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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.


Com os calouros de algumas equipes, como Chicago Bears e Baltimore Ravens, já reportando aos traning camps, vamos aquecendo para a temporada 2018 da NFL. Contudo, há um último elefante para endereçar na sala: A franchise tag. Boa parte desta coluna será dedicada a ela, então vamos lá.

1st and 10: Por que esse negócio existe

Imagine uma época na qual não havia outra forma de jogar numa equipe diferente que lhe draftou senão em caso de troca.

A NFL foi assim por décadas e décadas.

Os jogadores só começaram a ter direito de escolha na década de 1990 e isso só aconteceu como reflexo de uma enorme ação trabalhista encabeçada por Reggie White, um dos melhores defensores da época.

Em resumo, o time tinha o “passe” do jogador. Quando seu contrato acabava, caso uma outra equipe quisesse seus serviços, tinha de compensar a equipe original do atleta com escolhas de Draft. É o que ainda acontece na figura do agente livre restrito. Não vou entrar nos detalhes de agente livre restrito/irrestrito, já escrevi aqui sobre. Vamos falar só da tag.

Em 6 de janeiro de 1993, após muita treta, a Associação de Jogadores da NFL (NFLPA) e as franquias da liga entraram em acordo sobre uma free agency irrestrita – os jogadores finalmente teriam poder de escolha. Falo bastante sobre em meu livro, aliás, nos capítulos dedicados à história da NFL.

Contudo, houve contrapartidas.

Em 1994, começaria o teto salarial rígido: as equipes não poderiam gastar mais do que uma dada quantidade em função do faturamento da NFL. Ainda, a figura da franchise tag foi criada. Ela daria o direito de uma equipe “reter” um jogador que seria free agent irrestrito – de maneira que compensaria esse jogador com um salário caro e por um ano. Com isso, o atleta não chegaria ao mercado e as equipes não veriam tanto “desmanche”.

O objetivo era claro: impedir que os Dolphins perdessem Dan Marino, que os Bills perdessem Jim Kelly e por aí vai. Daí o nome: etiqueta de jogador importante para a franquia. Na prática, esse jogador virava o agente livre restrito como todo mundo era antes.

Como um jogador “preso” é melhor do que 37, como até então acontecia, a NFLPA cedeu.

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Nosso podcast desta semana com a prévia da AFC East:

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Amanhã tem episódio novo dele!

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Leia mais e entenda:
Franchise Tag: Quem recebeu em 2018 e por quê
Entenda o que é a Franchise Tag

2nd and 7: Por que isso é problema

Em qualquer negociação, as partes têm de ceder para chegarem a um acordo. Se não, é extorsão – não negócio.

Para “liberar” 36 jogadores, a NFLPA teve que abrir mão de um deles com a potencial franchise tag. Até aí, sem problemas: não fosse um jogador que é MUITO bom num esporte com carreira curta e que um atleta pode se machucar em literalmente qualquer snap. Quando falamos em running backs, o caso fica ainda mais grave porque são 20, 25 situações nas quais há contato – tackle – e o corredor pode se machucar.

A aposentadoria recente de DeMarco Murray aos 30 anos evidencia o “prazo de validade” curto da posição. Assim, são poucas oportunidades que os running backs têm de capitalizar em cima do mercado. A coisa piora na medida em que o acordo coletivo trabalhista atual, assinado na intertemporada de 2011, implica em contratos “tabelados” para os calouros. Quanto mais alto no Draft, maior o salário – e vice-versa.

Le’Veon Bell foi draftado na segunda rodada e, em seu contrato de quatro anos, ganhou só um milhão de dólares, em média, por temporada. NÃO É NADA perto do que ele fez em campo pelos Steelers. Mérito da franquia em conseguir achar um talento assim na segunda rodada e em desenvolvê-lo, claro. Mas justamente quando Bell seria free agent… Vem a tag.

O grande problema aqui é que a tag se dá em função dos maiores salários de uma dada posição. Para o quarterback, o problema não é tão grande – embora tenha virado uma novela no caso Kirk Cousins/Washington. No caso do running back, os maiores salários da posição são troco perto do que outras posições ganham.

Assim, Le’Veon Bell recebeu a franchise tag antes da temporada passada, jogou com o risco de lesão e de nunca mais capitalizar com novo contrato… Tudo isso a módicos 12 milhões de dólares. O 54º jogador mais bem pago da liga.

