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Há quem goste de construir equipes selecionando jovens prospectos, saídos do college e prontos para encarar a transição para o futebol americano profissional. Há, também, quem prefira administrar de maneira cirúrgica o teto salarial e trazer os principais reforços por meio da free agency – e há, claro, quem alterne as duas filosofias de acordo com aquilo que acredita ser o melhor para a equipe.

Todas são estratégias para lá de viáveis dentro da NFL. Só que há um aspecto da construção de uma equipe que não pode ser, digamos assim, mal gerido. Se você erra consistentemente nos drafts, eventualmente a conta chega na mesa do general manager. Em 2017, vemos o Indianapolis Colts, New York Giants, Denver Broncos lutando com os fantasmas de drafts passados.

Brilhante na free agency, errante nos picks ofensivos

Com a defesa que o Denver Broncos conta, era para os campeões do Super Bowl 50 estarem sempre disputando fortes a pós-temporada. Só que de nada adianta você ter os dotes de Von Miller e companhia se não houver qualquer faísca ofensiva. É a tônica da temporada do time do Colorado – uma defesa excelente, que fica em campo mais tempo do que deveria pelaépcia ofensiva. Naturalmente, o resultado é catastrófico; ninguém aguenta ficar defendendo com intensidade e agressividade quando seu ataque faz três jogadas e punt.

Desde que assumiu completamente as operações de futebol do Denver Broncos em 2012, após a saída de Brian Xanders, John Elway impulsionou seu time para o sucesso: trouxe Peyton Manning para comandar o navio e investiu forte na classe defensiva daquele ano. Malik Jackson, Derek Wolfe e Danny Trevathan, peças cruciais no front seven do time, foram todos selecionados em 2012.

Se você erra consistentemente nos drafts, eventualmente a conta chega na mesa do general manager

Ofensivamente, um prospecto para aprender sob Manning: Brock Osweiler, uma rodada antes de Russell Wilson e duas antes de Kirk Cousins. É o primeiro equívoco de uma série que Elway fez na seleção dos nomes ofensivos.

Em 2013, uma classe no Colorado tida como um navio naufragado, as seleções ofensivas foram o running back Montee Ball, o wide Tavarres King, o offensive Vinston Painter e o quarterback Zac Dysert. O destaque da classe, Montee Ball, teve em dois anos de Denver Broncos, 731 jardas, e uma melancólica passagem em 2015 pelo practice squad do New England Patriots.

No ano seguinte, um promissor wide na segunda rodada: Cody Latimer. As outras escolhas ofensivas foram peças importantes para a linha ofensiva – Matt Paradis e Michael Schofield. Latimer, todavia, falhou em ter um impacto na equipe. Em quatro temporadas, são 30 recepções para 348 jardas e dois touchdowns. Mesmo com as alternadas lesões de Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas, Latimer falhou em ter um impacto significativo no projeto ofensivo do Denver Broncos.

Para não tornar esse texto em algo desnecessariamente longo, os anos seguintes foram na mesma linha. A escolha de Ty Sambrailo na segunda rodada de 2015, provavelmente o pior offensive que vi em atividade desde que comecei a acompanhar a NFL; a esperança de que o tight end Jeff Heuerman tivesse alguma relevância; Paxton Lynch com um pick de primeira rodada em 2016, seguido de Devontae Booker. Pouparei as escolhas de 2017, que ainda são jovens e precisam de espaço para se desenvolver.



Em que pese os acertos da linha ofensiva em Connor McGovern, Matt Paradis e Garett Bolles, vemos que há um acúmulo de erros; jogadores que eram para ter algum impacto no time acabam por simplesmente desaparecer no pano de fundo ofensivo da equipe. Demaryius Thomas, último hit ofensivo do Denver Broncos no Draft é de 2010, antes dos anos de Elway.

Por óbvio, a capacidade de John Elway em conseguir suprir as necessidades da equipe por meio da free agency é admirável. Só que o projeto ofensivo da equipe está prejudicado depois de anos de muitos equívocos – a começar pelo caos na posição de quarterback. Não é que esperemos que toda escolha de sexta rodada vire um Antonio Brown, mas é importante que escolhas de primeira e segunda rodada possam contribuir. No caso de Elway, as escolhas ofensivas de primeira rodada entre 2012 e 2016 são Brock Osweiler, Montee Ball, Cody Latimer, Ty Sambrailo e Paxton Lynch. Precisa falar mais?

