Uma senha sera enviada para seu e-mail

Em outubro de 2017, a iminência de uma troca entre as “franquias-irmãs” Cleveland Browns e Cincinnati Bengals causava burburinho entre fãs e analistas de futebol americano.

Às vésperas do fechamento da janela de trocas da NFL, a expectativa era que o quarterback A.J. McCarron, reserva de Andy Dalton, viajasse para o norte de Ohio para se tornar um Brown.

Pois bem, a troca nunca aconteceu.

Há quem diga que foi um erro puro e simples do front office, há quem defenda que o então general manager Sashi Brown sabotou a troca. Por mais que Brown negue ter sabotado a troca, sejamos honestos: ele poupou o Cleveland Browns de perder uma escolha de segunda e terceira rodada por alguém que, no final das contas, tornaria-se free agent irrestrito. Incrivelmente, Hue Jackson, que era quem estava interessado no signal caller, ganhou a queda de braço e permanece em Cleveland. Sashi Brown não teve a mesma sorte.

Toda essa introdução apenas para que pudéssemos contextualizar a free agency de A.J. McCarron: já era esperado, desde então, que ele se tornasse uma commodity procurada por times carentes de signal caller em 2018. Depois que ele venceu o grievance contra o Cincinanti Bengals – um procedimento administrativo no qual McCarron alegava ter sido erroneamente colocado na lista de lesão não-relacionada ao futebol americano (NFI). Os efeitos práticos dessa decisão por parte do Cincinnati Bengals prejudicaria o quarterbackum jogador precisa estar no roster por seis jogos para acumular uma temporada rumo à condição de unrestricted free agent.

Como A.J. McCarron venceu o grievance, ele não era mais um Bengal. E agora ele é um Buffalo Bill. 

Um seguro para 2018 

Como um quebra-cabeça sem ajuda da caixa, os cortes e as contratações durante a offseason acabam por se encaixar. A contratação de A.J. McCarron para o Buffalo Bills, à primeira vista, parece um passo para trás. Depois de trocar Tyrod Taylor para o Cleveland Browns, a expectativa era de que a equipe do noroeste de Nova York buscasse um quarterback no Draft.

Só que a contratação de McCarron não significa, necessariamente, que o Buffalo Bills deixará de procurar o seu franchise quarterback entre os calouros. Significa, apenas, que o time está trazendo um seguro, um jogador com potencial e baixo risco para 2018.

As performances de A.J. McCarron pelo Cincinanti Bengals foram poucas, mas deixaram uma boa impressão. Dos 133 passes tentados, completou 86 deles (64.7%), com seis touchdowns e duas interceptações. O espaço amostral é pequeno, mas a mera ideia de conseguir um bom quarterback é bastante tentadora para diversas equipes. Basta olharmos para a costa oeste: Jimmy Garoppolo é o jogador mais bem pago da NFL, sendo titular em sete partidas desde 2014. McCarron foi titular em apenas três oportunidades neste mesmo período. Não é como se houvesse um oceano de diferença em termos de espaço amostral.

Desviemos nosso olhar de A.J. McCarron e observemos as movimentações recentes do Buffalo Bills. A jogada de mestre se deu na troca do offensive tackle Cordy Glenn para o Cincinnati Bengals. Como moeda de troca o ex-time de McCarron trocou escolhas na primeira rodada do Draft 2018: agora, o Buffalo Bills tem a 12ª escolha geral, enquanto o Cincinnati Bengals fica com a 21ª. Trocam, também, escolhas de sexta e quinta rodada, com Buffalo subindo para a 158ª escolha e os Bengals caindo para a 187ª.

Agora dono da 12ª escolha geral, o Buffalo Bills tem mais “gordura” para queimar numa negociação durante a primeira rodada do Draft – falaremos mais sobre nesta semana. Para muitos, essa é a troca que possibilitará “a troca” durante a primeira rodada do Draft. Por enquanto, nos resta esperar.

Para A.J. McCarron, o novo lar é uma nova oportunidade para mostrar que consegue ser titular na NFL. Com poucas oportunidades como reserva de Andy Dalton, McCarron chega em perfeitas condições de disputar a titularidade. Se considerarmos que a competição é Nathan Peterman e um potencial quarterback calouro, a escolha de quinta rodada de 2014 terá espaço e oportunidade para brigar pela titularidade no training camp. É uma decisão acertada, feita com um timing excelente, após os grandes nomes na posição terem encontrado novas franquias.

A contratação de A.J. McCarron pode parecer esquisita, justamente pela falta de experiência e por não ter conseguido mostrar consistentemente seu potencial. Só que, para o Buffalo Bills, é uma opção de baixo risco e barata. Se o signal caller engrenar, saiu barato. Se não engrenar, as expectativas já estão devidamente administradas. Basta sabermos, agora, se McCarron terá mais um quarterback para disputar posição.

Comentários? Feedback? Me procure no Twitter em @MiceliFF! Siga também nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.