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Sarah Thomas. Jennifer Welter. Gayle Sierens. Se os três nomes não são conhecidos do grande público em geral, você percebe rapidamente que todos eles são femininos. O futebol americano é um esporte predominantemente masculino, é claro, mas isso não quer dizer que as mulheres não possam ter espaço no mesmo. Devem, aliás. Prática e amor pelo esporte independe de gênero.

Nesse Dia Internacional da Mulher, conheça um pouco mais sobre a história dessas três em especial. Cada uma delas foi a precursora de algum segmento relacionado à NFL.

Sarah Thomas é, atualmente, a única mulher a ocupar um cargo de árbitra na liga profissional.

Ela começou sua carreira de árbitra em 1999, trabalhando em jogos do high school. Ali, foi quando ela sofreu a primeira espécie de preconceito por conta de seu gênero, como relatado ao SB Nation em fevereiro de 2017. “Havia um homem falando na frente da sala. Ele parou e começou a olhar pra mim. Eu só consegui parar e dizer ‘é aqui que você se torna um árbitro de futebol americano?’ e ele respondeu ‘eu acho que sim”.

A principal virada em sua carreira aconteceu em 2004, quando Thomas planejava saltar para o nível universitário. Ela foi chamada para adentrar uma equipe que arbitrava jogos dos junior colleges; todavia, o secretário responsável por designar os juízes das partidas deixou claro que jamais contrataria uma mulher.

Sarah pensou em desistir, mas se encontrou com Joe Haynes, scout da NFL, durante um jogo dois anos depois. Ele lhe apresentou a Gerry Austin, antigo árbitro da mesma e que então coordenava as equipes de arbitragem da Conference USA, da primeira divisão do College Football. Austin ficou impressionado com o trabalho de Thomas e a contratou; nos anos seguintes, ela se tornou a primeira mulher a arbitrar um game (2009 Little Caesars Pizza: Marshall 21, Ohio 17) e, dois anos depois, a primeira árbitra da história num jogo da Big Ten (2011: Northwestern 28, Rice 6).



Em 2013, Sarah se transformou em uma das finalistas para o posto de árbitra na NFL. Ela ficou dois anos em preparação e, em 8 de abril de 2015, a liga confirmou que Thomas seria a primeira juíza da história da liga.

Em entrevista ao SB Nation, Thomas declarou que não se sente afetada pela narrativa de ser a primeira pessoa do sexo feminino a arbitrar na liga: “É algo novo e, pensando bem, em 2015 ainda existia uma barreira de gêneros que precisava ser quebrada numa grande organização”. Ela também já declarou à revista Cosmopolitan que nunca se sentiu afetada ou discriminada por seu sexo: “Eu nem mesmo me lembro se já aconteceu porque, sinceramente, se eu não sentisse a energia necessária para estar por ali, então eu nem mesmo teria entrado nisso. Eu estou aqui pelas mesmas razões que todo mundo e, quando você percebe isso, ou você vai me aceitar ou não. Mas eu estou aqui para trabalhar. Assim como vocês. Sobre os homens ou a ocupação em si, tem sido tudo muito profissional. Tenho certeza de que em algum momento existirá alguma espécie de discriminação, mas eu simplesmente não dou atenção”.

Em setembro de 2015, Sarah Thomas ocupou o posto de head linesman no duelo entre Kansas City Chiefs e Houston Texans no NRG Stadium. Assim, ela se tornou oficialmente a primeira árbitra na história da National Football League.

Quando em 2015, aos 37 anos, Jennifer Welter se tornou parte dcomissão técnica do Arizona Cardinals  – no cargo de treinadora de linebackers -, foi mais uma marca incrível na vida de uma mulher que dedicou grande parte da mesma ao futebol americano. Anteriormente, ela havia passado 14 anos atuando como linebacker em ligas femininas e depois se tornou treinadora da posição no Texas Revolution, um time da Champions Indoor Football. Em entrevista à ESPN, o treinador Devin Wyman declarou que, inicialmente, os jogadores da equipe não a levavam muito à sério; no entanto, a excelente capacidade de liderança e treinamento de Welter conquistou o respeito dos mesmos.

