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Ele não tinha obrigação nenhuma de tentar esse tackle. Na temporada passada, Andy Dalton se machucou assim e ficou fora do resto do campeonato. No Super Bowl 50, Cam Newton ficou olhando após um fumble e não tentou recuperá-lo.

Tom Brady não tinha obrigação de buscar Robert Alford, de buscar uma virada que em 50 anos não aconteceu. Afinal de contas, ele já tem quatro títulos, já tem todo o dinheiro do mundo, tem uma família que parece perfeita. De onde tirar motivação? Eis a pergunta que fica.

Questionaram Tom Brady de novo, quando o jogo estava 28 a 3 com 8 minutos faltando no terceiro quarto. Naquele momento, o Atlanta Falcons tinha 99,5% de chance de título de acordo com a ESPN americana. 0,5%.

Mais uma vez, Brady duvidou de quem duvidava dele.

Não existe, nem remotamente, uma virada em Super Bowl como a de ontem. A anterior era por 10 pontos. A de ontem, por 25 no segundo tempo. O que motiva uma pessoa assim? Não é algo egoísta, não é a vontade de ser o melhor “porque sim”. No fundo do coração de Brady, ele ainda é aquele cara magrelo e desengonçado que foi rejeitado 198 vezes no Draft de 2000.

Em cada oportunidade de entrar em campo, por mais perdido que o jogo esteja, ele doa o melhor de si. Isto, para mim, é o que tiramos do Super Bowl LI. Eu sei que ainda haverá torcedores, notoriamente de times rivais, que odiarão, que arrumarão desculpas para justificar o legado do camisa 12. É normal isso, até do ponto de vista sociológico e psicológico – como falei neste texto.

O que não é normal foi a forma pela qual Brady não se entregou. “Ele deu um jeito de arrancar lágrimas dos nossos corações”, disse Chris Long, defensive end recém-chegado ao time, após a partida. Ele tinha todos os motivos do mundo para relaxar, ao estar no topo. Ele tinha todos os motivos do mundo para desistir. Para desencanar. Para quem já tem tudo, um algo a mais não parece nada.

A questão é que Brady não faz pela posse em si. Não faz, em realidade, sequer por si mesmo. No fundo, é algo inconsciente – como o movimento de tentar o tackle após ser interecptado, decisão de menos de um segundo que não pode ser consciente. Não é algo imediato. É algo mediato. Não é algo de momento. Não é algo consciente. É amor, o mais puro amor ao esporte e à competição. É a vontade de vencer e de acreditar em si mesmo.

O Super Bowl LI demonstra que Brady pode não ser, necessariamente, o melhor passador. O que melhor lê o jogo. O que terá as melhores estatísticas. O que teve carreira mais gloriosa no College Football. O que foi escolhido alto no Draft. O mais atlético. O com release mais rápido. O mais inteligente.

Mas ele sempre será o com o maior coração. Isso ninguém pode tirar dele.

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