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Neste sábado começam os playoffs. Depois de 17 semanas, em dois dias, quatro equipes serão eliminadas definitivamente da briga pelo Super Bowl. Pela primeira vez nos últimos 9 anos, o Tennessee Titans se classificou aos playoffs. Sem dúvida, motivo para comemoração e empolgação, tanto para a torcida quanto para elenco, comissão técnica e direção da equipe.

No entanto, como vamos ver por aqui hoje, a classificação dos Titans veio aos trancos e barrancos: a performance ofensiva da equipe ao longo do ano deixou muito a desejar. Com a insistência do técnico Mike Mularkey em seu sistema ofensivo “exotic smashmouth”, baseado no jogo corrido de força, vemos um ataque “engessado”, com volume muito ruim.

Na expectativa do confronto contra o Kansas City Chiefs, no próximo sábado (às 19:30h de Brasília), vamos analisar o ataque do Tennessee Titans, com foco em seus problemas (que são muitos…).



A ideia por trás do “exotic smashmouth”

Mike Mularkey foi efetivado como técnico principal do Tennessee Titans após o término da temporada 2015, em que treinou a equipe de maneira interina por várias semanas. Naquela intertemporada, Mularkey instalou o seu sistema ofensivo, que buscava retomar o foco no jogo corrido de força, o tal do “exotic smashmouth”.

Em teoria, fazia bastante sentido. Na era do jogo aéreo, em que as defesas se tornam mais leves, ágeis e velozes, o meio do campo fica, de certa forma, desguarnecido. Terreno fértil para as corridas pelo meio. Ao montar uma linha ofensiva forte, e investir em dois running backs compatíveis com as corridas de força (DeMarco Murray e Derrick Henry), os Titans tinham a base para o sistema funcionar. Ao juntar esta base com fakes atrás da linha de scrimmage e um quarterback com release rápido, habilidade de correr com a bola e, até 2016 pelo menos, com boa precisão intermediária, a ideia de Mularkey funcionou bem em seu primeiro ano.

Em teoria, fazia bastante sentido…

Mesmo ficando fora dos playoffs, a equipe teve um dos melhores desempenhos em corridas de toda a liga. Além disso, Marcus Mariota teve uma performance excelente comandando o ataque dos Titans. O jovem quarterback esteve entre os melhores da liga em terceiras descidas e na red zone. Aliás, este desempenho fez imaginar que os Titans seriam um dos times a mais evoluir em 2017. Eu mesmo apostei, não apenas na equipe como campeã da divisão, mas em Mariota como MVP. Realmente… péssima aposta.

A involução em 2017

Como vimos, a temporada 2017 dos Titans prometia, particularmente do quesito ofensivo. Mas, na prática, as coisas aconteceram de maneira bem diferente. Ao chegar à campanha de 9 vitórias e 7 derrotas, e à vaga nos playoffs como wild card, a equipe teve grandes dificuldades em manter um ataque competitivo.

A dificuldade em estabelecer o jogo terrestre de maneira tão eficaz quanto em 2016 contribuiu para estagnar o jogo aéreo. Claro que muito disso vem da temporada muito ruim de Marcus Mariota. O quarterback teve muitos problemas com sua precisão intermediária, que nas temporadas anteriores havia sido um de seus pontos fortes. Diversas interceptações, particularmente em lançamentos para o meio do campo, contribuíram muito para o desempenho aquém do esperado do ataque dos Titans.

As formações fechadas do ataque dos Titans diminuem a eficiência (e o “teto”) de Mariota

Dois fatores podem se relacionar à temporada ruim de Mariota. Primeiramente, os problemas físicos. Contusões musculares certamente prejudicaram a mecânica de passe e a movimentação do quarterback no pocket, diminuindo a acurácia nos lançamentos. Além disso, o fator óbvio (e já bastante batido por aqui) da pouca adequação de Marcus Mariota ao sistema ofensivo de Mike Mularkey. Mariota tem um release rápido e a versatilidade que encaixariam muito bem em um ataque baseado em passes curtos e rápidos, de “ritmo”, e em formações “spread” – tal qual ele foi bem-sucedido em Oregon. As formações fechadas do ataque dos Titans diminuem a eficiência (e o “teto”) de Mariota. Fato é que o quarterback não esteve bem. Mariota terminou a temporada com apenas 13 passes para touchdown, 15 interceptações e um rating de 79.

