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Todos adoram falar de como o Cleveland Browns, o Indianapolis Colts, o Los Angeles Chargers, o Jacksonville Jaguars são mal administrados pelos seus donos ao longo dos últimos anos. Só que poucas pessoas lembram do Chicago Bears. Possivelmente este esquecimento é impulsionado pelas duas campanhas longas de Playoffs em 2007 e 2011 – que valiam pelas temporadas de 2005 e 2010 – que apagam o antro de incompetência na maioria das decisões – e que os levaram até aqui.

E nesta semana a troca de Mike Glennon por Mitchell Trubisky foi o ponto de exclamação necessário para expor não só as decisões do general manager Ryan Pace ou do técnico principal John Fox. Esta decisão expôs, mais uma vez, como o nepotismo na diretoria da família McCaskey é prejudicial para uma franquia perdida, que demora para tomar decisões fáceis e perde as janelas precisas para voltar a ser importante na NFL. Após a morte da lenda George Halas e sua filha assumir a franquia, é mediocridade atrás de mediocridade.



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Por que jogar fora 20 milhões de dólares?

O contrato de Mike Glennon pode ser resumido em 1 ano e 20,5 milhões de dólares, com 4,5 milhões tendo impacto no salary cap da franquia em 2018. Muitas pessoas argumentam que Brock Osweiler ou Albert Haynesworth receberam os contratos mais inacreditáveis da história da Free Agency, no entanto Glennon possui argumentos necessários para derrubar estes dois.

Tanto Haynesworth quanto Osweiler já tinham mostrado algo na carreira antes de terem recebido quantias exorbitantes. Já Glennon não – nem perto. O Tampa Bay Buccaneers não escolheu Jameis Winston com a primeira escolha geral e o colocou como titular desde o primeiro dia à toa. Era claro que Glennon nunca teve a qualidade para ser um titular na liga.

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E o pior é que ele não é nem um veterano de longa data que pudesse ensinar algo para Trubisky. Os Bears foram para a intertemporada com o plano de escolher um quarterback no Draft de 2017 – se não foram, isso demonstra ainda mais a incapacidade dessa diretoria. Escolher um tapa buraco mais barato faria muito mais sentido do que jogar 20 milhões em um jogador que claramente não seria titular até o fim do ano. O pior: um jogador que claramente não levaria este time a um 8-8 de maneira alguma. Na melhor das hipóteses, os Bears contrataram Glennon com o intuito que ele fosse um escudo para o calendário difícil de 2017 – embora, quando o fizeram, o calendário ainda não tinha sido divulgado (apenas se sabiam os confrontos, não a ordem deles). Sob todas as óticas, faz pouco sentido.

E o pior é que não é como se Chicago tivesse o maior espaço no cap de todas as franquias: eles possuem apenas 13,3 milhões de rollout para 2018. Quer uma comparação? O rival de divisão, Green Bay Packers, possui 12,3 milhões de dólares de rollout – e muitos contratos mais caros em seu elenco. Se o objetivo é perder até não poder mais na temporada, pelo menos poupe dinheiro para o momento em que precisar renovar com seus talentos criados em casa. Se o objetivo é ganhar e ficar na mediocridade, pelo menos não escolham dar um contrato absurdo para Mike Glennon. De todos os lados esta decisão foi simplesmente sem cabimento.



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O projeto que mal deu certo em quatro semanas

Mesmo que tenhamos boa vontade e consideremos que a ideia de Ryan Pace e da diretoria dos Bears era de usar Glennon como escudo para não jogar um quarterback inexperiente na fogueira contra um calendário delicado, o tiro saiu pela culatra em um mês.

A ideia de Chicago em manter Pace e Fox, aparentemente, era continuar competitivo durante o ano de 2017 e torcer que seu técnico e seu novo quarterback se dessem bem, mesmo com o próprio técnico principal não sendo avisado que o calouro seria draftado. Por isso foram atrás de Glennon, por isso mantiveram tudo intacto após implodir durante 2016.

Quatro semanas depois e tudo parece um desastre – novamente. Adam Shaheen, a escolha de segunda rodada neste ano, parece perdido em campo (por que ir atrás de um tight end com tantos jogadores de secundária disponíveis? É o maior mistério da humanidade), Fox não consegue ter um padrão defensivo, Dowell Loggains (o coordenador ofensivo) pouco mostrou e o time já se encontra no buraco.