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Sendo que ele é um dos 10 melhores, fácil.

Jason Witten, que não fez tanta coisa em campo no ano passado, ganhou mais. MIKE GLENNON GANHOU MAIS. Não preciso ir além na argumentação sobre como isso é injusto para o atleta. Ainda mais porque, caso ele se machucasse no ano passado, ninguém pagaria o que ele teria ganho antes de hipotética lesão.

O problema é que Bell tem a importância de um wide receiver com os riscos de um running back.

Em 2018, mesma novela, mesma tag. Bell queria média de 17 milhões de dólares – 7 milhões a mais que o segundo running back mais bem pago da NFL para a próxima temporada, Jerrick McKinnon (que assinou como free agent lá em San Francisco). Parece muito, mas é perto de ser justo por seu valor dentro de campo, pelo quê ele produz. Óbvio: ele forçou a barra para tentar chegar num meio termo.

O problema é que Bell tem a importância de um wide receiver com os riscos de um running back. Assim, por mais que o salário seja justo em termos de produção dentro de campo, os Steelers têm medo por conta de potencial lesão – o dinheiro garantido ficaria preso. O declínio, natural para os running backs a partir dos 28 anos, faria com que a grana não valesse a pena.

Conforme o Henrique Bulio escreveu neste texto exclusivo de nossos assinantes, nenhum dos dois lados está errado. O problema é o sistema. Mas o CBA (acordo coletivo) de 2011 fez com que a franchise tag virasse um monstro a ser combatido. O jogador fica preso no contrato de calouro a um preço módico e, depois, não tem como chegar ao mercado. Le’Veon Bell é um jogador a um tackle violento de Vontaze Burfict de se tornar um mártir da NFLPA.

3rd and 2: Por que tem que mudar

“TEM QUE ACABAR A JUSTIÇA!”, diria Rogerinho do Ingá em Choque de Cultura. Calma, não é bem assim. Acho difícil que o instrumento acabe. Mas ele precisa mudar.

É difícil que ele acabe porque a tag é um complemento do teto salarial. É ela que impede, indiretamente, que os general managers de equipes com rios de espaço no teto façam loucuras e insanidades. Imagine se Peyton Manning tivesse sido free agent no seu auge, em 2004. Ele facilmente poderia conseguir rios de dinheiro, já que estava no auge. A liga iria virar Cartago depois da invasão romana.

Os Colts colocaram a tag e Manning teve temporada de MVP – uma das melhores temporadas ofensivas da história, aliás. Ao mesmo tempo que a tag é necessária para a saúde financeira coletiva da NFL – e para impedir panelas ao estilo daquela da NBA em Oakland-San Francisco – ela precisa mudar.

Deion Jones é linebacker ou safety? Minkah Fitzpatrick joga em qual posição?

Na medida em que o jogo aéreo evolui, é difícil que um jogador só faça uma coisa e dane-se o resto. Claro, há os Marcus Peters que têm preguiça de dar tackle, mas os cornerbacks precisam desenvolver essa habilidade. O mesmo acontece na NBA, com todo mundo, até os pivôs – que o diga Kristaps Porzingis – tendo que chutar de vez em quanto.

Assim, a franchise tag com salário em função da posição… Não é justa. Isso já ficou mais do que evidenciado quando Jimmy Graham, no auge de sua produção, recebeu tag como tight end sendo que tinha estatísticas de wide receiver. Agora, com Bell, o caso é grave porque os running backs são pagos com troco ao mesmo tempo que podem se machucar a qualquer momento. E Bell não é qualquer running back. Ele contribui com, pelo menos, cinco vitórias por ano.

Qual outro running back faz a mesma coisa? Nenhum.

É difícil pensar numa alternativa – talvez a tag também em função de alguma estatística, já que isso equilibraria as coisas para jogadores mais híbridos. Ou, de maneira subjetiva, um órgão independente faça uma arbitragem, tal como ocorre na Major League Baseball. Embora seja uma abordagem subjetiva, é minha preferida.