Primeiro mandado embora no meio da temporada 2017, Jerry Reese deu seguidos “All-Ins” no Draft e negligenciou a linha ofensiva

Ryan Grigson e Jerry Reese não souberam proteger seus bens mais valiosos

Falemos agora de dois general managers com menos crédito na praça, por assim dizer – não venceram um Super Bowl, né? Ambos, aliás, já foram demitidos por suas franquias.

Ryan Grigson é quase folclórico por ter prejudicado o futuro e o presente do Indianapolis Colts – e Andrew Luck, por tabela. Nos seus quatro drafts, podemos colocar que Grigson foi salvo pelo brilhantismo do camisa 12, que fez times medíocres parecerem competentes.

Deve doer bastante para o torcedor do Indianapolis Colts ver que Björn Werner foi selecionado em 2013 uma escolha antes de Xavier Rhodes, seis antes de Alec Ogletree e sete antes de Travis Frederick, center do Dallas Cowboys. Da mesma forma, a escolha de primeira rodada do Indianapolis Colts foi…

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…para o Cleveland Browns, por ninguém menos que Trent Richardson. Não é um erro de escolha propriamente dito, mas um sacrifício de uma escolha de primeira rodada por Richardson deve sempre ser lembrado. Em 2015, outra da série de Grigson: um wide na primeira rodada, Philip Dorsett, para uma equipe que já tinha no seu elenco T.Y. Hilton e Donte Moncrief. Seis escolhas depois, Landon Collins saiu do board para Nova York. Vocês imaginam uma dupla Malik Hooker e Landon Collins?

As decisões equivocadas de Grigson colocaram Andrew Luck cercado de uma equipe defensivamente sem talento e com peças frágeis na linha ofensiva

As decisões equivocadas colocaram Andrew Luck cercado de uma equipe defensivamente sem talento e com peças frágeis na linha ofensiva. Sem conseguir segurar o ímpeto de outras equipes, o Indianapolis Colts – e Luck – se tornaram uma casca da equipe que poderiam ser.

Da mesma forma, Jerry Reese falhou em preparar o New York Giants para os anos finais da carreira de Eli Manning. Não à toa, entrou na barca junto com Ben McAdoo após o caos envolvendo o camisa 10. Não preciso ir muito longe para lembrar que Ereck Flowers foi uma escolha Top 10 no draft de 2015, uma escolha só antes de Todd Gurley.

Sem conseguir encontrar peças de linha ofensiva consistentes nos drafts, sem conseguir desafogar Eli Manning com um running back consistente, o time desmoronou após 10 anos de Jerry Reese no comando da equipe. Os acertos defensivos na free agency se pagaram (e muito) em 2016, só que faltou combinar com o talento vindo do draft.



“colts"

A conta chega

Nenhum general manager acerta em todas as escolhas. Ninguém espera isso. A questão é que o draft ainda é a forma mais inteligente de trazer sangue novo e potencial para sua equipe. Se suas escolhas iniciais sequer conseguem contribuir, dificilmente seu time conseguirá se renovar, encontrar sua filosofia ofensiva e se tornar um contender perene.

Basta um ano com suas escolhas contribuindo que você ganha tempo para construir ao redor deles. Basta ver o Oakland Raiders em 2014; as escolhas de Khalil Mack e Derek Carr foram a fundação do elenco dos dois lados da bola. Em 2017, a classe do New Orleans Saints elevou a equipe a um nível que buscavam desenfreadamente desde 2009 – e pode ter Alvin Kamara e Marshon Lattimore, respectivamente, como vencedores do prêmio de calouro ofensivo e defensivo neste ano.

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2018 é um ano de provação para John Elway, no final das contas. Ele pode até resolver a questão de quarterback com os free agents disponíveis, só que a base, a fundação ofensiva virá em abril, no Texas, via Draft. Não dá mais para errar no ataque.

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“RODAPE"