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A troca por Brock Osweiler foi a coisa mais sensacional da história da Free Agency

A troca por Brock Osweiler foi a coisa mais sensacional da história da Free Agency

Não, eu não estou exagerando. Pense num golpe de estado semelhante desde 1994, quando a Free Agency começou. Deion Sanders? Reggie White? Nenhuma contratação se compara ao brilhantismo do regime de Cleveland ao trocar por Brock Osweiler.

O paradigma anterior é tão sensacional que, falando assim, parece que eu estou elogiando o fato dos Browns terem adquirido Osweiler – quando, na realidade, ele veio de brinde mais do que qualquer outra coisa. Num exemplo estúpido, pense que você está com fome a tarde e quer comer um sanduíche não tão grande no McDonalds. Você tem dinheiro para gastar – e quer o sanduíche, mas só isso. O que vier com ele, tanto faz. Aí compra um McLanche Feliz que vem com um brinquedo do Ben 10. Brock Osweiler é esse brinquedo. Os Browns apenas estavam com fome e queriam mais uma escolha entre as primeiras 64 do Draft. Conseguiram. E foi a coisa mais Moneyball possível. Dane-se o Ben 10.

Tendo dinheiro para comprar o McOsweiler

Após não renovar contrato com essa penca de jogadores que citei neste texto – Mitchell Schwartz, Alex Mack, Travis Benjamin e cia – os Browns conseguiram a proeza de ter o maior espaço na história do teto salarial. Em 24 anos, nenhum time teve tanto dinheiro para gastar. 102 milhões de dólares. Isso é mais do que o PIB de Tuvalu, uma pequena ilha no Pacífico.

Após garantir essa grana, a diretoria foi atrás de maneiras de gastá-la. Este é meu ponto principal aqui: a menos que fizessem movimentações estúpidas, não haveria como os Browns gastarem 100 milhões de dólares em uma só free agency

Aproveitando-se dos erros do mercado

O Moneyball tem como princípio básico ver as coisas de forma diferente que os outros acabam por ver. Um time pode seguir o fluxo da oferta/demanda de quarterbacks e pagar muito mais pelo o que ele realmente vale. É a diferença de valor real e valor nominal, digamos. O valor nominal de Osweiler foram 72 milhões após uma temporada mais ou menos em Denver, “bancar” Peyton Manning (machucadíssimo, diga-se) e ser uma das poucas opções disponíveis no mercado. Oferta baixa, demanda alta = preço maior.

No final das contas, o mercado de quarterbacks de free agency costuma ser assim, com valor nominal bem distante do valor real – justamente pela lei da oferta e demanda. Feita essa besteira, o Houston Texans claramente queria se livrar de Brock Osweiler. O problema era como.

Se fosse cortado, eles teriam que pagar 16 milhões para o quarterback e ao todo, o dinheiro morto no teto salarial seria de 25 milhões de dólares para 2017. Ou seja: ficaria bem difícil ir atrás de um Tony Romo da vida, por exemplo, porque o limite de gastos praticamente seria atingido. Com a troca, os Texans economizam 10 milhões em teto salarial. Como não renovaram com o cornerback A.J. Bouye a peso de ouro, Houston terá esse espaço para potencialmente manter Tony Romo no Texas – ou nos Texans, se é que me entende.

Os Browns não tem nada a ver com isso, claro. Viram Houston com o teto salarial na forca, a melhor defesa total de 2016 e uma necessidade desesperada por um quarterback que pudesse levá-los mais longe. Aproveitaram-se dos erros. E fizeram isso porque poderiam arcar com parte do contrato que herdariam de Houston. Quando se tem 102 milhões de dólares para gastar, compensa.

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Na verdade, na prática, os Browns COMPRARAM uma escolha de segunda rodada por cerca de 10 milhões de dólares. Como cortaram Robert Griffin III – e não precisarão arcar com o salário-base dele  – economizam mais um pouco e essa escolha de segunda rodada sai por quase nada. E se conseguirem trocar Osweiler, digamos, por uma escolha de 5ª rodada, os Browns continuarão a multiplicar as escolhas que terão nos dois próximos Drafts. A propósito, nove entre as 65 primeiras do Draft 2017 e 2018.

É munição a rodo. Resta saber o que os Browns vão fazer com esses tiros. Se serão Stormtroopers, errando tudo, ou se serão mais eficientes do que o Rambo com uma metralhadora. Seja como for, os Browns têm poder de fogo nos próximos anos para reerguer uma franquia que não vence um título desde 1964 e que há 17 anos vem sendo piada de todos. Agora talvez seja a hora deles rirem.

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