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2014 acostumou muito mal os fãs. Será muito difícil repetir aquela classe de wide receivers que contou com Mike Evans, Odell Beckham Jr., Sammy Watkins (que as lesões parem), Brandin Cooks, Kelvin Benjamin (início muito bem, mas falta dar o pulo para elite), Allen Robinson, Jarvis Landry e outros. Era absurda a profundidade da posição e se sabia que seria difícil repetir tal repertório nos anos seguintes.

E isso vem se confirmando. A classe deste ano não é tão recheada quanto em 2014, no entanto possui bons nomes e certa profundidade – nada comparável aos cornerbacks, que fique claro. O terceiro nível da classe conta com uns seis ou sete nomes que podem contribuir de imediato, seja como jogadores situacionais ou como titulares.

Os grandes destaques desta classe são John Ross, Corey Davis e Mike Williams. Em seu melhor, Ross teria potencial para sair dentro do top 10, um prospecto melhor do que Tavon Austin foi. O grande problema são as lesões – e durabilidade é essencial na NFL. Já Davis e Williams possuem estilos diferentes e vão encantar algumas equipes que precisam de um wide receiver #1. Sem mais delongas, acompanhe um pouco sobre o que achamos dos cinco melhores da classe.

5 – Chris Godwin, Penn State

Enquanto os quatro primeiros estão bem definidos, o quinto da classe é uma mistura de nomes. Chad Hensen, Chris Godwin, Cooper Kupp, JuJu Smith-Schuster e até Taywan Taylor – pode incluir Curtis Samuel se você o considerar um wide receiver. Todos possuem bons argumentos para serem o quinto elemento da classe – e vai depender muito do sistema em que forem inseridos. Olhando de uma maneira mais abrangente (ou seja, tentando diminuir ao máximo o impacto do sistema), Chris Godwin é o meu preferido.

Por ser jogador de Penn State, acompanhei Godwin a carreira universitária inteira. Ele nunca pareceu que jogava na mesma velocidade que demonstrou no Combine – fez o tiro de 40 jardas em 4,42 segundos, enquanto esperava que o tempo fosse perto de 4,6 segundos. Esta velocidade demonstrada impulsionou o seu draft stock.

Godwin apareceu para a maioria das pessoas apenas no Rose Bowl contra USC. Ele teve o jogo da vida com 187 jardas e dois touchdowns em nove recepções. Além disso, ele claramente era o motor daquele ataque e o principal motivo que Penn State conseguiu se manter vivo até o último segundo. Foi ali que ele mostrou a sua maior qualidade: disputar a bola com cornerbacks (ironicamente a última interceptação, que colocou USC para vencer o jogo, foi em um lançamento para Godwin) e ser um recebedor natural.

O que fala contra Godwin é sua falta de produção em Penn State: foram apenas 154 recepções e 2421 jardas em três anos – uma respeitável média de 15,7 jardas por recepção. Mesmo com esta falta de velocidade aparente e a falta de produção, Godwin é claramente um talento de segunda rodada.

4. Zay Jones, East Carolina University

Indo para o Senior Bowl, muita gente acreditava que Cooper Kupp se consolidaria como o quarto melhor wide receiver da classe, se firmando na segunda rodada e tentando alcançar o final da primeira. Só que Kupp é extremamente lento e, entre um lance e outro, Zay Jones acabou se destacando imensamente – e vendo o seu stock decolar.

Jones jogou em East Carolina e em 2016 teve números absurdos: 158 recepções, 1746 jardas aéreas e 10 touchdowns. Por jogar em uma universidade que amava tanto o passe e era um exemplo de Spread Offense, todo mundo achou que Jones era apenas um produto do sistema. Só que o Senior Bowl veio e o wide receiver foi muito bem, mostrando ser o mais natural recebendo passes da classe e com capacidade de jogar tanto em profundidade quanto em passes curtos. Foi incrível o quão bom ele é como corredor de rotas, mesmo vindo de um lugar que não exigia muita variedade por partida.

No Combine Jones confirmou tudo isso, porém um problema surgiu: mãos pequenas. E wide receivers com mãos pequenas não é a combinação ideal. Juntando a preocupação com o tamanho das mãos ao fato de seus números serem inflados – será que o desempenho no Senior Bowl não foi uma miragem? -, Jones vai acabar saindo na primeira metade da segunda rodada. Embora tenha um chão baixo, Jones aparenta ser o wide receiver com o teto mais alto da classe.