Certamente quem toma as decisões em Chicago (no caso a família McCaskey) comete erros atrás de erros em contratos, demissões (não dá para esquecer que demitiram Lovie Smith após uma campanha 10-6, sendo que ele era o técnico mais mal pago de toda a liga) e contratações. Demoram para apertar o gatilho, fazem uma bola de neve de decisões estúpidas e continuam insistindo para não ficarem feios na foto.

E o que será de Mitch Trubisky?

Pelo menos uma decisão acertada. Trubisky talvez não devesse ser a segunda escolha geral e chegou por caminhos tortos até a franquia, porém ele mostrou na intertemporada que possui muito potencial – mas precisa ser desenvolvido. Um bom exemplo disso: no Gruden’s QB Camp (programa de “entrevistas” com os futuros quarterbacks calouros, apresentado pelo ex-técnico Jon Gruden), Trubisky não sabia o que era uma hard count – algo que assustou a todos. Meses depois, na última partida da pré-temporada contra os Browns, lá estava ele fazendo hard count e forçando offside da defesa.

Pode ser que esta comissão técnica regente (pouca experiência ofensiva, técnico principal com mente defensiva) possa atrasar o seu desenvolvimento como jogador (não a nível Jared Goff, mas mesmo assim, é esperado que ocorra), no entanto o melhor era colocá-lo em campo e tentar ver o que o seu futuro pode produzir. Trubisky tem um footwork bem desenvolvido, postura no pocket e uma mecânica acima da média dos quarterbacks que entram na liga – era o piso mais alto entre os quarterbacks desta classe, vale lembrar. Ainda precisa evoluir em suas leituras e, principalmente, se acostumar com a velocidade do esporte no nível profissional.

Com relação ao elenco de apoio, ele está em uma situação bem melhor do que Goff no ano passado – por exemplo. O miolo da linha ofensiva de Chicago é acima da média, Cohen e Jordan Howard dão o suporte necessário do jogo terrestre. Os alvos disponíveis não são dos melhores – muito devido a contusões – porém ele não encontrará terra arrasada pela frente. O calouro vai sobreviver em 2017 e, certamente, deve apresentar algo melhor do que o seu antecessor.


“RODAPE"

E o futuro?

É difícil enxergar uma situação em que os Bears tenham sucesso e mantenham o comando técnico de agora. Já está mais do que demonstrado que quarterbacks calouros (principalmente agora) precisam de um apoio técnico ofensivo, que seja voltado para os seus respectivos desenvolvimentos. Mentes defensivas, neste momento da carreira, devem atrapalhar ainda mais o desenvolvimento destes jogadores que saem tão crus do nível universitário.

Por causa disso, eu não vejo como esta franquia pode ter sucesso com John Fox no comando. A melhor decisão seria ter recomeçado do zero no início do ano, mas em Chicago as coisas sempre acontecem de maneira mais lenta. Como não é possível voltar no tempo, os McCaskey precisam reformar o setor de quem toma as decisões, inclusive afastando a família do campo e deixando quem entende do assunto cuidar do futebol.

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Já Ryan Pace é um caso mais complexo. Mesmo Kevin White dando errado, seu problema foi muito mais com a parte física do que com ele não ter o talento necessário. Pace teve bons resultados achando Jordan Howard, escolhendo Leonard Floyd na primeira rodada do ano passado e, finalmente, se livrando de Jay Cutler pelo resto da vida – alguém tinha que fazer isso. Pace errou feio em dar tanto dinheiro para Glennon usando uma lógica bizarra (usasse essa grana para contratar A.J. Bouye, por exemplo, e mantivesse Mark Sanchez e Connor Shaw; pior do que Glennon não seria), mas no geral acertou mais do que errou até aqui.

Mesmo com tanta bagunça e interferência, os Bears têm a chance de começar a pensar no futuro com essa decisão de mandar Mike Glennon para o banco. Só parem de achar que podem competir por algo e remontem este time (e este ataque) direito. Se a política de ficar buscando remendos não for excluída, esta pequena decisão acertada será em vão.

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“RODAPE"