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1- Passadas duas semanas do Draft, tenho uma excelente aposta ao (meu) calouro favorito do ano: Foley Fatukasi. Você provavelmente não conhece quase nada de Fatukasi, defensive selecionado pelo New York Jets com a escolha 180 na sexta rodada do último Draft. O jogador me chamou a atenção pela primeira vez cerca de um mês antes de adentrar a NFL como um possível sleeper nas últimas rodadas.

O que me chamou bastante a atenção na pesquisa sobre ele é em relação a sua vida fora do campo. Os pais de Fatukasi imigraram da Nigéria, e sua mãe trabalha aconselhando pessoas que são vítimas do abuso de substâncias. A casa da família foi destruída em 2012 no Furacão Sandy, mesmo ano no qual Foley se tornou o primeiro jogador da Beach Channel High School a ser recrutado por uma equipe do Power Five. Por fim, no último ano, Fatukasi foi indicado para a watch list do nobre Wuerffel Trophy, dado ao jogador que melhor combina seu trabalho na comunidade com sua excelência acadêmica.

Fatukasi apareceu recentemente num vídeo do New York Jets no Twitter contando sua experiência no rookie minicamp. Fica clara a humildade do jogador, sua consciência de que ser draftado não significa nada e que isso foi na verdade apenas o primeiro passo – para efeito de comparação, os Jets draftaram Nathan Shepherd, também defensive, muito antes no Draft. Sendo uma escolha de sexta rodada, o lugar de Foley no elenco ao final dos cortes de agosto está qualquer coisa menos garantido; todavia, não haverá um só calouro pelo qual eu torcerei mais pelo sucesso em 2018 do que Fatukasi.

2. Ainda no assunto comunidade, louvável a atitude de Hue Jackson de cumprir sua promessa de pular no lago Erie e aliar isso a uma boa causa. Mas isso poderia ser evitado se ele não fosse um treinador tão ruim. Se você não sabe (ou não se lembra), ao fim da temporada de 2016, Hue Jackson prometeu que, se os Browns continuassem com o mesmo 1-15 daquele ano em 2017, ele pularia no Lago Erie, que corta os estados de Ohio, Pennsylvania, Michigan e New York. De fato, Cleveland não terminou com o péssimo 1-15, incrivelmente piorando esse record e tendo uma temporada sem qualquer vitória. É bastante admirável a atitude de Hue com relação a manter sua promessa – Jackson vai doar 100 dólares em nome da sua fundação (que combate o tráfico humano no nordeste do Ohio) para cada membro da organização que também pular no lago, com o objetivo de arrecadar 15 mil dólares -, embora não fosse necessário se ele não fosse um head coach tão patético, como prova o histórico de 1-31 em duas temporadas.

3. Nenhum time está tão vulnerável a lesões em 2018 como o Arizona Cardinals. Existe bastante talento em ambos os grupos titulares (David Johnson, Larry Fitzgerald, Justin Pugh/Chandler Jones, Deone Bucannon, Patrick Peterson são ótimos exemplos), mas os reservas formam um elenco dos mais fracos. Se Sam Bradford se machucar – e ele vai, acredite – em algum momento, Arizona pode confiar tranquilamente em Josh Rosen para manter um bom nível com relação a seus quarterbacks. Se alguma das outras estrelas citadas acima se machucar, as peças de reposição são muito abaixo da média.

4. Passadas uma semana da revelação da acusação sobre Matt Patricia, vamos a duas conclusões rápidas: 1) Estupro/abuso sexual é algo obviamente repugnante e 2) nesse momento, não há como ter a menor ideia do que realmente aconteceu naquela noite em março de 1996. São pouquíssimas as informações sobre o caso e o que se sabe no momento é que Patricia foi detido na época, sempre declarou inocência e o caso foi arquivado cinco meses depois. Se a investigação da liga revelar que o atual treinador do Lions realmente teve algum envolvimento com o caso, seu lugar correto não seria a NFL e sim a prisão. A verdade atual, contudo, é que não temos a menor ideia do que realmente aconteceu há 22 anos e, portanto, não devemos tirar qualquer conclusão precipitada sobre.