Com relação ao jogo terrestre, mais problemas. Um deles se refere ao fluxo do ataque. O jogo corrido se beneficia do jogo aéreo, e vice-versa. Com a performance fraca do jogo de passes dos Titans, o jogo corrido também sofreu. Tennessee teve apenas o décimo-quinto melhor ataque terrestre na NFL em 2017. Não exatamente uma potência correndo com a bola. Outro fator é a divisão de trabalho. Ao longo da temporada, DeMarco Murray seguiu como o principal running back da equipe. Claramente, no entanto, o melhor corredor do elenco no momento é Derrick Henry. Com seu estilo de muita força, quebrando tackles e ganhando velocidade ao longo da corrida (quase um aríete), Henry dá mais chances de boas corridas à equipe do que Murray.

Quando observamos o desempenho global do Tennessee Titans na temporada 2017, vemos que quem “segurou a onda” e, no fim das contas, garantiu o lugar da equipe nos playoffs foi a defesa. Embora, em termos de rankings gerais, a defesa esteja como a décima-segunda melhor da liga (não muito diferente do ataque), a unidade terminou o ano como a quarta melhor contra o jogo terrestre, permitindo 88 jardas por jogo. Nesse momento, é aí que está o “smashmouth” nos Titans.

Fazendo funcionar

Acabou a temporada regular e os Titans estão nos playoffs. Então não é agora que a equipe vai mudar seu sistema ofensivo. Para o bem ou para o mal, o destino do ataque dos Titans na temporada 2017 será escrito pelo exotic smashmouth. Ainda assim, talvez seja possível fazer o sistema funcionar um pouco melhor, já na partida deste sábado contra o Kansas City Chiefs.



Vamos lá então.

O primeiro item é, sem dúvida, deixar Marcus Mariota mais confortável. Para isso, vejo como fundamental o uso mais frequente do shotgun, preferencialmente associado a algum tipo de fake de corrida (com ou sem o uso do read option). No shotgun, Mariota pode utilizar melhor seu trabalho de pernas, quem sabe até melhorando a precisão nos lançamentos.

Além disso, aumentar o número de passes rápidos, direcionados para a primeira leitura logo no término do drop do quarterback no pocket também pode ajudar Mariota. Finalmente, corridas do quarterback. No jogo do último domingo, contra o Jacksonville Jaguars, Mariota foi o melhor corredor da equipe. Essa estratégia pode “amolecer” a defesa adversária até para as corridas pelo meio do campo.

Falando nas corridas, Derrick Henry precisa ser o principal running back da equipe. Henry, neste momento, é um jogador muito mais eficiente que DeMarco Murray. Outro ponto são as quebras de ritmo nas corridas. Após chamadas subsequentes de corridas pelo meio, os Titans precisam tentar passes mais longos, para “esticar” a defesa verticalmente. Se não faz isso, a defesa adversária pode manter 8 defensores no box o tempo todo. Para conseguir acertar esses passes mais longos, no entanto, retornamos à questão da confiança e conforto de Marcus Mariota. É, acho que fechamos o ciclo.

Ainda antes do jogo de sábado (é óbvio), teremos uma prévia geral do jogo, com foco maior no que a equipe dos Chiefs precisa fazer para confirmar seu favoritismo diante dos Titans. Fato é que Tennessee pode tornar o jogo ainda mais difícil que o esperado para a equipe adversária, mesmo que seja acrescentando um pouco mais de “exótico” no seu “smashmouth”. Vamos ver de que forma Mike Mularkey pretende organizar seu ataque no “tudo ou nada” deste sábado. Talvez isso determine, inclusive, a continuidade de Mularkey como técnico da equipe.

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