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Acredito que todos aqui vimos o espetáculo que foi o Super Bowl LI. A maior virada da história do Super Bowl, a primeira vez que tivemos prorrogação no maior jogo da temporada, o recorde de jardas aéreas em uma partida para Tom Brady, aquela recepção absurda do Julian Edelman… todos ingredientes que colocam a partida no NRG Stadium como um dos maiores Super Bowls já disputados, e em um seleto grupo das grandes partidas da história da NFL.




Este texto não é para rememorarmos os detalhes da partida entre New England Patriots e Atlanta Falcons. Na verdade, é mais dedicado aos torcedores dos rivais do New England Patriots, àqueles que torceram contra o camisa 12 na noite de domingo. Eu já fui um deles – sim, até o Super Bowl XLIX, eu desejava que Tom Brady não ganhasse o quarto anel. Se ele vencesse o quarto anel, ele se afastaria da discussão de maior quarterback da história de alguns dos meus jogadores favoritos, em especial Peyton Manning e Brett Favre.

Pois bem, Russell Wilson foi interceptado por Malcolm Butler e o New England Patriots venceu seu quarto Super Bowl. E daquele ponto em diante, eu deixei de torcer contra o time de Bill Belichick com a mesma intensidade. Eu ainda era um pouco do contra, mas os sucessivos triunfos da franquia de Boston passavam longe de me incomodar. Afinal, se eu fosse me incomodar com cada vitória da equipe eu não conseguiria fazer outra coisa. Assim, durante esse longo período de duas temporadas, eu comecei a absorver a magnitude do que Tom Brady e Bill Belichick fizeram durante essas 17 temporadas.

Vimos um dos grandes momentos da história futebol americano

De forma alguma eu quero sugerir que os rivais deixem de secar o New England Patriots, ou que encomendem suas camisas 12 hoje. A rivalidade faz parte de qualquer esporte e é um dos elementos mais divertidos em acompanhar um time, seja de futebol, futebol americano ou basquete. É que dentro da inevitabilidade da força do New England Patriots, dessa qualidade colossal por mais de 15 temporadas, nós temos também que sair um pouco do casulo dos times que torcemos e observar a big picture, como diriam os americanos.




Sabe aquele jogo de futebol que os seus pais e avós resmungam sobre, falam como o esporte era melhor, e como a derrota para a Itália na Copa do Mundo de 1982 foi marcante? Ou dos jornalistas americanos falando do jogo entre Pittsburgh Steelers e Oakland Raiders no AFC Divisional Round de 1972, na qual o time da Pennsylvania venceu pela immaculate reception? Bom, o jogo do último domingo é um desses momentos para o futebol americano, e nós temos que saber valorizar a história que foi escrita diante dos nossos olhos.

O primeiro quarterback a vencer cinco Super Bowls, virando o jogo depois de um déficit de 25 pontos. Ultrapassando Terry Bradshaw e Joe Montana em número de anéis, e com uma atuação de respeito, de colocar o time nas costas e quebrar o recorde de jardas do Super Bowl com 466 jardas em 66 (!) tentativas de passe. E antes de conseguir construir esse resultado: vocês viram a vontade dele em tentar impedir o pick six de Robert Alford?

A vontade de vencer de Tom Brady é admirável e invejável. É uma das qualidades que os grandes jogadores de todos os esportes compartilham. A dedicação ao esporte, à posição mais demandante mentalmente dentre tantas outras de tantos esportes, firme e forte aos 39 anos de idade. É como se Tom Brady tivesse sido selecionado com a 199ª escolha geral anteontem, e tivesse ainda que provar que ele pode ser titular da NFL.

O Super Bowl LI foi um momento único para a história do esporte. O momento no qual Tom Brady se tornou quase de forma incontestável o maior quarterback de todos os tempos; um momento sui generis para a NFL e o futebol americano. Pelos próximos dias, independentemente para quem você torça, é o momento para apreciar o momento histórico, de importância gigantesca para o esporte. Depois, voltemos à programação normal, até porque Tom Brady deverá vestir a 12 em setembro novamente.

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