Fato é que não haverá mudança antes do início de 2021, quando o atual acordo coletivo (CBA) terá expirado. O potencial de greve dos jogadores ou lockout dos donos, como já aconteceu antes, é bem plausível. Não será uma negociação fácil. Salários na NBA estão astronômicos e 100% garantidos. A NFL teve o maior faturamento com direitos de TV em toda sua história. O beisebol tem a figura da arbitragem há muito tempo e, tal como no basquete, os contratos são garantidos. A liga terá que ceder (bastante).

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Torço para que Le’Veon Bell continue no auge e que ele não se machuque. Será triste caso aconteça, porque ele se tornaria um mártir de um instrumento que fazia sentido em 1994 – mas que é desatualizado hoje.



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4th and 1: Que saudade do meu metabolismo…

Vez ou outra, utilizarem a quarta descida para um assunto não ligado ao futebol americano. Já falei em edições anteriores sobre a Copa do Mundo FIFA, sobre a NBA e talvez o beisebol seja tema aqui. Ainda, posso versar sobre assuntos pessoais aqui também – afinal, é o que faz a coluna algo com mais vida. Se você não quer saber sobre minha vida, fique tranquilo, teve NFL pra caramba acima e estamos no meio de julho com “nada acontece”. Fiz a Revolução Industrial da manufatura de pautas de NFL neste mês.

Seja como for, vamos lá. Relacionamentos? Não, esse tema que gosto tanto não será o assunto desta vez. Metabolismo o será.

Sempre fui uma draga. Ou seja, o popular “magro de ruim”. Como sou alto e meu metabolismo sempre foi acelerado, por 20 e tantos anos pude comer até não poder mais e dificilmente engordar. Mas aí chega um cabelo branco ou outro e comer um hot dog, um cheeseburger, uma porção inteira de batata frita… Isso não é possível sem consequências. Ah, também houve vezes em que comi uma pizza inteira.

O resultado dessa orgia gastronômica, de vez, se deu nesta intertemporada. Com horários mais malucos do que nunca, minha alimentação foi pro buraco. Houve dias em que eu só comia de tarde e mandava ver no temaki depois de uma transmissão de beisebol. Em outros, comia um café da manhã reforçado e as demais refeições também eram… Pesadas.

No ESPN League da semana passada, o Deivis, redator do site, tirou uma foto da tela e perguntou se eu estava com caxumba. Minha bochecha estava inchada. Mas era só gordura mesmo.

Na hora, eu lembrei de como o Tom Brady estava inchado no início de carreira. O queixo dele dá dois do atual. Acho que o meu, em relação a 2014, também. Claro: não pretendo fazer a dieta maluca dele, é impossível se você não ganha milhões de dólares. Mas esse comentário do Deivis foi meio que a gota d’água para que eu criasse vergonha na cara: meu metabolismo não é mais o mesmo de quando eu tinha 18 anos.

Alimentação parece que é algo de boa e, na maior parte dos casos, é prazer. Mas, depois de uma certa idade – a exemplo de Brady, só que em menor medida – tem que ser levada como combustível… E de vez em quando, como prazer. Comer que nem um porco é daora – mas quando se é adolescente, com poucas responsabilidades. Excesso de açúcar quando se é adulto é a receita para a improdutividade e outros problemas. E, de toda forma, eu trabalho indiretamente com a minha imagem.

A meta é, além de comer direito – meu jantar hoje será purê de batata, bife e legumes (em outros dias poderia facilmente ser uma pizza inteira) – pretendo colocar uma meta em corrida. Correr libera endorfina até não poder mais e, desde o início da semana, estou trabalhando melhor e mais bem-humorado. 5 km em 25 minutos. Para quem já corre, parece pouco. Para quem está começando… Deus, como correr dói!

Enfim, cerca de 5 mil pessoas, por semana, dão uma passadinha nesta coluna. Se eu puder influenciar positivamente a alguma, uma que seja, delas, já será bacana – karma positivo, queira ou não, hehe. E escrever aqui sobre o assunto me motiva a continuar firme. Parece fácil: mas o ser humano é um animal de hábitos. Depois de anos comendo que nem louco, a reeducação alimentar não é fácil.

Em breve posto um update sobre. A você que me leu até o fim da coluna, obrigado!

Feedback:

Podem mandar para minhas redes sociais que vou respondendo na medida do possível. Nas últimas semanas praticamente não chegaram perguntas para esta coluna – não os culpo, entendo muito bem a falta de pauta gigantesca.

 




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