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O futebol americano é o xadrez dos esportes coletivos. Apesar de ser extremamente físico, com muito contato e casos de doenças geradas pelas pancadas, o esporte se destaca de todos os outros devido ao seu aspecto tático e técnico.

No futebol bretão, por exemplo, os jogadores tem aplicações táticas diferentes, porém a técnica que eles utilizam é muito parecida para cada posição – tirando o goleiro. O zagueiro aprende a chutar que nem o atacante e o meia aprende a passar que nem o lateral. Já no futebol americano não. O linha defensiva, por exemplo, aprende como sair da posição com três apoios e técnicas de pass rusher que o safety nem pensa em fazer durante um jogo. Esta particularidade garante um esporte diversificado e que encanta a qualquer um que senta para assisti-lo.

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Nesta intertemporada, o Pro Football vai tentar trazer para os leitores (principalmente para os iniciantes) um pouco mais destes conceitos táticos e técnicos, visando os preparar para a nova temporada que começa (só) em setembro. Antes de partirmos para táticas, esquemas e outras coisas, é preciso aprender o básico: como os jogadores se colocam na linha de scrimmage. Como já deu para ver, nada é aleatório no esporte. Linhas defensivas se posicionam de certas maneiras, nas chamadas techniques, e protegem espaços entre os linhas ofensivas – os chamados gaps.

Mas o que é esse negócio de gap?

O Google tradutor, o velho amigo, diz que gap é lacuna, abertura, intervalo, hiato, brecha, fenda, separação, vácuo, interrupção, desfiladeiro, garganta. Sendo assim, fica claro o que é o gap: o espaço entre os jogadores de linha ofensiva. Denominá-los é importante visto que ninguém vai passar por cima do linha ofensiva, mas sim pelo espaço entre eles.

Os gaps são definidos com relação aos espaços entre os jogadores da linha ofensiva. O espaço entre o center e os guards é denominado A-gap. Entre os guards e os tackles é o B-gap e entre os tackles e os tight ends é o C-gap. Tanto em jogadas de corrida quanto em passes, a disciplina quanto a cuidar de diferentes gaps é importante. Se o jogador decide cobrir um espaço errado ou sair de sua posição, o resultado pode ser desastroso – o quarterback pode dar um passo a frente e ter mais visão do campo ou correr por aquele lugar, entre outras consequências.

Em jogadas de corrida, a disciplina no gap é extremamente importante para o sucesso. Nem em todas as jogadas pode-se cobrir todos os gaps, porém é importante que os cobertos sejam bem protegidos. Além disso, existem jogadores que sua função é ser um reserva: ele vai cobrir algum atleta que não consiga fazer a sua função em algum gap específico. Em textos no futuro, em que sejam abordadas jogadas terrestres e esquemas táticos, voltaremos a falar desta disciplina.

A denominação mais comum para diferenciar defesas é saber como se ”atacam” os gaps. Algumas linhas defensivas tem um estilo one gap e outras utilizam o two gap. A linha ser 1-gap significa que todos os atletas são responsáveis por apenas um espaço, enquanto no 2-gap eles são responsáveis por dois. Trocando em miúdos, no 1-gap o jogador ataca o espaço vazio (entre dois atletas de linha ofensiva) e no 2-gap ele irá engajar no atleta de linha ofensiva – cuidando dos dois espaços.

E o que são as techniques?

Techniques-Gaps

Outra denominação muito comum são as techniques (ou tech). As techniques definem em que local os jogadores de linha defensiva vão se alinhar antes da jogada. Quando ele está em 0-tech o center está a sua frente. Quando o jogador está alinhado com o ombro de dentro do guard será 1-tech, na frente do guard será 2-tech e assim por diante. Na imagem acima está descrita a denominação dos gaps e embaixo o números das techniques. Se um defensive end alinha-se na frente do left tackle, por exemplo, ele estará na 5-tech e pode defender tanto o B-gap quanto o C-gap – dependendo de suas responsabilidades antes do snap.Techniques

Normalmente, técnicos gostam de utilizar uma denominação, assim como jogadores para se posicionarem em campo, um pouco diferente – como na imagem acima. A denominação assim visa maior simplicidade para se comunicar com relação à linha ofensiva: se o jogador está posicionado na frente de um jogador de linha, a tech será um número par. No ombro mais externo ao center será um número ímpar e no ombro mais perto ao center será o número par com um i, de interior. É muito mais simples de processar a informação dentro de campo e nos treinos, porém a imprensa prefere utilizar a denominação da primeira imagem que fica um pouco mais didática – e simples de se escrever.

As techniques são importantíssimas na preparação de um front seven. Muita gente acha que defensive ends ou defensive tackles são tudo a mesma coisa, mas não são. Em um 3-4 tradicional, 2-gap, os defensive ends ficam posicionados na 3-tech e na 5-tech (com o nose tackle na 0-tech) e possuem responsabilidades muito diferentes – é o posicionamento da imagem de destaque do texto. O 3-tech, normalmente, possui mais responsabilidades no jogo terrestre e o 5-tech precisa ser mais habilidoso no pass rush. Comumente defensive tackles que jogam na 3-tech não se adaptam tão bem a 5-tech. Já a Bear Defense (uma variação do 3-4) utiliza os dois na 3-tech e na Hidden Bear eles se alinham na 4-tech. Se não deu para entender, não se preocupe: falaremos muito mais disso quando abordarmos os sistemas defensivos, inclusive utilizando a Coaches Film. Esta primeira abordagem serve apenas para começar a entender os conceitos.

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Esse tipo de diferença também existe em fronts 4-3, por exemplo. Jim Schwartz é um cara que adora utilizar o seu front no wide nine, em que o nose guard se posiciona na 1-tech, outro defensive tackle fica na 5-tech e os defensive ends ficam na 9-tech – por isso wide nine. Este tipo de tática coloca muita pressão nos linebackers e safeties em situações de corrida (já deu para ver que eles vão possuir muito mais responsabilidades nos gaps), conquanto faz com que os defensive ends tenham mais potência na hora do pass rusher – e também dificultam o contato inicial dos jogadores da linha ofensiva.

Já em um 4-3 mais tradicional, existe um defensive tackle na 1-tech (o nose guard) e um na 3-tech (mais habilidoso no pass rush), com os defensive ends posicionados na 5-tech ou um pouco mais externos – dependendo da leitura defensiva. Por fim, existem esquemas mais exóticos, como o 4-3 over, e fronts híbridos, que misturam muito o 1-gap e 2-gap, que posicionam seus jogadores de maneira única.

Agora que deu para pegar a noção dos gaps e techniques (é só praticar, não há muito segredo), é possível avançar no básico sobre os sistemas defensivos e ofensivos – afinal as jogadas terrestres e os bloqueios das linhas ofensivas também se baseiam nestes conceitos. Nos próximos textos vamos abordar um pouco mais sobre os sistemas 4-3 e 3-4, assim como sobre subpackages defensivos e muito mais.