derrotas. O mesmo Minnesota perdeu seu quarterback titular – Sam Bradford – após a semana 1 quando esse lançou para 346 jardas e 3 touchdowns, com rating de 143. A partir daí, os Vikes começaram a alimentar Dalvin Cook, running back calouro draftado na 2ª rodada. Cook teve três partidas muito boas e sofreu um rompimento de ligamento no joelho. Fora da temporada.

Nessa altura do campeonato, os Vikings tinham duas vitórias e duas derrotas. O que se viu a partir daí, foi um time simplesmente fantástico. Oito vitórias consecutivas colocaram o time da NFC North no topo de sua conferência. E muito disso se deve a defesa, que no ano passado já era fantástica. Neste, saudável, está sendo fantástica e eficiente como bônus.

A defesa do Minnesota Vikings tem números impressionantes. É o terceiro time que menos cede jardas por carregada (3.5). E contexto aqui: estamos falando aqui de um time que enfrentou Saints, Steelers, Bears, Rams… Todos que se apoiam muito no jogo terrestre. No quesito passes por tentativa, também aparece em terceiro na liga – com média de 6.5 por partida. E não para por aí. Os Vikings são, também, o 2° time da NFL na questão pontos por jogo (17.0).

É claro que a defesa dos Vikings tem grande papel neste momento incrível do time, mas se engana quem pensa que a ela é a única que deve ser creditada. Case Keenum, aquele que assumiu após a lesão de Sam Bradford, tem seus méritos sim, senhor. O grande Bill Parcells disse uma vez que “Você é aquilo que a sua campanha diz”. E Case Keenum tem 8 vitórias e 2 derrotas como o quarterback titular do Minnesota Vikings. Por mais que “vitórias de quarterback” seja uma estatística que não conta o todo muitas vezes, é inegável que Keenum – e sua eficiência – tem uma parcela forte de crédito pelos Vikings estarem onde estão. A sintonia com Adam Thielen vem sendo impressionante, aliás.



Se eu acho que o Case Keenum é o cara do futuro da franquia? Difícil afirmar com um espaço amostral tão pequeno. Mas eu não seria o louco que tiraria ele da posição de titular agora. Pode ser a lógica mais pobre do mundo, mas, no caso dos Vikings, se aplica. Não se mexe em time que está ganhando. Mas não nesse caso. Não mesmo. Aliás, tem um número que eu adoro na NFL: a porcentagem de conversão das terceiras descidas. Os Vikings lideram a liga nesse quesito, com 46% de aproveitamento. E esse número é muito importante. Mais importante até, eu diria, do que a batalha de turnovers. É só ver quem são os primeiros times do ranking da 3ª descida. Vikings em 1°, Eagles em 2° e Patriots em 4°. Não me admira serem 3 dos 4 times com 10-2 na temporada.

Minha única ponderação é: será que o Case Keenum pode fazer com os Vikings o que o Trent Dilfer fez com os Ravens em 2000? Igualmente difícil apontar isso com toda certeza do mundo. Aquela defesa dos Ravens forçava mais turnovers. Dilfer tinha menos trabalho ainda. O Case Keenum não é aquele cara que vai te ganhar o jogo com uma campanha incrível de dois minutos. Pelo o que mostrou até agora, por mais eficiente que tenha sido, não parece ter esse DNA. Mas do jeito que a defesa está jogando, ter um quarterback que não cometa erros bobos já é o suficiente.



Minnesota não está no topo da Conferência Nacional por acaso ou só porque Aaron Rodgers se machucou. Pelo contrário: não é por demérito dos outros, é por mérito próprio. De Everson Griffen a Xavier Rhodes, é uma defesa completa. De Case Keenum à revigorada linha ofensiva, é um time eficiente. Os Vikings estão conseguindo algo muito impressionante: ter sucesso na NFL sem suas principais armas de ataque. Pode não ser um time sexy: mas é um time eficiente. E isso tem que ser respeitado.

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“RODAPE"