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Tampa Bay fez uma aposta alta no Draft de 2015. Winston tinha mais potencial do que Mariota, tanto fisicamente quanto como conhecedor do jogo. Seu braço era mais forte, ele havia participado de esquemas mais complexos em Florida State, seus instintos eram melhores. Só que Winston se envolvia em muitos problemas extra-campo e, por causa disso, os Buccaneers fizeram uma aposta arriscada.

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O negócio começou mal. Winston comemorou a primeira escolha geral tirando uma foto com patas de caranguejo. O motivo da “piada”? Ele havia sido acusado, durante sua estadia em Florida State, de furtar caranguejos de um mercado local. Aliás, ele colecionou vários momentos bizarros durante a carreira universitária, como quando subiu na mesa do refeitório e começou a gritar frases obscenas. Isso lhe rendeu uma suspensão contra Clemson num jogo em que, aliás, apareceu uniformizado e virou uma distração para a sua equipe. Ainda no college, Winston passou por séria acusação de estupro – e chegou a um acordo na justiça com a vítima. Não que esse caso tenha mudado a sua percepção do mundo, visto que já na NFL, o quarterback falou que meninas tinham que silenciosas, gentis e educadas. Já os meninos? Esses poderiam ser o que quisessem.

E por que estou trazendo esse assunto todo de volta? Não é porque a temporada dos Buccaneers está sendo um desastre ofensivo e defensivo ou por que Winston teve um dos discursos mais bizarros para incentivar o seu time – lembrou o momento da Air Guitar de Donovan McNabb. Nesta semana, o franchise quarterback (?) do Tampa Bay Buccaneers foi acusado de abusar de uma motorista de Uber (em 2016) enquanto esperava comida em um restaurante mexicano. De acordo com a motorista, o passageiro (Winston) do carro tentou colocar os dedos no meio de suas pernas. “Não foi no meu estômago ou na minha coxa”, disse.

Tampa Bay disse que estava investigando o caso, Winston negou todas as acusações dizendo que ela pode ter se confundido com outros passageiros dentro do carro (depois foi visto que havia só duas pessoas no carro, desmitificando a narrativa do quarterback) e questão ainda deve trazer mais complicações. O foco não é (somente) esse, mas sim a tentativa de alguns membros da imprensa de tentar justificar esse bando de atitudes graves com a premissa que ele é uma pessoa “imatura”. Duvida? Olhe a manchete de uma matéria do Yahoo:

“Bucs provavelmente apostaram e perderam acreditando que Jameis Winston iria amadurecer” (tradução livre)

Abuso sexual não tem nada a ver com amadurecimento. Tem a ver com a sua conduta perante a sociedade. Kevin Spacey é um cara imaturo? E Al Franken (senador norte-americano)? A questão não é de amadurecimento caso tenha acontecido de fato, mas, sim, de desvio de conduta – ainda mais a quantidade de casos que possuem o mesmo denominador em comum.

Quando a imprensa esportiva tenta minimizar tais acusações com justificativas tão banais, eles não estão combatendo tal conduta crítica. É praticamente uma forma de passar a mão na cabeça, dizendo que o jogador é um imaturo que não consegue se segurar. Torna o abuso sexual banal, algo praticado por “imaturos” e não por adultos que deveriam assumir as responsabilidades pelos seus atos.

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Como fica a situação de Tampa Bay daqui para frente?

Os Bucs apostaram alto – primeira escolha geral – e não estão sendo recompensados. Dentro e fora de campo. Algumas atitudes (como de comer o W antes do jogo) colocam, ao menos, em dúvida o quão bom líder é Jameis Winston dentro do vestiário. Ele estar FORA DO JOGO e ir provocar Marshon Lattimore com seu time perdendo por 27 pontos é mais uma prova da sua incapacidade (até aqui) de ser uma boa liderança dentro do grupo – não é uma atitude que um líder de respeito deveria ter, ainda mais da maneira que a derrota havia se desenhado.

Voltando à acusação de abuso, ele pode ser punido de alguma forma pela NFL no próximo ano – no qual, mais uma vez, seu time estaria no processo de tornar-se relevante novamente. Será um prejuízo enorme, mas merecido. Apesar da impunidade que permeia os atletas de alto nível, a NFL, caso provado o abuso, pelo menos consegue algum tipo de justiça com alguns jogos de suspensão.

No fim das contas, Winston está virando mais uma dor de cabeça do que solução para Tampa Bay. Com uma comissão técnica sem controle de seu vestiário, a franquia acaba tomando a cara de seu quarterback: desorganizada dentro de campo, inconsistente e que deixa a desejar tamanha a qualidade de seu elenco. Com tantas falhas no processo, é totalmente justificável essa temporada decepcionante que Tampa Bay vem tendo. E o futuro não é promissor, a não ser que aconteça uma reviravolta com as peças atuais (muito difícil) ou alguma atitude drástica seja tomada – já passou da hora.

Já Winston, bom, esse vai se transformando em um quarterback de muito talento e pouca produtividade. Vai virando mais um exemplo de que não adianta talento se o jogador só arruma problemas fora de campo e não é um bom exemplo para o grupo.

Fato é que mesmo que Winston não tenha feito nada e que a acusação não seja provada, todo seu histórico – e Tampa sabia disso em abril de 2015 – corroboram para que problemas como esses surjam. Supondo que a vítima esteja mentindo: alguém acreditaria nela se Winston tivesse a conduta que se espera de um general/líder em campo? Provavelmente não. Esse é o grande ponto. Agora, caso ela esteja falando a verdade e que o fato reste provado, aí o problema vai além. Não é mais questão que versamos aqui no site, sobre esporte: é falta de caráter mesmo.

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