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Quem, como eu, já está nessa há um tempo, lembra de Doug Pederson como jogador. Pederson foi quarterback no final dos anos 90 e início dos anos 2000, quase sempre como reserva. As equipes em que esteve por mais tempo foram o Green Bay Packers e o Philadelphia Eagles, onde chegou a ser titular por algumas semanas. O último titular antes de Donovan McNabb, aliás.

No entanto, não há dúvida que o destaque alcançado por Doug Pederson como técnico, em apenas 2 anos como head coach, já é bem maior do que o que obteve como jogador. Neste ano, Pederson levou o Philadelphia Eagles ao Super Bowl. Ainda mais importante, é óbvio, ele foi escolhido como o técnico do ano pela equipe do Pro Football.

Hoje vamos rever como Doug Pederson chegou a este ponto, desde suas influências estratégicas até os ajustes realizados durante a temporada 2017, fundamentais para o sucesso dos Eagles.

A formação como técnico e a chegada aos Eagles

Logo depois de encerrar sua carreira de jogador, Doug Pederson iniciou sua trajetória como técnico, em uma escola secundária em seu estado natal, Louisiana. Em 2009, Pederson retornou à NFL, como parte do staff de seu ex-técnico Andy Reid. Dois anos depois, ainda nos Eagles, Pederson foi promovido a técnico de quarterbacks. Quando Andy Reid deixou os Eagles e foi contratado pelo Kansas City Chiefs, Doug Pederson foi junto, agora na condição de coordenador ofensivo.

Durante este período, foi possível observar a evolução do sistema ofensivo de Andy Reid, que se tornaria também o sistema de Pederson (com algumas diferenças significativas). Andy Reid vem da West Coast Offense, baseada em passes curtos e intermediários, baseados em ritmo, com drops curtos e muitas rotas laterais. Em Kansas City, momento em que Doug Pederson já detinha muito mais influência, começamos a ver Reid comandando um ataque mais variado. A partir da base da West Coast Offense, começamos a ver o uso das rotas option, com muita movimentação antes do snap.

Essa evolução certamente contribuiu para a decisão da direção do Philadelphia Eagles de apostar em Doug Pederson como seu técnico principal, antes da temporada 2016. Os Eagles vinham do conturbado período sob o comando de Chip Kelly, e Pederson chegava com a missão de equilibrar a equipe.

Ao chegar na Philadelphia, Pederson já teve que lidar com uma mudança de planos. Sam Bradford, que seria o quarterback titular da equipe em 2016, foi trocado com os Vikings. Assim, a posição de titular caiu de paraquedas na mão do calouro Carson Wentz.

Em seu primeiro ano como técnico principal, Doug Pederson instalou um sistema aparentemente feito sob medida para seu quarterback novato. Apesar da base de West Coast Offense, como a de seu mentor Andy Reid, o sistema de Pederson incluía um grande foco no jogo terrestre. Além disso, o técnico diminuiu a pressão sobre Carson Wentz com um jogo aéreo baseado em leituras simples, com um alvo principal em cada jogada, além de opções de check down. Wentz, com boa mobilidade e ótimo braço, começou muito bem, sem ter que lidar com muita pressão e leituras mais complexas, seus pontos fracos ao chegar na NFL.

A temporada 2016 como um todo acabou sendo irregular, com a equipe terminando o ano com 7 vitórias e 9 derrotas, mas, em 2017, a história seria bem diferente.

A temporada 2017

Imediatamente antes da temporada começar, tudo apontava para uma disputa muito acirrada na NFC East. Dallas foi excelente em 2016, Washington parecia sólido e os Giants sempre prometem com Eli Manning e Odell Beckham Jr. Por motivos diversos, essas três equipes falharam em 2017. Somado a isso, desde a Semana 1, vimos um Philadelphia Eagles muito à frente dos rivais.

Doug Pederson, com auxílio do coordenador ofensivo Frank Reich, levou seu sistema ofensivo um passo além. Com um foco renovado no jogo corrido de alta variabilidade, com “pacotes” de jogadas para cada running back, Pederson construiu uma situação ideal para fomentar a evolução do quarterback Carson Wentz. Wentz, por sua vez, respondeu muito bem ao trabalho do seu técnico, mantendo-se como um dos melhores quarterbacks de toda a NFL ao longo da temporada.

A equipe dos Eagles foi muito consistente nos três níveis de jogo em todo o ano, chegando até o início da semana 14 com 10 vitórias e 2 derrotas. No jogo contra o Los Angeles Rams, o quarterback Carson Wentz sofreu uma ruptura de ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, que o deixaria fora do restante da temporada.



“49ERS"
Neste momento, o técnico Doug Pederson seria ainda mais exigido. Mais do que planejar o ataque do time sem seu quarterback titular, Pederson precisava manter o equilíbrio e a motivação da equipe que acabava de perder seu principal jogador.

Neste momento, o técnico dos Eagles teve seu ponto alto no ano. A entrada de Nick Foles, conforme esperado, veio junto de uma retração ofensiva considerável. Nos três jogos restantes, os Eagles venceram dois e perderam um, com performances ofensivas algo oscilantes. Mesmo assim, com um recorde final de 12 vitórias e 3 derrotas, garantiram não apenas o título da NFC East, como a vantagem de jogar em casa durante os playoffs.

A premiação de técnico do ano se refere apenas à temporada regular. No caso de Pederson, só o desempenho da equipe, baseado em sua criatividade ofensiva, associado à firmeza do time diante da perda de Carson Wentz, já credenciavam o treinador à premiação. É claro que os dois jogos de pós-temporada, em que os Eagles engoliram taticamente Falcons e Vikings, ajudam a corroborar Doug Pederson como melhor técnico da temporada.

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Olhando para os lados e para a frente

Quando observamos qualquer conquista individual da NFL, é fundamental olhar para os lados. Nada na liga se faz sozinho, ainda que, como no caso de Doug Pederson, o aspecto da liderança seja fundamental. Nos Eagles, é importante percebermos o impacto do coordenador defensivo Jim Schwartz, comandando sua agressiva unidade. Além disso, o próprio Carson Wentz, candidato a MVP, merece muito crédito (aliás, tem artigo sobre Wentz ainda essa semana).

Finalmente, é fundamental não esquecer do trabalho do General Manager Howie Roseman. Roseman reforçou a equipe antes da temporada, com a chegada de jogadores como Alshon Jeffery, Ronald Darby, Chris Long e LeGarrette Blount, entre outros. Além disso, já durante o ano, Roseman fez a troca que trouxe o running back Jay Ajayi, fundamental nas partidas de pós-temporada.

Além disso, é claro, temos que olhar para frente. Dia 04 os Eagles têm o Super Bowl. Doug Pederson terá que planejar seu ataque diante de Bill Belichick e do New England Patriots. Taí um bom desafio para o técnico do ano.

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