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Nos últimos anos, temos acompanhado algumas tendências de escolha dos times nos Drafts da NFL, as quais se dão principalmente devido às tendências do próprio jogo: por exemplo, uma maior valorização de jogadores de linha ofensiva e defensiva, além de uma desvalorização de running backslinebackers. Com o crescente foco no jogo aéreo, cresceu muito a importância de se buscar, principalmente, o “franchise offensive tackle”, ou seja, o pilar na proteção do blind side do quarterback.

Em uma rápida olhada nos últimos quatro Drafts temos o seguinte cenário: foram 14 offensive tackles escolhidos nas dezesseis primeiras escolhas (primeira metade) – oito deles no top 10. Além dos homens que jogam nas extremidades, foram mais três offensive guards entre essas dezesseis primeiras escolhas. Destaque para 2013, quando tivemos três tackles nas quatro primeiras escolhas, com mais dois guards até a décima.

A classe do Draft de 2017 certamente é reconhecida como uma das mais recheadas de talentos nos últimos anos. Contudo, é quase um consenso que este não é o melhor ano para reforçar a linha ofensiva. Indício disso foram os gordos contratos dados para jogadores das posições durante a free agency; Matt Kalil, Kevin Zeitler, Joel Bitonio e Ronald Leary Todos com contratos com cifras acima de 15 milhões garantidos.

Para se ter ideia, alguns analistas americanos apostam que esta será a primeira vez desde 1984 em que não teremos um offensive tackle escolhido nas dezesseis primeiras escolhas – ou, na prática, na primeira metade da primeira rodada. Mas o que faz essa classe tão fraca nesse aspecto?

Ataques do College x Ataques da NFL

A verdade é que ano após ano vemos uma maior distância dos estilos ofensivos entre o nível universitário e a NFL. Hoje em dia é muito comum vermos ataques alinhando grande parte do tempo em formação shotgun (quarterback presente algumas jardas atrás da linha de scrimmage, ao lado do running back) ou pistol (quarterback a umas três jardas atrás, com o running back mais 3 jardas atrás).

A read-option, eficientemente combatida pelas defesas da NFL (mais atléticas, complexas e com mais tempo para treinar do que aquelas dos College) é outra tendência bem presente, assim como a spread offense, sendo igualmente frequente vermos formações ofensivas com quatro ou mais recebedores. Esse foco no jogo aéreo acaba “estragando” os jogadores de linha ofensiva, visto que não desenvolvem suas habilidades de bloqueio de passe e corrida de maneira semelhante.

Outro aspecto importante é cada vez mais encontrarmos os times das universidades jogando com quarterbacks mais móveis do que passadores de pocket, aqueles correm com a bola com alguma frequência. Certamente isso consegue mascarar e minimizar eventuais falhas/deficiências de bloqueio – ao mesmo tempo que não força a curva de crescimento dos jogadores de linha, que não precisam “segurar” tanto nos bloqueios, pois o signal-caller pode resolver com as pernas (seja correndo ou extendendo a jogada para fora do pocket. Na NFL, contra defesas mais físicas e rápidas, isso nem sempre se torna uma boa ideia (Robert Griffin III e Colin Kaepernick que o digam).

No jogo profissional da NFL, sabemos que isso se torna bastante complicado, até porque o jogo também tem se tornado mais aéreo. Claro que os aspectos citados não justificam o fato da classe ser fraca, mas é uma tendência que certamente exerce e exercerá efeitos negativos nas próximas gerações de bloqueadores chegando à NFL.

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Os principais prospectos e os problemas

Já que a estamos dizendo que a classe de linha ofensiva é fraca, analisaremos um pouco o que ela tem de boa (ou não). Se nos últimos anos o Draft tinha de 3 a 5 nomes considerados “seguros” para a posição de offensive tackle, os principais nomes da classe levantam enormes dúvidas, e dificilmente algum time apostará alto em um jogador questionável para ser titular em seu primeiro ano.

Ryan Ramczyk, Wisconsin Badgers

Com um nome bastante complicado, o tackle da universidade de Wisconsin teve um ano excelente em 2016 e é discutivelmente a opção mais certa e segura para jogar na mesma posição na NFL. O grande problema é ter tido apenas uma temporada em Wisconsin em alto nível – antes jogava na terceira divisão do college. Ele impressionou em 2016, sendo um dos melhores do país abrindo espaço para o jogo terrestre, além de ter os atributos físicos (tamanho, peso e braços) para ser um tackle na NFL. Também mostrou-se atlético o suficiente para bloquear no segundo nível.

