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A pré-temporada é o reino da esperança. Em agosto, torcedores de todas as equipes compartilham a expectativa (ou mesmo a certeza) de que “este é o nosso ano”.

Aí chega setembro e a realidade começa a cair sobre a esperança como uma bigorna de desenho animado. É claro que muitas equipes, jogadores, técnicos não apenas alcançam como superam as expectativas. No entanto, da mesma forma, sempre temos grandes decepções em toda temporada da NFL. Na retrospectiva da temporada 2016 do Pro Football, hoje trazemos aquelas que, em nossa opinião, foram as maiores decepções em toda a liga. Temos nesta lista jogadores, técnicos e até franquias inteiras. Cada um encontrou um jeito próprio de cair de cara no chão em 2016. Vamos lá, então? Em ordem crescente de decepção:

4- Cam Newton e a ressaca do Super Bowl

Cam Newton, quarterback do Carolina Panthers, parecia um jogador que entrava na temporada 2016 no auge. Apesar da derrota no Super Bowl 50 diante do Denver Broncos, os Panthers contavam com o MVP da NFL em 2015. O domínio do pocket, cada vez maior demonstrado por Newton durante a temporada anterior, somado à sua potência no braço e habilidade atlética faziam do quarterback um dos jogadores sobre os quais havia mais expectativa antes do início da temporada.

No entanto, o que se viu dentro de campo esteve longe do quarterback preciso, dinâmico, quase imparável que vimos em 2015. Desde o início do ano, Newton esteve errático, errando passes aparentemente simples e lidando mal com a pressão (pesadelos com Von Miller, pós-Super Bowl 50?). Mesmo correndo com a bola, Newton foi uma ameaça menor às defesas do que em anos anteriores. O quarterback dos Panthers terminou a temporada com apenas 52,9% de passes completos, alcançando 3509 jardas, além de 19 touchdowns e 14 interceptações. O quarterback foi sacado ainda 36 vezes durante o ano, finalizando a temporada com um rating de apenas 75.

Como sempre em um ataque na NFL, nem tudo é culpa/mérito do quarterback. O ataque dos Panthers como um todo esteve muito mal em 2016. Com o running back Jonathan Stewart sofrendo com contusões durante o ano, além do reconhecidamente fraco corpo de recebedores de Carolina não fazendo muito para mudar sua fama, as coisas ficaram difíceis para Cam Newton. Se, em 2015, Newton compensou a linha ofensiva e os recebedores, no ano passado o quarterback afundou junto ao resto de sua unidade.

Talvez polêmicas como a “não-entrevista” de Cam Newton após o Super Bowl, ou mesmo algum declínio físico relacionado às colisões frequentes em seu estilo de jogo possam ter contribuído para o ano decepcionante do quarterback.

Há ainda quem acredite na “ressaca” do Super Bowl, “fenômeno” observado muitas vezes em equipes que perdem a grande decisão, com temporadas seguintes muito ruins. Independente da causa, observar a recuperação (ou não) de Cam Newton em 2017 já é um dos focos para a próxima temporada da NFL.

3- Chip Kelly: “one and done”

Quando o San Francisco 49ers anunciou a contratação de Chip Kelly, muitos torcedores se animaram com a perspectiva do retorno da equipe ao primeiro escalão da NFL. Mesmo com a passagem (bastante) conturbada pelo Philadelphia Eagles, Kelly ainda mantinha o status de guru ofensivo, gerando a expectativa de, quem sabe, ressuscitar a carreira de pelo menos um dos quarterbacks dos 49ers, Blaine Gabbert ou Colin Kaepernick.

O que se viu não pareceu em nada com uma ressurreição. Aliás, pouco se viu do sistema ofensivo de Kelly. A fraqueza do elenco ofensivo de San Francisco não permitiu observar qualquer ritmo no ataque.

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Blaine Gabbert começou o ano como titular e, não de maneira surpreendente, foi o pior quarterback do ano na NFL (e olha que tivemos fortes concorrentes…). Após alguns jogos, Colin Kaepernick reassumiu a posição de titular. Ainda que tenha sido consideravelmente melhor que Gabbert, o ataque do Niners seguiu cambaleando.

