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Está chegando o Super Bowl LII. Neste domingo, New England Patriots e Philadelphia Eagles se enfrentarão na disputa do título. Com duas semanas de descanso desde as finais de conferência, as duas comissões técnicas já tiveram tempo suficiente para estudar o adversário. Assim, a expectativa é que, do ponto de vista ofensivo, cada time apresente um plano de jogo construído baseado nos pontos mais fracos da defesa do oponente.

Como já também faremos com o ataque dos Patriots, hoje vamos tentar prever qual será o plano de jogo do Philadelphia Eagles para o jogo do domingo.

O ataque dos Eagles em 2017

O ataque do Philadelphia Eagles ao longo da temporada 2017 pode ser descrito através de uma divisão em três fases. Em boa parte da temporada, antes da contusão de Carson Wentz, a equipe apresentou um ataque dinâmico, aliando um jogo terrestre muito variado aos passes rápidos. Além disso, o próprio Wentz contribuiu muito para a produção ofensiva da equipe, com sua habilidade para realizar lançamentos fora do pocket.

Quando Wentz se machucou, já na parte final da temporada, o técnico Doug Pederson precisou reinventar seu sistema. Nas últimas semanas da temporada regular, vimos um ataque limitado, em que o quarterback reserva, Nick Foles, mais restrito ao pocket, não era capaz de gerar ganhos regulares de jardas. Isso, por sua vez, travou o jogo corrido da equipe. Assim, os Eagles chegaram aos playoffs em um ambiente de desconfiança, sendo considerados zebras na pós-temporada mesmo jogando em casa.

Nos playoffs propriamente ditos, Pederson fez a sua pequena revolução. Adaptando seu sistema ofensivo ao quarterback Nick Foles, Pederson montou planos de jogo excelentes, tanto contra o Atlanta Falcons nos playoffs divisionais quanto contra o Minnesota Vikings na final da NFC. A equipe utilizou muito os passes curtos, frequentemente a partir de RPOs (run pass options), em que, dependendo da postura da defesa, o quarterback entrega a bola ao running back ou realiza um passe curto. Assim, a equipe conseguiu estabelecer um ritmo ofensivo constante, com ganhos pequenos e regulares de jardas.

Contra os Vikings, Pederson utilizou as RPOs em combinação com conceitos oriundos da spread offense, como combinações de rotas mesh, em que dois recebedores se cruzam pouco além da linha de scrimmage. Além disso, os running backs compões essa combinação de rotas, tanto em screens e passes swing quanto em rotas wheel, buscando ganhos mais longos.

Aliás, não conta pra ninguém não, mas alguns desses conceitos lembram muito aqueles utilizados por Chip Kelly no comando dos Eagles, quando Nick Foles teve seu melhor momento na liga.

Com relação ao elenco ofensivo, o ponto mais forte dos Eagles é a linha ofensiva. Destaque para o right Lane Johnson e para o Jason Kelce, ambos entre os melhores da NFL. Particularmente no bloqueio para o jogo terrestre, a linha atua muito bem abrindo espaço para o bom grupo de running backs de Philadelphia.

Jay Ajayi e LeGarrette Blount formam a dupla principal de corredores da equipe. Ajayi une força e agilidade, enquanto Blount é o rompedor. Vale lembrar que, entre as várias contusões importantes sofridas por jogadores dos Eagles, está a lesão que tirou Darren Sproles da temporada. Quem acabou ocupando seu lugar foi o calouro Corey Clement. Clement mostra bom desempenho recebendo passes e na proteção ao quarterback, tornando-se uma peça surpreendentemente fundamental na engrenagem ofensiva dos Eagles.

Entre os recebedores, destaque para o wide Alshon Jeffery, que mostrou neste ano maior versatilidade até do que se esperava, e para o tight end Zach Ertz, entre os melhores da liga em 2017.

Ainda assim, não dá pra negar que o centro nevrálgico do ataque dos Eagles é o jogo terrestre. Ao longo da temporada, o time teve o terceiro melhor ataque da NFL correndo com a bola. E, como veremos logo ali embaixo, este deve ser o ponto fundamental para dar chance ao time no jogo de domingo.



Diante dos Patriots

Doug Pederson, em 2017, tem se mostrado um excelente planejador ofensivo, sabendo adaptar seu sistema aos jogadores, utilizando os pontos fracos da defesa. No Super Bowl LII, Pederson e os Eagles enfrentarão uma equipe caracterizada por uma grande capacidade de ajustes defensivos.

Aliás, na decisão da AFC, Bill Belichick e Matt Patricia fizeram ótimos ajustes no intervalo, passando a anular o ataque dos Jaguars.

Assim, é de se esperar que a defesa dos Patriots comece o jogo de domingo pronta para parar as RPOs dos Eagles. Em geral, o melhor jeito de combater esse tipo de jogada é manipular a leitura do quarterback, forçando o handoff. Em geral, quando a defesa se posiciona em coberturas homem a homem, em que os jogadores da secundária não têm zonas para cobrir em caso de jogada terrestre, o quarterback opta por dar a bola para o corredor. Assim, a defesa transforma a RPO em algo como uma “RRO” (“run option“), tornando o ataque adversário unidimensional.

E a defesa dos Patriots é uma das que mais utilizou a cobertura homem a homem ao longo do ano. Assim, é provável que vejamos um resultado menos efetivo dos Eagles neste tipo de jogada, em comparação com as semanas anteriores.

Antes de domingo teremos aqui no Pro Football um artigo específico sobre as RPOs, com destaque para suas variações e impactos sobre a defesa.

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Acredito que a resposta dos Eagles a uma eventual anulação das RPOs venha na ampliação dos conceitos spread que, por sua vez, tende a funcionar bem contra a cobertura homem a homem. Caberá a Nick Foles executar os passes com precisão e timing. Outro benefício da pressão gerada pelas RPOs pode ser a oportunidade de passes longos, para recebedores como Jeffery e Torrey Smith.

Ainda que venha jogando bem, é difícil imaginar que Nick Foles tenha a consistência necessária para levar o ataque sozinho. Ao contrário, vejo como o ponto fundamental para o sucesso dos Eagles contra os Patriots o estabelecimento do jogo terrestre. Com Ajayi e Blount, Philadelphia pode controlar o relógio (diminuindo o tempo de Tom Brady com a bola na mão) e facilitar a vida de Foles.

Quem sabe aí, neste momento, possa aparecer o elemento surpresa do ataque dos Eagles. Imagino que Corey Clement terá um papel importante na partida, tanto correndo quanto recebendo passes a partir de formações spread.

No geral, acredito que os Eagles consigam mover a bola com alguma regularidade. Para ganhar o jogo, no entanto, essa regularidade precisar vir associada a algumas jogadas explosivas. Isso permitirá que os Eagles, além de seguir lado a lado com o poderoso ataque dos Patriots, mantenham a defesa adversária “honesta”, facilitando a manutenção dos ganhos de jardas no jogo terrestre.

Vejo este confronto, entre o ataque dos Eagles e a defesa dos Patriots, como bem equilibrado.

Somando-se ao que já mencionei no artigo sobre o plano de jogo dos Patriots, acho que New England é realmente favorito para o jogo. Mas é jogo duro. Sei lá, algo como 27 a 23 ou coisa do tipo.

Vamos ver.

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