O questionamento fica em torno de sua agilidade, já que a tendência é encontrarmos pass-rushers cada vez mais rápidos na NFL (e nem tanto assim no college). Aliado a isso, teve apenas um ano de experiência em alto nível, atuando mais no jogo terrestre, o que derruba consideravelmente seu seu valor, visto que não é considerado viável para jogar como left tackle em um primeiro momento, mas apenas como right tackle (ao menos a princípio). A título de comparação, há quem diga que Ramczyk seria o quarto ou quinto tackle escolhido no Draft do ano passado.

Garett Bolles, Utah Utes

Bolles emergiu recentemente como uma das opções mais viáveis para ser titular na posição de left tackle (visto que Ramczyk deve encaixar melhor no lado direito). Durante o combine ele mostrou velocidade, agilidade e, principalmente, um corpo adequado para proteger o blind side. Somado a isso, demonstrou muita força e grande intensidade ao longo de todas as partidas.

O principal problema está em sua inexperiência, já que jogou apenas um ano no nível universitário. Outro ponto importante foi ter se demonstrado “perdido” quando bloqueando no segundo nível, principalmente devido à inexperiência. Assim, um nome que tem as armas para ser titular de cara, mas que não é uma escolha totalmente segura.

Cam Robinson, Alabama Crimson Tide

left tackle da estelar equipe de Alabama é tido como o melhor do país por muitos analistas. Suas características atléticas o fazem como um “projeto ideal” para um jogador da NFL. Muita força nos braços, atributos físicos (tamanho, envergadura e peso) ideais, capacidade de bloquear no segundo nível e muita agilidade para se mover e bloquear os mais habilidosos pass-rushers adversários são características que o fizeram dominante ao longo da carreira universitária – lembrando que foram 3 anos protegendo os quarterbacks de Bama.

O ponto é que, muitas vezes, Robinson não sabe como usar adequadamente suas virtudes físicas – a falta de técnica nos bloqueios o leva a cometer erros bestas e um número excessivo de faltas. Para piorar, tem problemas extra campo: foi preso ano passado. Nenhum time da NFL quer apostar uma primeira escolha em um jogador desse tipo. Mesmo sendo considerado por muitos a opção mais certeira, os problemas extra-campo podem fazer com que ele caia no Draft.

Forrest Lamp, Western Kentucky Hilltoppers

Jogando como left tackle, Lamp foi um dos melhores jogadores de linha ofensiva da última temporada do college. Entrou no combine na posição de tackle, mas saiu dele como guard. Mostrou um atleticismo impressionante para um jogador de seu tamanho, o que certamente subiu bastante seu valor, mas ao mesmo tempo está longe de ter o corpo ideal para jogar nas extremidades da linha ofensiva.

Isso certamente fere seu valor, visto que não deve jogar em sua posição original. Pequeno e com braços curtos, deve ser movido para guard ou até mesmo center, diminuindo seu draft stock. Ainda assim, pode até ser que seja escolhido na primeira rodada por ter impressionado os scouts, mas não será um protetor do blind side no futuro.


“RODAPE"

Quem sairá primeiro?

A verdade é que nenhum dos nomes é considerado unanimidade: cada um dos prospectos citados apresenta seus pontos positivos e negativos, os quais cada time pesará na balança. Um time com menor necessidade pode apostar em um deles para o futuro, enquanto outro pode escolher Robinson acreditando que o jogador está livre de problemas extra-campo. Equipes como o Seattle Seahawks e o Denver Broncos, extremamente carentes na linha, podem acabar apertando o gatilho para qualquer um deles que estiver disponível. Enfim, é nítido que nenhum deles é uma escolha certa até mesmo para a primeira rodada.

Provavelmente a grande necessidade de algumas equipes na posição de offensive tackle pesará e algum(uns) dos prospectos deve(m) acabar sendo escolhido(s) relativamente cedo, já que há uma escassez. De toda sorte, está claro que, ao menos como prospecto, não há um Ronnie Stanley, Jack Conklin, Brandon Scherff ou Greg Robinson.  Ou seja, um jogador que com certeza será escolhido em um top 15. Se tivesse que apostar quem sai primeiro, diria que Ramczyk seja o nome mais “seguro”.

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“RODAPE"