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O Jacksonville Jaguars puxou o gatilho e decidiu o futuro da posição de quarterback – ao menos no curto prazo. Isso porque o time renovou o contrato de Blake Bortles por mais três anos. O primeiro a noticiar sobre o acordo foi o repórter da ESPN americana Adam Schefter. Logo depois, Ian Rapoport, insider da NFL Network, anunciou os valores: 54 milhões de dólares, sendo 26.5 milhões garantidos.

A princípio, o contrato soou como uma estupidez sem tamanho. Isso porque Bortles teria apenas mais um ano no contrato antigo, e então seria agente livre (free agent) em 2019. Tom Coughlin, ex-head coach dos Giants e vice-presidente de operações dos Jaguars, declarou que a evolução e crescimento do jogador foram essenciais para o sucesso do time. Contudo, a performance em campo ficou bem longe do que espera de um quarterback titular na NFL.

Então, uma extensão por 3 anos com 26 milhões garantidos para um quarterback abaixo da média, de fato, parecia loucura.

Alguns pontos do contrato mostram que não é bem assim…

Olhando friamente os números, realmente dava para xingar muito no twitter os dirigentes dos Jaguars. Todavia, olhando a estrutura do contrato e a situação na qual a franquia se encontra, é possível ver lógica. Primeiramente, a forma com que o acordo foi estruturado: pensando no curto prazo, sem grande prejuízo no futuro. Basicamente, boa parte do dinheiro garantido é pago no primeiro ano, reduzindo o chamado dead cap para os dois outros anos – quando o salário base é mais alto. Na prática, isso torna a situação favorável para a franquia caso resolva cortar o quarterback após a temporada de 2018, pois o impacto no teto salarial será pequeno.

Além de poder se livrar do jogador sem grandes prejuízos, o peso do quarterback na folha salarial para 2018 foi reduzido. No acordo antigo (que era o de calouro), Bortles receberia pouco mais de 19 milhões de dólares na próxima temporada, sendo o mesmo valor contabilizado na folha salarial. Com a renovação, serão apenas 10 milhões, salvando mais espaço para a contratação de outros jogadores.

Os diferentes cenários para Jacksonville

Olhando de fora, é bem fácil criticar um time que dá um contrato de 56 milhões para Blake Bortles. Todavia, não havia muitas opções viáveis para o time. Basicamente, eram 3 possíveis cenários:

1) Não propor um novo contrato, pagar os 19 milhões para o quarterback e apostar em um calouro

Essa opção seria complicada, visto que o time tem uma escolha tardia na primeira rodada. Para subir, teria que dar um caminhão de escolhas, o que nunca parece ser uma boa ideia. Além disso, teria alto risco de queimar o calouro.

2) Investir o mundo no leilão que será feito por Kirk Coursins

Cousins é o único quarterback titular que deve testar o mercado – e várias franquias estão de olho. Na prática, ocorrerá um verdadeiro leilão de quem paga mais pelo jogador. Por isso, espera-se que as cifras sejam altíssimas – acima da casa dos 25 milhões de dólares por ano. Isso arrebentaria o espaço no teto salarial de Jacksonville para 2018 (algo em torno de 35 milhões de dólares, após a renovação.

3) Diminuir ao máximo o impacto de Bortles na folha salarial e fortalecer o time

Os Jaguars chegaram bem perto do Super Bowl, perdendo a final de conferência para os Patriots. O time é fortíssimo, com uma defesa dominante. Porém, existe a possibilidade de a franquia reforçar alguns setores que deixam a desejar um pouco – linha ofensiva e tight end, por exemplo. Além disso, há jogadores com contrato expirado, como Chris Ivory, Marqise Lee, Allen Robinson e Aaron Colvin. Logo, serão necessárias contratações pontuais para manter o time no topo. Para isso, é fundamental ter espaço na folha salarial.

Dentro do possível, uma decisão que faz sentido

O time está recheado de talentos fora da posição de quarterback – principalmente na defesa. O elenco é muito jovem, contando com vários jogadores ainda em seus contratos de calouro. Com efeito, estes tem baixo impacto na folha salarial, permitindo que o time assine com vários bons veteranos – como foram os casos de Calais Campbell, A.J. Bouye e Malik Jackson. O problema é que logo esses jovens estarão em fim de contrato, e será impossível renovar com todos. Assim, há uma situação um tanto quanto imediatista aqui: 2018 é um ano chave, pois há espaço na folha salarial e um time muito talentoso. Ou seja, apostar em um calouro seria arriscar colocar a temporada por água abaixo.

Como exposto, a aposta em Kirk Cousins complicaria o manejo da folha salarial da equipe. Isso significaria contratações limitadas em 2018, além de não renovar com muitos jogadores nos próximos anos – algo que teria grande efeito já em 2019. Fora o risco de não conseguir assinar com Cousins, o que serviria para derrubar o ânimo de Bortles. Enfim, considerando a situação atual do elenco, a posição financeira e a disponibilidade do mercado, manter o quarterback como titular em 2018 parece ser uma decisão sensata.

Ruim com Bortles… menos ruim se ele custar pouco!

Como comentado acima, os Jaguars tem um “momento” com o elenco atual. 2018 talvez seja o último ano dessa geração, que inclui vários talentosos jovens ao lado de ótimos veteranos. Para esse ano, Bortles custaria para a franquia 19 milhões de dólares. Ao renovar por 3 anos, o dinheiro garantido aumentou “apenas” 7 milhões. Da forma que foi estruturado o contrato, ele recebe um pouco mais e fica por mais dois anos, sendo até mesmo uma segurança para o time. Caso vá mal e tudo dê errado, um corte não fere tanto o teto salarial. Nesse meio tempo, os Jaguars tentam achar o verdadeiro quarterback do futuro, ao mesmo tempo que mantém o time competitivo.

Vale ressalta que Bortles – ainda que tenha sido com muitas limitações – conseguiu levar esse time longe em 2017. Na prática, os Jaguars acertaram com um quarterback titular por um valor consideravelmente abaixo da média, ainda com um contrato “amigável” para a franquia. Tudo bem, não é ele quem vencerá um Super Bowl, isso é claro. De toda sorte, se olharmos para outros contratos de titulares (ou teóricos titulares) da posição, nota-se que ele foi barato. Como comparação, Mike Glennon tem 18,5 milhões garantidos, enquanto Ryan Tannehill tem 45 milhões e Jimmy Garoppolo tem, pasmem, 74 milhões! Em suma, considerando a realidade atual da NFL e a situação que Jacksonville vive, a negociação pareceu ter sido positiva de um modo geral.