5. Jerry Jones tem um ponto sendo uma interrogação. Bom para o mandante dos Cowboys que ele reconheça que o trabalho podia ter sido melhor com relação a dar um Super Bowl para dois ícones da franquia – Tony Romo e Jason Witten, mais especificamente. Você provavelmente lembra da famosa foto entre Romo, Witten, DeMarco Murray e Dez Bryant no vestiário em 2014 após Dallas vencer a NFC East – aquele ataque, inclusive, era simplesmente maravilhoso e Dez pegou a bola. O passado ficou pra trás, entretanto, e os Cowboys possuem o melhor recurso possível na NFL: um franchise quarterback num contrato de calouro. Pense bem sobre o elenco da franquia: o que Jones tem feito para fazer um trabalho melhor e aproveitar o recurso antes que esse se esgote?



6. Na medida em que a temporada se aproxima, me preocupa cada vez mais o que vai acontecer com Deshaun Watson. A pior linha ofensiva da NFL em 2017 pertenceu ao Houston Texans e o time pouco fez para consertar o problema – a bem da verdade, dois jogadores que eram reservas desta se projetam como titulares em 2018, o que não é um bom sinal. Watson é um quarterback que depende muito de sua mobilidade mas que volta de uma grave lesão no joelho – sem contato, o que muitas vezes piora ainda mais a situação. Se ele não estiver 100% recuperado e estiver exposto a mais pancadas a medida que o ano se desenvolve, sua saúde será motivo de preocupação.

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7. Os Jets possuem um bom projeto para offensive tackle… se ele puder jogar. Antonio Garcia foi recentemente dispensado do New England Patriots com uma designação de non-football injury, sendo esta motivada pela trombose em seus pulmões que lhe impediu de atuar em 2017. Garcia foi adicionado ao elenco do New York Jets por meio do sistema de waiver e, se saudável (o que é uma grande incógnita nesse momento), pode brigar pela titularidade na posição de left tackle.

8. Não perca seu tempo com o top 100 da NFL. A grande maioria dessas listas é totalmente irrelevante e sem sentido e esse top 100 não é exceção. Votado pelos próprios jogadores, a lista elege… bem, você acertou, os supostos 100 melhores jogadores da NFL na temporada que passou. O grande ponto desta é que não faz o menor sentido, as colocações são absurdas e é uma perda de tempo imensa.

9. Pensamento semanal sobre o futebol americano universitário: O único quarterback digno de atenção na classe de 2019 é Justin Herbert, de Oregon. Herbert é um quarterback fantástico, com um braço muito bom para a liga e precisão notória em passes curtos e longos. Em contrapartida, sua acurácia na zona intermediária ainda precisa melhorar muito, assim como suas tomadas de decisão sob pressão. Faltando mais de 300 dias para o Draft, não transformarei isso num scouting report extenso. Mas se quiser um nome para ficar atento e estudar um pouco mais antes doício da temporada da NCAA, Herbert é o jogador ideal.

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10. Pensamento semanal não-relacionado ao futebol americano: Taison merecia a convocação, goste você ou não. O futuro já disse quem foi melhor entre ele e Messi (descanse em paz, grande Wianey) e sabemos que é improvável que você acompanhe futebol ucraniano. Releia bem a opinião: não estou dizendo que Luan merecia menos. Estou dizendo que Taison era digno dela.

Agora com 30 anos, Taison é o jogador mais ativo num trio de meias brasileiros do Shakhtar (Marlos, Bernard o completam). Ele é o que mais se movimenta em todo o campo, muitas vezes também assumindo uma posição mais defensiva de recomposição quando a equipe trabalha a posse da bola; dali, ele costuma cair mais pela a esquerda. Como Tite o utilizará (se utilizar) no já consolidado 4-1-4-1 da seleção? Difícil dizer, talvez numa função semelhante a de Renato Augusto. O ponto central é: quer você acredite ou não, Taison é sim um jogador merecedor da vaga.

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