3 – Mike Williams, Clemson

A característica que mais chama atenção em Mike Williams é seu estilo Dez Bryant: ele é extremamente competente em ganhar aquelas bolas meio divididas com os cornerbacks. Muito mais natural recebendo bolas do que Davis, ele é menos atlético e com uma velocidade final (aparentemente) menor ainda. Não chega perto a ser tão lento quanto Laquon Treadwell, no entanto você não o confundirá com Julio Jones.

Como já deu para ver existe inúmeros argumentos para defender quem é o melhor da classe – e todos os argumentos são totalmente válidos. No caso de Williams, ele é o terceiro jogador por não aparentar ser atlético o suficiente para esticar o campo – algo que Corey Davis é capaz e John Ross é especialista. Sistemas mais West Coast Offense vão adorar o seu estilo, a sua capacidade de ganhar recepções duvidosas e não vão se preocupar tanto com a sua velocidade final.

É um cara que já mostrou que aparece em horas difíceis e, certamente, enfrentou competição de alto nível na universidade. Entre os três de cima, é o cara que mais pode contribuir desde o primeiro dia. Times como Baltimore e Tennessee devem salivar com a hipótese de poderem escolher Williams.

2 – John Ross, Washington

Ross me lembra muito um Brandin Cooks mais veloz saindo da universidade. Os 4,22 segundos no Combine se traduzem muito bem em campo, com sua capacidade de queimar cornerbacks em profundidade.

Só que ele não é um simples jogador de velocidade. Ross é muito mais do que isso. Ele tem uma capacidade acima da média em achar a bola, ou seja, localizar ela e ajustar a sua rota. Também não tem mãos de pedra que nem Ted Ginn Jr. saindo da universidade. Realmente concentrado na arte de correr rotas, ele é um wide receiver completo e que pode trabalhar tanto a intermediária quanto o fundo do campo. Um talento digno de top 10 se não fosse o histórico.

São dois históricos que atrapalham muito Ross: suas lesões e o desempenho de jogadores do estilo dele na NFL. Recentemente tivemos dois wide receivers baixos sendo draftados na primeira rodada: Tavon Austin e o próprio Cooks. Enquanto o segundo foi bem até aqui (mas nada ao nível All-Pro), o segundo ainda está deixando a desejar. Transladar o estilo veloz, baixo e durão para a NFL não é nada fácil, visto que a velocidade e o jeito físico mudam completamente. Some isso ao fato das lesões de Ross: cirurgia no menisco do joelho direito, ligamento colateral do joelho esquerdo e ombro direito. O medo de qualquer franquia é estar contratando um jogador para reforçar o departamento médico, ainda mais com o seu porte físico.

Apesar de talentoso, eu teria muito receio em escolhê-lo na primeira parte da primeira rodada. Suas lesões deixam qualquer um assustado. Infelizmente é um grande prospecto que, se fosse saudável durante a carreira inteira, poderia ser visto com melhores olhos do que Tavon Austin quando saiu para o Draft.

1 – Corey Davis, Western Michigan

Ano passado um outro jogador de uma escolha menor (Carson Wentz) levantou dúvidas sobre a qualidade da competição que enfrentou durante toda a carreira. Neste ano alguns ainda duvidam de Corey Davis, o cara que quebrou o recorde da conferência MAC em jardas recebidas na carreira. A MAC já viu bons (e outros muito bons) wide receivers em campo: Antonio Brown, Julian Edelman, Randy Moss, Greg Jennings, Brandon Marshall, Andrew Hawkins e Lance Moore. Não há dúvidas que Davis pode jogar na NFL e contribuir desde o primeiro dia.

Para muitos (inclusive este que vos escreve) Davis é o melhor prospecto na posição neste Draft. Ele só não sai mais alto porque lhe falta uma grande velocidade final e, principalmente, por não ter as mãos mais naturais para receber passes – ou seja, vai cometer drops de tempos em tempos. Ultra produtivo e competitivo, ele causará problemas para os cornerbacks mais baixos (altura né) e para os mais altos também (muito físico e excelente correndo rotas). Tenho ainda algumas dúvidas sobre a sua capacidade de se situar na partida, principalmente em que lugar o campo termina e em que lugar os pés dele têm que cair.

Ele é um cara com estatura para ser um perigo na red zone e muito mais do que um cara confiável para primeiras descidas – pode brilhar em rotas intermediárias ao longo da carreira. Ficaria surpreso se ele não saísse dentro do top 15 amanhã.