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São 8 milhões de dólares que ficam preso no teto salarial. Talvez daí venha a surpresa pelo corte do wide Dez Bryant, feito hoje pelo Dallas Cowboys. O timing pode ter sido uma surpresa. O corte, em si, não.

Jerry Jones é um dos dois donos de franquias que acumulam o cargo de general manager. O outro é Mike Brown, dono do Cincinnati Bengals. O dono dos Cowboys já teria demitido seu general manager há tempos – o problema é que não dá para demitir a si mesmo.

Jones tem um problema grave na gerência do Dallas Cowboys. Ele não lida bem com sunk cost. Ainda vou escrever um texto sobre a expressão e como ela se aplica na NFL, mas entenda como “ir ao cinema, ver um filme absurdamente ruim e continuar até o final da sessão só porque pagou o ingresso”. No caso de Jerry, o carinho por alguns jogadores acaba fazendo com que ele “passe da hora” de cortar vínculos. Bill Belichick costuma cortar jogadores antes do declínio. Jones corta depois da queda de produção já ter acontecido.

Os motivos

Mesmo com os 8 milhões de dinheiro preso no teto salarial – pelo fato dessa grana ser uma garantia do contrato – ainda compensaria cortar Dez sob o ponto de vista financeiro. Ele seria o segundo wide da NFL com maior salário na vindoura temporada – apenas Mike Evans e seus 18,25 milhões superam (e ele acabou de renovar com o Tampa Bay Buccaneers).

Bryant não vale 16,5 milhões por ano – não importa o quanto ele tenha feito na NFL nesta década. Como digo, legado não faz . São negócios e é a liga mais lucrativa dos Estados Unidos, com um calendário de “tiro curto”. Afeiçoar-se ao passado não costuma dar certo.

Na temporada passada, Bryant foi o 26º em jardas recebidas, o 70º em % de passes recepcionados e o quarto com mais drops (foram 6).  E, a bem da verdade, não é de hoje que Dez está em declínio. Ele não é mais aquele jogador que fazia uma dupla mortal com Tony Rono.

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Depois que renovou seu contrato, a produção só caiu. São 300 mil dólares por recepção desde 2015. 21 recepções para mais de 20 jardas nas últimas três temporadas (só em 2014 foram 22). Como dito acima, seis drops na temporada passada – só três jogadores tiveram mais.

Para completar o relacionamento tóxico…

Sabe quando todo mundo fala para seu amigo, que ele está num relacionamento que lhe faz mal, que ele virou outra pessoa e etc, etc, e mesmo assim ele continua? Bom, digamos que era o caso de Jerry Jones e Dez.

Para completar os erros todos, não havia qualquer química entre Bryant e o recém empossado franchise, Dak Prescott. A impressão que passava era de que eles nunca estavam na mesma página. O ESPN Stats and Info demonstra isso: foram 28 passes mais altos do que deveriam nessa conexão, em 2017 – pior marca de um duo QB-WR na temporada passada. Dos 110 QB-WR com pelo menos 50 passes trocados, eles foram os 104º em porcentagem de completos – 52%.

Enfim, motivos não faltam. Declínio, salário, falta de sintonia com Dak num ano que Jerry Jones publicamente disse que o time seria montado ao redor dele. O problema é que demorou demais para esse corte vir.

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