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Na semana passada, Jameis Winston esteve envolvido em mais uma polêmica fora de campo. Dessa vez, foi anunciada sua suspensão de três jogos por conta da acusação sobre um assédio sexual cometido em 2016. Na época, pouco se falou do caso de Winston e muitos questionaram a veracidade dos fatos narrados pela vítima. Imediatamente após a investigação vir a público, Winston negou as alegações com uma declaração que foi aceita por muitos, mesmo já tendo sido alegado de cometer dois estupros enquanto estudava em Florida State.

Nove meses depois do caso vir a público a NFL resolveu suspendê-lo. Winston em acordo com a NFL aceitou a pena e soltou outra declaração sobre o caso, dessa vez com um teor muito mais anuente. A suspensão branda de três jogos da NFL causa dúvidas na forma como a liga define as suas punições, leia mais sobre no do Antony Curti.

Alguns ainda defendem Winston justificando como ele tem sido um grande exemplo para a comunidade de Tampa Bay e como ele cresceu desde que era apenas um prospecto universitário com um grande potencial. Porém, não devemos ignorar as acusações apenas por outras boas ações. Seria muito mais fácil se fosse assim.

Na primeira declaração de Winston, ele negou as alegações. Nela, afirmou que estava com outros dois amigos (Brandon Banks e Ronald Darby), logo, contrariava o que a motorista disse sobre o caso quando ele era o único passageiro e “chegou perto de mim e agarrou a minha virilha”. Ronald Darby emitiu uma declaração confirmando que estava com Winston no carro. Porém, no dia 22 de Junho, o advogado de Brandon Banks contradisse a nota afirmando que “Jameis estava sozinho depois de ficar intoxicado e indisciplinado na boate em Arizona.” A investigação da liga também concluiu que Ronald Darby não esteve no carro durante a viagem inteira.

Depois de tudo isso junto com os outros casos em Florida State, Winston simplesmente perde o benefício da dúvida.

Na realidade, passou longe de ser a primeira vez que ele demonstrou algum tipo de imposição de vontade sobre as mulheres – independente do que elas querem, acham ou pensem. O caso de Winston discursando numa escola para crianças da quinta série, dizendo que “homens devem ser fortes e as mulheres devem ficar quietas, educadas e disciplinadas” é muito assustador e valida ainda mais o que aconteceu no episódio da viagem de Uber. Para uma figura pública e estrela da NFL falar isso abertamente enquanto dá conselhos para crianças não mostra o seu crescimento como pessoa.

Voltando para dentro do campo

Porém, é dentro de campo que esse será direcionado e analisá-lo como jogador e não como indivíduo, dado que já houve textos assim aqui no ProFootball.

Por ter sido a primeira escolha geral e Marcus Mariota ser o jogador escolhido em seguida é normal haver comparações entre os dois jogadores. Apesar de Mariota ter levado os Titans aos, é necessário compararmos a qualidade da divisão dos dois jogadores. A AFC South é considerada por muitos como a pior divisão da NFL nos últimos anos, já a divisão de Winston, a NFC South é uma das mais fortes inclusive com dois quarterbacks que já ganharam o prêmio de MVP e o outro é Drew Brees. Por isso, a comparação com Mariota não será feita nesse.

Desde a época de FSU, era comentado sobre a mentalidade agressiva (dentro de campo, vamos separar as coisas aqui) que Winston tinha em arriscar muitas jogadas. Sua quantidade alta de interceptações também sempre preocupou. Quem acompanhou aquele Draft lembra que foi o maior assunto acerca das qualidades técnicas sobre Winston. Por Jameis ser um jogador muito jovem, Tampa Bay acreditou na capacidade de evolução do quarterbackque ele diminuísse essas interceptações. Quem olha as estatísticas nuas e cruas, acredita que isso aconteceu na temporada passada quando ele teve apenas 11 interceptações, quatro a menos com o seu primeiro ano e sete em comparação com temporada retrasada.

O problema é que esses números frios não refletem a realidade

A realidade é que Jameis Winston teve uma temporada de muita sorte, pois ele teve oito interceptações dropadas pelo defensor. Ou seja, ele lançou uma bola interceptável mas o adversário não conseguiu assegurar a interceptação. Com esse número, ele ficou atrás apenas de Kirk Cousins e Matthew Stafford (com nove).

Vamos a análise de algumas dessas interceptações:

A primeira que eu separei é um jogo na semana 4 contra os Giants. No momento da jogada, Tampa Bay está na frente por 13 a 3 no terceiro quarto. Os Giants usam uma zone na qual o safety Landon Collins vai pra blitz e o defensive Jay Bromley recua e marca em zona. Winston não estava preparado para isso e no momento que Collins passa pelo meio da linha ofensiva, solta a bola em desespero para evitar o sack, lançando na mão de Bromley. Bromley, que não está acostumado a fazer jogadas na bola, dropa o passe e a interceptação. A interceptação aqui deixaria o Giants já em condições de chutar Field Goal e deixar a partida em apenas uma posse de bola.

Agora na semana 5 contra os Patriots com dois minutos e meio para acabar o segundo quarto. Tampa está atrás no placar por 10 a 7, Winston força uma bola que não deveria forçar para Mike Evans. A defesa do Patriots está em uma Cover-1 com Duron Harmon lendo os olhos de Winston o tempo inteiro e começa a se mover antes mesmo da bola sair. A bola fica muito tempo pendurada e Harmon dropa a interceptação. Jogada com decisão ruim e posicionamento ruim da bola.

Na semana 13, contra os Packers, com o placar de de 7 a 3 para Tampa Bay no segundo período, Jameis Winston força uma bola para Mike Evans em uma janela extremamente fechada e não consegue colocar a bola onde queria após sair do e lançar em movimento. O passe é dropado por Josh Hawkins, cornerback de Green Bay e Tampa agradece por ter chutado o punt.

Para finalizar, na semana 14 contra os Lions, Winston cometeu novamente o erro de forçar demais. Desta vez, ele teve uma sorte dobrada, pois dois jogadores tiveram a oportunidade de capitalizar no erro. Darius Slay que estava em zona em uma Cover 3 lendo os olhos dele, identifica bem a jogada e tenta pular na frente para ficar com a bola, acaba dropando e sobrando para o novato Jarrad Davis, que erra a recepção.

Leia mais:   🔒 História, 2003: Liderados por Manning, Colts anotam 21 pontos em 4 minutos e viram sobre Tampa Bay

É improvável acreditarmos na ideia de que Jameis Winston será cortado pois Tampa Bay não deve fazer isso. Lembremos que Big Ben foi acusado duas vezes de assédio sexual (2009 e 2010) e também não foi dispensado do seu time, sequer chegou perto disso – porém, Big Ben já era campeão do Super Bowl. Jameis ainda não se desenvolveu em campo como Ben Roethlisberger, mas fora de campo segue os passos de um péssimo exemplo.

Se Winston quiser ser como Big Ben dentro de campo, precisa se desenvolver mais nas próximas temporadas para que muitos relevem o fora de campo, como infelizmente foi relevado com o quarterback de Pittsburgh.

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