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1st and 10: Run Saquon, Run!

Mais do que claro que o New York Giants, por meio da figura de seu novo general manager, David Gettleman, ainda acredita em Eli Manning. Fosse o contrário, a equipe teria endereçado a posição de quarterback com a escolha número 2 do Draft. Claro: duas exceções a isso seriam “os Giants só pegariam um QB na 2 se fosse Baker Mayfield” e/ou “os Giants estão acreditando em Davis Webb ou estavam apaixonados em Kyle Lauletta”. Não acredito em nenhuma dessas hipóteses.

A fé em Eli Manning é exercida por meio da lógica da free agency e do Draft dos Giants. A equipe pagou rios de dinheiro no melhor offensive tackle da classe de veteranos, Nate Solder. No Draft, endereçou a linha ofensiva com Will Hernandez no início da segunda rodada – e, na primeira, uma ajuda indireta para Eli.

Há muito escrevo e falo que boa parte das interceptações de Eli são fruto da incompetência do jogo terrestre de Nova York. Isso não o exime de culpa, que fique claro. Mas com jogo terrestre lixo, os adversários podem se dar ao luxo de jogar com dois safeties no fundo do campo. A linha ofensiva era fraca, Eli se livrava da bola de qualquer jeito e tinha esses dois safeties olhando para Manning – a interceptação vinha e vinha com força.

Draftar Saquon Barkley ajuda isso, em tese. Nesta última sexta, começaram os minicamps de calouros dos Giants e pudemos ver Barkley em campo com o uniforme do Big Blue pela primeira vez. Saquon é o primeiro running back draftado no top 2 do Draft desde Reggie Bush em 2006 (pelos Saints). E pretende continuar uma boa sequência dos backs draftados no top 10 do recrutamento. Foram cinco nos últimos cinco anos. Todos produziram relativamente bem e entregaram o que se esperava deles.

Em 2017, Leonard Fournette teve mais de 1000 jardas terrestres – primeiro calouro dos Jaguars a ter essa marca desde Fred Taylor em 1998. Ainda no ano passado, Christian McCaffrey teve 80 recepções e cinco touchdowns recebidos – e sua ameaça no jogo aéreo era o esperado. Em 2016, Ezekiel Elliott foi o eixo motor do ataque do Dallas Cowboys e ajudou Dak Prescott a ser um dos mais eficientes quarterbacks da NFL: foram 1631 jardas terrestres, a terceira maior por um calouro na história da liga. Finalmente, em 2015, Todd Gurley foi o calouro ofensivo do ano e teve 1106 jardas terrestres, terceira marca da liga naquela temporada.

Tudo isso (e mais) é esperado pelos fãs dos Giants. Passado o furacão McAdoo, a expectativa é que as coisas se alinhem como em 2016 – ainda mais com Odell saudável. Honestamente, não vejo tanta gasolina no tanque para Eli. Posso estar errado, mas a escolha de Saquon pode ser uma compra no cartão de crédito: os Giants até podem ir para os playoffs. Só que a sucessão da posição mais importante do jogo – a do quarterback – pode ter sido comprometida ao passar por uma classe rica e talentosa (com New York sem hipotecar escolhas para estar na #2).

Foi um dos prospectos mais divertidos de fazer o scout report – infelizmente não tive a oportunidade de comentar nenhum jogo dele no College. Vejamos cenas dos próximos capítulos. Gosto muito de Saquon e quero que ele brilhe como fez em Penn State. Resta saber: será o suficiente para levar os Giants ao Super Bowl novamente ao final da carreira de Eli Manning?

2nd and 7: Não faça seu Draft de Fantasy agora, por favor.

Recebi o email da NFL.com avisando que “minhas ligas de Fantasy” já estavam abertas novamente. É um esforço, uma isca, que a liga joga em maio para seus fãs: é necessário gerar conteúdo quando não há absolutamente nada sobre o assunto nesta época do ano. O Draft já passou, a free agency idem. Uma mudança de regra ou outra deve vir neste mês (se vier) – mas, fato é, é uma coletânea de vários “nada”.

Peço, encarecidamente, para que você não faça o Draft da sua liga de Fantasy neste mês. Nem no próximo. Quanto mais pareadas estiverem as chances dos participantes, melhor. O futebol americano é um esporte de contato e lesões acontecem em treinos – Dante Fowler Jr se machucou no minicamp de calouro logo após o Draft – ou em amistosos inúteis de pré-temporada – Julian Edelman no ano passado.

Se alguém fizer o Draft do Fantasy agora e escolher no topo do Draft alguém que se machuca antes mesmo da temporada começar… Simplesmente não é justo. O dono de time do Fantasy já sai atrás de todos os outros e ele simplesmente não tem culpa disso. Então, encarecidamente, peço isso para vocês: segurem a emoção. Eu sei que vocês estão com saudade da NFL – eu também estou . Mas fazer Draft agora é só jogar os dados na mesa.

Quanto mais sorte envolvida, menor a habilidade determina o campeão de uma liga, certo? Então me parece lógico esperar a regra de ouro para o fantasy football e quando fazer o Draft: espere até a terceira semana da pré-temporada. Nela, os jogadores titulares ficam mais tempo em campo, as lesões já aconteceram (em sua maioria) e dá para ter ideia quem será titular na Semana 1 da temporada.

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A paciência é uma árvore amarga de frutos doces. Espere até agosto. Please.

