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Uma troca foi pouco: as equipes da NFL aproveitaram que agora só precisam fazer um corte de jogadores antes da temporada e usaram esses jogadores extras como munição para trocas.

Entre elas, Bill Belichick se mexendo. É nítido como o treinador e general manager do New England Patriots busca executar movimentos da mesma maneira que os melhores profissionais do xadrez: um passo a frente dos demais. Ao mesmo tempo, Belichick busca procurar “deficiências” do mercado – seja com um jogador mal aproveitado ou desvalorizado pelas demais equipes e que “florece” em New England (Wes Welker, por exemplo) ou indo atrás de nomes menos badalados, como Mike Gillislee.

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O homem acerta sempre? Não, claro que não. Trocar Deion Branch antes da temporada 2006, por exemplo, foi “fatal” na continuidade do corpo de recebedores dos Patriots. Apenas em 2007 com a chegada de Randy Moss a coisa estabilizou – mas a falta de talento fez a diferença contra Peyton Manning e o Indianapolis Colts na final da Conferência Americana. Da mesma forma, Belichick apostou em Kony Ealy neste ano ao trocar uma escolha de segunda rodada pelo defensive end e uma escolha de terceira rodada do Carolina Panthers. Ealy foi cortado no último dia 26.

De toda forma, Bill Belichick tenta se mexer por meio de trocas pontuais para mandar embora o excedente e recuperar o que falta em seu time. Com Ealy foi assim, por exemplo (mesmo não dando certo). Na mesma esteira, o New England Patriots foi atrás de Phillip Dorsett, wide receiver então com o Indianapolis Colts. A troca foi aquela clássica “jogador por jogador”. Pode parecer que os dois times se deram bem – mas New England, a princípio, parece ter se saído melhor.

Quem vê os números de Dorsett – e apenas isso – pode pensar que é “apenas mais uma adição” no elenco patriota. Não é bem assim. Por um lado, é bem verdade que ele não fez nem um pouco de jus ao fato de ter sido escolhido no final da primeira rodada em 2015. Por outro, vale lembrar que não são apenas os números que contam. Nesse sentido, vou dar um exemplo interessante: Darrelle Revis nunca foi tão conhecido por acumular interceptações e mais interceptações. Seus números, portanto, não eram maravilhosos. Seu impacto em campo, sim – ele tinha poucas interceptações, no auge, justamente porque os quarterbacks evitavam aquele lado do campo.



Não estou dizendo que Dorsett é um jogador acima da média tanto quanto Revis, mas sua função nos Patriots e o valor na troca vão além das estatísticas – que, deixando claro, não são boas. Phillip correu o tiro de 40 jardas no Combine em 4,33 segundos (o que é uma ótima marca) e é conhecido pelas rotas longas. Claro, ele tem problema de drops – foi o que mais sofreu com isso no elenco de recebedores dos Colts se contarmos os dois últimos anos. Mas foram 25 alvos para mais de 20 jardas nessas duas últimas temporadas. No mesmo período, entre os wide receivers dos Patriots, apenas Julian Edelman teve mais (26).

Quanto mais coisas você der para uma defesa pensar, melhor.

Mais contexto que explica a troca: Edelman, com ligamento anterior cruzado no joelho, está fora da temporada. Não estou dizendo que Dorsett chega para substituir o minitron. Mas a questão é que Brandin Cooks veio, principalmente, para fazer as rotas longas – e agora terá mais funções com a ausência de Edelman. Seria interessante trazer outro cara para as defesas pensarem nesses tiros de 20 jardas além do recém-chegado Brandin, não? Foi, também, o que Belichick pensou. Lembro sempre um dos axiomas táticos no lado ofensivo da bola: quanto mais coisas você der para uma defesa pensar, melhor.

Ainda, vale lembrar que Cyrus Jones, retornador dos Patriots, também está fora com lesão no joelho. Não dá para saber se Belichick pretende usar Dorsett como retornador – até porque foram apenas três retornos por ele nos últimos dois anos – mas é uma possibilidade. E, além da lesão de Edelman, Malcolm Mitchell preocupa e não treinou em todas as oportunidades possíveis.

Indianapolis precisa chegar na Semana 4 com campanha positiva se quiser almejar algo neste ano

Do outro lado da troca, o Indianapolis Colts precisava de algo melhor que Scott Tolzien. Não estou dizendo que os Colts saíram assaltados dessa troca – o valor é menor, mas é questão de contexto também. Indianapolis precisa chegar na semana 4 com campanha positiva se quiser almejar algo neste ano. O calendário até lá é super tranquilo, tem partidas contra os Rams (Semana 1) e Browns (Semana 3). No meio, um jogo na volta de Bruce Arians a Indianapolis, contra os Cardinals. Semana 4? Colts at Seahawks. Não dá para chegar em Seattle com campanha negativa de 1-2 e querer sair de lá com 2-2, ainda mais com o talento que esse time dos Colts têm. Considerando a incerteza que ronda o estado de saúde de Andrew Luck, os Colts não tinham o que fazer senão tentar um upgrade na posição para a pior das hipóteses. Jacoby Brissett não jogou bem contra os Bills – mas foi competente contra os Texans no ano passado. Ao menos seu teto de produção é maior do que o de Tolzien (e provavelmente de todos os quarterbacks reservas que Andrew Luck teve nos últimos anos).

Claro: o valor de um recebedor #3 (como Dorsett foi em Indianapolis, considerando o número de alvos) é maior do que o de um terceiro quarterback do outro elenco. New England sai um pouco melhor da troca, em tese. Mas os Colts conseguem uma apólice pequenina de seguro para o pior cenário com a alma do time, Andrew Luck. Se vai dar certo para os dois? Só saberemos daqui algumas semanas.

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“RODAPE"