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Está chegando o Super Bowl LII. Neste domingo, New England Patriots e Philadelphia Eagles se enfrentarão na disputa do título. Com duas semanas de descanso desde as finais de conferência, as duas comissões técnicas já tiveram tempo suficiente para estudar o adversário. Assim, a expectativa é que, do ponto de vista ofensivo, cada time apresente um plano de jogo construído baseado nos pontos mais fracos da defesa do oponente.

Nos preparativos para o grande jogo, vamos tentar prever de que forma o New England Patriots atacará a defesa do Philadelphia Eagles, buscando mais uma vitória para Tom Brady, Bill Belichick e companhia.

O ataque dos Patriots em 2017

Durante a temporada, vimos o ataque do New England Patriots com uma configuração similar às das últimas temporadas. Assim, o centro da produção ofensiva da equipe ainda é baseado nos passes curtos, de ritmo, em que Tom Brady se livra da bola rapidamente, com ganho de jardas após a recepção.

É a partir do estabelecimento dos passes curtos que abre-se o espaço para o jogo corrido e, particularmente, para os lançamentos longos de Tom Brady. O elenco ofensivo dos Patriots, mesmo sem estrelas (à exceção de Brady e do tight end Rob Gronkowski), possui as peças ideais para a execução deste plano.

Recebedores ágeis como Danny Amendola, Chris Hogan e Brandin Cooks são capazes de superar rapidamente a cobertura do tipo press, em que os defensores pressionam os recebedores na linha de scrimmage, abrindo espaços para receber os passes de Brady. Muitas vezes, a equipe se utiliza de rotas cruzadas, gerando bloqueios naturais sobre a defesa (as chamadas rub routes, ou pick plays), facilitando o ganho de jardas após a recepção.

A equipe conta ainda com um grupo de running backs versátil, que se adapta aos passes curtos (particularmente Dion Lewis e James White), mas que também é capaz de correr pelo meio dos tackles (com jogadores como Mike Gillislee e Rex Burkhead).

Claro, os passes curtos e corridas permitem os passes longos. Mais do que isso, os passes longos retroalimentam o “jogo curto”, mantendo a defesa sempre correndo atrás. Cooks e Hogan são frequentemente acionados em rotas longas, a partir de double moves, em que o recebedor finge que vai voltar em direção à linha de scrimmage (como em uma rota curl, hitch ou comeback), mas segue em frente rumo à end zone. Esperando o passe curto, o defensor cai no truque, deixando o recebedor livre para o ganho explosivo.

Isto tudo sem contar com o “coringa” Rob Gronkowski. O tight end dos Patriots tem tamanho e velocidade para alinhar em qualquer parte do campo, sendo um pesadelo de matchup para qualquer defesa. Gronk é o popular “cheat code“, tornando-se muitas vezes a válvula de escape do ataque de New England. Gronkowski foi liberado pelo protocolo de concussão e estará disponível no Super Bowl.

Ah, sim. Dizem que o quarterback dos Patriots até que não é ruim, também…



“patriots"

Diante dos Eagles

Para o jogo de domingo, os Patriots vão enfrentar uma defesa forte. A unidade comandada pelo coordenador defensivo Jim Schwartz terminou a temporada como a quarta melhor da liga em pontos concedidos. A defesa dos Eagles conta com ótimos pass rushers, liderados por Brandon Graham e, no meio da linha, Fletcher Cox. Além disso, a equipe também tem uma secundária versátil, característica marcante principalmente no safety Malcolm Jenkins.

Seja no front seven ou na secundária, o que predomina na defesa do Philadelphia Eagles é a agressividade. Embora utilize pouco o recurso da blitz, Schwartz mantém um rodízio frequente entre seus pass rushers, mantendo o ataque constante ao quarterback adversário. Com um jogador como Cox na posição de defensive tackle, é possível manter a agressividade sem prejudicar o controle do jogo terrestre.

Na cobertura, vemos com mais frequência a marcação homem a homem, seja com pressão nos recebedores na linha, seja com posicionamento mais distante (cobertura off). Mesmo quando se posicionam em cobertura off, os cornerbacks dos Eagles assumem posturas agressivas, mergulhando na frente dos recebedores no momento em que estes mudam de direção.

Aí chegamos no primeiro ponto do possível plano de jogo dos Patriots. A agressividade dos cornerbacks dos Eagles pode ser utilizada contra eles mesmos. Quando a defesa joga em press man, tentando atrapalhar as rotas dos recebedores já na linha de scrimmage, torna-se vulnerável às pick plays, em que um recebedor atrapalha o defensor que marca seu companheiro de ataque. Por outro lado, se a defesa opta por diminuir a pressão, como que para evitar ganhos explosivos, pode ser vítima de seus instintos agressivos. Ao “pular” nas rotas dos recebedores, a secundária pode sofrer com double moves, gerando ganhos explosivos de jardas.

Assim, este deve ser o ponto de partida do ataque de New England. Conforme o alinhamento da defesa, Tom Brady pode escolher que caminho seguir, minando a cobertura dos Eagles em passes curtos ou longos. O único fator que pode atrapalhar o andamento desse plano é se os Eagles conseguirem gerar pressão em Brady com os quatro jogadores da linha defensiva. Assim, o quarterback dos Patriots pode não ter tempo suficiente para dissecar a secundária adversária. Mas aí entram os “planos B” de New England.

Além de correr com a bola, como já dissemos, jogadores como Dion Lewis e James White (este, particularmente na red zone) são muito hábeis no jogo aéreo, podendo transformar a pressão dos Eagles em ganhos de jardas nos screens, por exemplo. Além disso, não podemos esquecer de Rob Gronkowski. O super tight end dos Patriots sempre pode ser a válvula de escape de Tom Brady, abrindo espaços em todas as áreas da defesa. No mínimo, Gronk seria capaz de anular o “canivete suíço” da defesa de Philadelphia. O safety Malcolm Jenkins, que circula bem por todo o perímetro defensivo, pode ficar preso na cobertura de Gronkowski, limitando seu impacto no restante da cobertura.

Desta forma, não há duvida que a chave do confronto entre o ataque dos Patriots e a defesa dos Eagles é o embate entre as linhas. Se os Eagles, com seus pass rushers como Chris Long, Vinny Curry e Derek Barnett, além dos já mencionados Cox e Graham, conseguirem pressionar Brady com frequência, Philadelphia tem chance de segurar o ataque dos Patriots. Se Tom Brady tiver tempo no pocket, o quarterback vai achar espaços na cobertura, movendo seu ataque sem grandes dificuldades.

E eu acho que, nesse confronto, New England leva boa vantagem.

Logo mais, vamos ver o outro lado desse confronto, analisando o possível plano de jogo do Philadelphia Eagles para o Super Bowl LII.

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