3rd and 4: O que a decisão da Suprema Corte americana sobre apostas significa

O federalismo, nos Estados Unidos, não é esse gigantesco faz de conta que existe no Brasil. Lá, os Estados têm competência de legislar de acordo com o contexto de cada local. Exemplo: o “código penal” de cada Estado prevê penas diferentes – alguns têm pena de morte, outros não. Aqui, o Código Penal é federal e vale em todo o território.

Embasado nesse conceito, a Suprema Corte dos Estados Unidos liberou a cada Estado a competência de criar “bookies” – o lugar onde você aposta em esportes. Já acontecia essa liberdade para loterias, mas agora a coisa é diferente porque mexe com uma das maiores paixões das pessoas: o esporte.

Nos Estados Unidos, exceção a alguns lugares pontuais – Las Vegas, Reno, Atlantic City e etc – você tinha que atuar nas sombras para fazer e receber apostas esportivas. Ou, então, tentar um site que tenha sede fora do país – e usar uma carteira virtual para sacar/depositar. Uma burocracia que, obviamente, dá muito trabalho e afastava as pessoas do conceito.

Com os Estados tendo essa nova competência, ficou tudo mais fácil. O ProFootball Talk reporta que, na Semana 1 da NFL, de seis a 10 Estados devem ter uma casa de apostas esportivas. Não há nenhuma certeza de que todos os 50 entrarão na jogada – fato é que muitos devem esperar o resultado em alguns para fazer algo na sequência.

De toda forma, uma coisa é certa: tal como o fantasy football aumentou o interesse das pessoas para a NFL, os “portões” abertos para apostas esportivas também aumentarão o interesse.

A NFL, porém, não gosta nada disso. A liga já anunciou que fará lobby no Congresso americano para que haja marcos regulatórios sobre o assunto. “A NFL entrará em contato com o Congresso para que uma legislação firme seja criada. Nós trabalharemos com nossos clubes para garantir que os esforços que sejam tomados pelos Estados não maculem a integridade de nosso esporte”, diz o comunicado. Acho difícil que esse lobby da NFL dê em alguma coisa, honestamente. A decisão da Suprema Corte fala justamente em evitar a interferência federal (Congresso) na competência estadual.



Seja como for, a liga deveria é estar feliz. A NFL está é preocupada que alguém vai ganhar dinheiro em cima de seu produto e que esse alguém não é ela. Mais do que óbvio isso, para mim. Fantasy e apostas não são tão diferentes em termos de “integridade de nosso jogo”, né? Conversa para boi dormir isso. A diferença é que a liga pode ter Fantasy próprio – apostas, não.

As apostas podem ser (muito) boas para a liga porque haverá mais motivos para assistir aquele Thursday Night Football que ninguém fora os fãs do Cleveland Browns iriam querer ver. Se você tem dinheiro investido no jogo, é capaz que assista até o final. O Monday Night Football, “última oportunidade de investir naquela semana” certamente terá aumento na audiência também. Com o declínio, nos EUA, na audiência da liga na TV (tal como todos os outros programas e esportes), é mais do que importante que esse estímulo apareça.

Ou seja: diretamente, a NFL não vai embolsar dindin. Indiretamente, no médio prazo, vai. Sei que muitos acharão que “apostas são horríveis, argh”. São, quando você perde as economias. Da mesma forma que alguém que não consegue beber só uma cerveja e enche a cara até cair na rua. Ou alguém que perde prazo no trabalho porque estava administrando 12 times de Fantasy. A diferença do veneno e do remédio é a dose, em tudo. Acredito que adultos possam ter esse discernimento – e é o que a Suprema Corte acredita, também. Novamente: Fantasy e Apostas Esportivas são A MESMA COISA em termos de integridade do jogo.

4th and 2 – Mais detalhes sobre o Caso Patricia

O principal tema desta coluna na semana passada foi Matt Patricia. Ao longo do final da semana, mais detalhes sobre o caso (de 1996) foram divulgados a partir de pesquisa nos autos do processo. Hoje head coach do Detroit Lions, Matt Patricia e um colega de faculdade foram indiciados por crime sexual. Eles foram acusados de entrar no quarto de uma garota de 21 anos, num hotel, em março de 1996 e estuprarem-na.

A mulher contou à polícia que ela conhecia ambos e que tinha ficado amiga deles na praia, antes do alegado ataque. Patricia e Greg Dietrich, o amigo, foram detidos na mesma noite. Cinco meses depois, o caso foi arquivado. O técnico mantém o que disse na época. “Era inocente naquela época, sou inocente agora”. Os Lions dizem que estão do lado de seu treinador e a NFL anunciou que está investigando o caso. Não há testemunhas oculares do suposto fato.

Como o caso tem mais de 20 anos e não se sabe sobre amostras de DNA nem nada do gênero, ficará muito difícil que as acusações sejam provadas – a menos que a garota queira falar algo sobre, o que também poderia causar um “a palavra dele contra a dela”. Do ponto de vista jurídico, fica muito complicado provar algo a essa altura das coisas. A garota tem mais de 40 anos hoje e, sinceramente: considerando que deve ter seguido em frente na vida, fica difícil imaginar que ela queira reviver o pesadelo (caso de fato ele tenha acontecido). Se ela não quiser falar sobre, direito dela.

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Considerando que a NFL vai investigar o caso e contratar detetives absurdamente qualificados, novas informações podem aparecer no futuro. Se algo for provado, os Lions terão que explicar como contrataram um treinador sem pesquisar direito no Google o nome dele, convenhamos.

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