No fim das contas, a equipe terminou a temporada com 2 vitórias e 14 derrotas. Chip Kelly foi demitido após apenas um ano no cargo e, neste momento, tem futuro incerto como técnico, ao menos na NFL. É importante levar em conta o fraco elenco ofensivo dos 49ers, mais por responsabilidade do então general manager Trent Baalke do que de Kelly.

Ainda assim, muito mais era esperado daquele que já foi considerado a “mente ofensiva que vai revolucionar a liga”.

2- Carson Wentz (não gritem comigo)

Peraí. Carson Wentz pode não ter sido espetacular durante a temporada, mas ao menos foi melhor que Jared Goff, escolhido antes dele no Draft 2016. E até fez um bom início de temporada.

Pode ser, mas pra alguém ser uma decepção, é necessário que haja, de fato, alguma expectativa. Desde a pré-temporada, Goff se mostrou muito distante do que se espera de um quarterback titular na NFL. Wentz,  no entanto, gerou grandes esperanças no torcedor dos Eagles, particularmente nas primeiras semanas da temporada regular, quando liderou a equipe a vitórias nos três primeiros jogos.

O desenrolar da temporada, entretanto, acabou por mostrar que o desempenho de Wentz no início do ano foi mais relacionado ao esquema ofensivo dos Eagles que qualquer outra coisa. Passes curtos e rápidos, com leituras únicas e contanto com ganho de jardas após a recepção, anulavam a pressão e facilitavam o trabalho de Wentz. No momento em que as defesas adversárias se adaptaram ao sistema dos Eagles, os problemas de Carson Wentz foram expostos.

Irregularidade na precisão em passes intermediários, dificuldades com progressão de leituras e, principalmente, pouca presença no pocket diante do pass rush de quatro homens (o sem blitz), fizeram da temporada de Wentz uma decepção. Mais do que isso, os traços mostrados pelo quarterback não sugerem exatamente um franchise player. Aliás, o quarterback da NFL dos dias de hoje que mais se assemelha ao que Carson Wentz fez durante a temporada é Blake Bortles. Não exatamente um começo auspicioso…

1- Brock Osweiler, o “totem” de 72 milhões

Quando um jogador, particularmente um quarterback, recebe um contrato milionário na intertemporada, acaba atraindo os olhares e o escrutínio de todos. Muitas vezes é difícil prever como um jogador que teve poucas oportunidades em sua equipe de origem vai se comportar ao se tornar o foco da atenção e cobrança de toda uma torcida.

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Talvez no caso de Brock Osweiler não fosse tão difícil assim de prever. Jogando em Denver, com um elenco de apoio excelente (principalmente na defesa), Osweiler fez o ataque andar, quando teve a oportunidade de substituir Peyton Manning. Apesar disso, já mostrava as características que sugeriam que o investimento do Houston Texans seria um fracasso. Ausência de mobilidade, pouca potência no braço, precisão errática mesmo em passes curtos. Como já dissemos durante a temporada: pra tentar elogiar Osweiler, só dizendo que ele é… alto.

A temporada em Houston foi muito ruim para o quarterback. Com um elenco muito bom, além de uma divisão relativamente fraca, os Texans ainda assim tiveram dificuldades para conquistar o titulo da AFC South. Dá pra dizer que Osweiler foi a âncora do Texans em 2016. O quarterback terminou o ano com 15 touchdowns, 16 interceptações e um rating de apenas 72.

Agora Houston não se encontra “preso” ao contrato milionário de Osweiler (valor total de US$ 72 milhões). O time se livrou disso – mas na bagagem, foi uma escolha de segunda rodada para Cleveland. Genial por parte dos Browns.

Hors Concours: Tchau, San Diego

Um outro tipo de decepção em 2016 aconteceu com o “finado” San Diego Chargers. Na busca por lucros ainda maiores, o proprietário da equipe Dean Spanos tanto fez que conseguiu: levou os Chargers para serem o segundo time de Los Angeles. A equipe agora vai jogar no menor estádio da NFL (30.000 lugares) até que o novo estádio dos Rams esteja pronto (e os Chargers continuem sendo o segundo time). Mais do que isso, pesquisas entre os habitantes de Los Angeles mostraram que a maior parte da população não queria os Chargers.

A gente sabe que a NFL (e as ligas norte-americanas como um todo) funciona assim, mas não dá pra achar algo legal. Desta forma, a saída dos Chargers de San Diego tem que estar entre as decepções de 2016.

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“RODAPE"