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‘’98% do sucesso são os jogadores e 2% está no treinador’’. Durante a semana de preparação para o Super Bowl, esta foi a frase mais marcante de Doug Pederson. “A liga é sobre os jogadores.” Ele está certo. Se no domingo a linha ofensiva de Philadelphia não tivesse dominado completamente o front seven adversário, se Corey Clement não tivesse jogado como se dependesse da vida dele, se Zach Ertz não tivesse entrado tão bem ou se Nick Foles tivesse regredido, o título não iria para os Eagles de jeito nenhum. Apesar disso tudo, os 2% devidos a Doug Pederson foram o que fizeram a grande diferença entre perder novamente para os Patriots ou conquistar o primeiro Super Bowl da história da franquia.



Quando Doug Marrone optou por ajoelhar faltando menos de um minuto para o fim do primeiro tempo, indo para o intervalo com uma vantagem no placar, ficou claro que ele estava jogando para não perder. Muitos treinadores atuam assim a vida inteira, como Jeff Fisher, Jim Caldwell e tantos outros. Não querem ir para cima e ganhar – às vezes, querem apenas não perder. Não confiam em seus jogadores, logo resolvem jogar na segurança o tempo todo. Contra Bill Belichick isso é fatal, ele sabe como se aproveitar da fraqueza mental de um adversário. O que John Harbaugh e, em um grau muito maior, Tom Coughlin nos ensinaram é que a vitória contra os Patriots só virá se o técnico for ousado, corajoso e jogar para cima do adversário.

O grande problema é que isso precisa ser um estilo de vida, e não uma atitude do momento – caso contrário os jogadores ficam perdidos. E a linha entre a coragem e o descuido é muito tênue. Kyle Shanahan, ano passado, se perdeu nesta linha e acabou vendo os Falcons tomarem a maior virada da história do Super Bowl.

Como o próprio Doug Pederson falou, quando se joga na preventiva você irá ficar no 8-8, 9-7. Resumindo, você será medíocre durante a sua carreira. E ele começou sua carreira tentando fugir completamente desta figura inepta ao estilo Marvin Lewis. Isso lhe rendeu críticas, obviamente, durante o seu primeiro ano, até chegando ao absurdo de Michael Lombardi chamar-lhe de técnico menos preparado na liga. Mal sabia o ex-general manager do Cleveland Browns a grande besteira que ele estava falando.



“49ERS"
 


 

A carreira de Doug Pederson, daqui para frente, pode ir pelo ralo e ele pode acabar se perdendo. Essas coisas acontecem, apesar de ser muito improvável. Mesmo que isso ocorra, não dá para ignorar o quão bem ele gerenciou o time nesta temporada. Sua mentalidade agressiva, associada com a filosofia do “next man up” (algo como “o próximo da fila tem que estar pronto”) criou um ataque que tinha uma mentalidade de querer resolver as partidas, e não apenas chutas Field Goals e cair em sua zona de conforto. Caso você tenha assistido ao Super Bowl LII, deve se lembrar que os Eagles não estouraram o cronômetro uma vez sequer e não ficaram desesperados para nenhuma chamada de quarta descida – mesmo com o passe saindo da mão de um tight end. Este foi o time que mais arriscou (e converteu) quartas descidas durante o ano inteiro. Ele até foi para uma 4th and goal da linha de 2 jardas com o seu quarterback titular tendo rompido dois ligamentos do joelho.

E não é só isso. Pederson tem a filosofia de liberar completamente seus jogadores e técnicos auxiliares para darem pitacos sobre o que fazer. Carson Wentz propôs jogadas que foram implementadas no playbook, Jim Schwartz tinha total controle sobre a defesa, assim como Dave Fipp mandava completamente nos Special Teams. Mesmo no ataque, sua especialidade, os outros coordenadores também possuem grandes responsabilidades: Frank Reich, o coordenador ofensivo, comanda os ataques de dois minutos e John DeFilippo, o técnico de quarterbacks, é o especialista na red. Esta filosofia de mente aberta foi o que garantiu este time ser um dos melhores em conversões de terceiras descidas e aproveitamento na durante toda a temporada regular – e que fez a diferença nos Playoffs

Como o leitor pode imaginar, esta mente aberta é um dos principais fatores para Pederson ter ajustado de maneira brilhante o seu playbook para (e durante) o Super Bowl. Os Patriots colocaram uma marcação pressão, individual, com os cornerbacks tendo a preferência do lado interno do campo. Tudo para cortar as jogadas de run-pass option que ficaram tão famosas durante toda a semana. O que Pederson fez? Explorou a seam com Nelson Agholor. Ele começou o jogo explorando o tamanho de Alshon Jeffery e quando o mesmo começou a ficar bem marcado por Stephon Gilmore, ele colocou Clement para apostar corrida em wheel routes e Zach Ertz acabou virando o recebedor seguro dos momentos cruciais.



O Super Bowl LII foi uma aula de como um técnico tem que agir. Foi uma aula que Tom Coughlin já havia dado e muitos tinham esquecido. Agressivo e ajustando, sem se perder e sendo humilde para repensar suas atitudes durante a partida. Pederson explorou todos os pontos fracos da defesa de Matt Patricia, não se desesperou quando a comissão técnica adversária ajustou o combate ao jogo terrestre e acabou saindo com uma vitória merecida. Ele não se assustou com os anéis, prêmios e títulos. Apenas agiu como um grande técnico que foi este ano e enfrentou Bill Belichick de frente, sem medo de errar e, principalmente, sem medo de perder.

Doug Pederson, durante toda a pós-temporada, manteve o mesmo estilo que o fez tornar-se uma lenda na Philadelphia. A épica vitória sobre os Patriots, com Tom Brady tendo uma atuação incrível, veio para coroar um estilo de comandar vencedor e que é pouco explorado ao redor da liga. Os 2% fizeram muita diferença para Philly sair com a vitória. Agora Pederson pode relaxar e tomar um sorvete, porque ele foi a estrela da inesquecível noite que o seu time fez acontecer.

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