A história de vida de Welter, inclusive, é das mais inspiradoras. O salário dela enquanto jogadora nunca ultrapassou os 12 dólares (!!!) por temporada. Em 2008, ela morou em seu próprio carro por quatro meses depois de deixar um relacionamento emocionalmente abusivo – como ela mesmo o descreve. “Esses meses me ensinaram muito. Nada que eu fazia na relação era bom o suficiente. Nada do que eu fazia era certo. Eu finalmente decidi que merecia coisa melhor” declarou, em entrevista ao NY Post. Na mesma entrevista, ela diz que o futebol americano salvou sua vida. “Era o único lugar onde eu podia fazer coisas mágicas. Tudo estava péssimo em casa, mas eu pisava no campo e me sentia mágica. Não haviam limitações: eu podia tacklear qualquer coisa.”

A vida de Jennifer eventualmente se acertou. Ela encontrou um novo apartamento e ganhou duas medalhas de ouro na Copa do Mundo Feminina de Futebol Americano, em 2010 e 2013. No ano seguinte ao segundo título, ela se tornou a primeira mulher da história a jogar futebol americano numa equipe masculina: o mesmo Texas Revolution – Welter foi running back da equipe antes de se tornar técnica, note-se.

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Passada a experiência em Arizona, Welter atua hoje como palestrante motivacional, além de conduzir training camps para meninas e mulheres por todos os Estados Unidos. “Ela é uma grande mulher”, declarou Kevin Minter à época para a Associated Press. “Ela nos ajudou muito, ela é bem específica com os fundamentos da posição. Além disso, ela também nos ajuda a ser uma pessoa melhor, com as notas que deixa em nossos armários, com as palavras de encorajamento. Foi uma ótima experiência tê-la conosco”.

Em 27 de julho de 2015, o Arizona Cardinals contratou Jennifer Welter na condição de uma treinadora assistente de para o training camp e a pré-temporada. Sua experiência com a equipe se encerrou ao fim do penúltimo jogo da preseason: o Cardinals venceu todos os jogos com Welter na

Ela está agora aposentada. 31 anos antes, a história se curvava a Gayle Sierens.

Por 30 anos, ela foi a única mulher da história a narrar um jogo da NFL na televisão (em setembro de 2017, Beth Mowins repetiu o feito no Monday Night Football entre Los Angeles Chargers e Denver Broncos). A experiência foi a primeira e a última.

“Eu não queria estragar tudo” contou Sierens ao TampaBay.com em maio de 2017. Em 27 de dezembro de 1987, Sierens foi a narradora do confronto entre Seattle Seahawks e Kansas City Chiefs na NBC Sports. Mike Weisman, então produtor-executivo da emissora, já observava Sierens nos jornais da Florida há anos. Ele tinha o desejo de contratar uma mulher para “quebrar a barreira”, segundo ele mesmo define. A experiência foi tão boa que Weisman convidou Gayle para narrar mais seis jogos na temporada seguinte. Ela recusou – recentemente casada e com uma filha recém-nascida, Sierens não queria deixar o posto de âncora dos jornais das 18h e 23h na WFLA-TV. Um ponto importante: logo após oferecê-la a chance de repetir a experiência, Weisman foi demitido da NBC.

Sierens é uma das mais renomadas âncoras da história da Florida. Além de ter quebrado a barreira da narração na NFL, ela venceu dois EMMYs: em 1984, por ser a melhor repórter esportiva do estado e em 1991, por ser a melhor repórter do estado. 10 de janeiro de 2007 foi declarado oficialmente o Gayle Sierens Day pela então prefeita de Tampa Pam Iorio: na data, Gayle comemorava o trigésimo aniversário na WFLA-TV, uma marca bastante rara.

Quando Beth Mowins foi anunciada como narradora do Monday Night Football na primeira semana da temporada, Sierens se mostrou bastante feliz falando ao TampaBay.com: “Eu estou tão orgulhosa dela que não consigo me expressar. Ela merece muito mais do que eu, sinceramente. Devia ter acontecido há anos atrás – e eu não sei por que não aconteceu. Mas ela construiu uma carreira incrível no futebol americano universitário, então ela não é uma caloura, de forma alguma.” Em outra entrevista posterior ao NY Daily News, Gayle repetiu os elogios: “Ela vem fazendo isso há 20 anos. Ela é extremamente capaz. Isso não é uma jogada de publicidade, isso não é uma forma de apelar à audiência. Eles estão fazendo isso porque sabem que ela é incrivelmente capaz, e vai ser fabuloso quando ela estiver narrando.”

Gayle Sierens se tornou a primeira mulher da história a narrar um jogo de NFL em 27 de dezembro de 1987, ao narrar o jogo entre Seattle Seahawks e Kansas City Chiefs na NBC Sports. Ela está agora aposentada depois de uma carreira de muito sucesso no jornalismo.

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