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Neste ano, sem dúvida, o jogador cujo destino vinha gerando mais especulação é o do quarterback Kirk Cousins. Cousins, que vinha de dois anos seguidos jogando em Washington sob a franchise tag, finalmente estaria livre para escolher em que equipe jogar. E não faltavam potenciais pretendentes. New York Jets, Buffalo Bills, Denver Broncos, Arizona Cardinals e Minnesota Vikings se destacavam como os principais interessados nos serviços do quarterback.

Aparentemente, a equipe escolhida por Kirk Cousins foi o Minnesota Vikings. Cousins deve ir a Minnesota amanhã para assinar um contrato revolucionário dentro do padrão da NFL. A oferta dos Vikings é de um contrato de 3 anos, com o valor de 84 milhões de dólares, TOTALMENTE GARANTIDO. Ou seja, mesmo que Cousins se machuque, perca a posição de titular, vire astronauta ou mesmo seja cortado, o jogador receberá os 84 milhões.

Hoje trazemos uma análise sobre o histórico contrato de Kirk Cousins, tanto no que representa para o jogador (e os demais atletas da NFL) quanto para a equipe. Vejo um contrato que pode ser bastante arriscado para os Vikings. Vamos em frente.

Um contrato revolucionário

Quando um acordo é anunciado entre um jogador e uma equipe da NFL, logo surgem números impressionantes, revelados com pompa e circunstância. No entanto, dentre os muitos milhões declarados à imprensa (particularmente por empresários que querem “se mostrar”), vários são números apenas virtuais. Grande parte do valor total dos contratos é composto por bônus de permanência no elenco e performance. Desta forma, se o jogador sofre contusões, perde a posição de titular (ou mesmo é cortado pela equipe), acaba não vendo a cor de boa parte deste dinheiro.

Nas outras ligas profissionais norte-americanas, particularmente a NBA e a MLB, os contratos dos atletas são, em sua maioria, garantidos. Ou seja, o número anunciado no momento da assinatura do contrato é o que vale, mesmo que o jogador não faça mais parte do time. Quando consideramos o poder monetário da NFL, é difícil explicar como seus atletas são menos remunerados que seus correspondentes em outras ligas.

Claro que fatores como o tamanho dos elencos e o teto salarial, entre outros, contribuem para esta realidade. Mas nunca houve nada que impedisse a negociação de um contrato totalmente garantido. E, nesta intertemporada, Kirk Cousins utilizou todo o seu poder de barganha para garantir a remuneração completa: 84 milhões de dólares em 3 anos.

Aliás, a duração do contrato é outra vantagem para o quarterback. Ao término do vínculo com os Vikings, Cousins terá 32 anos, idade próxima do auge para a posição. Ou seja, mais uma oportunidade para negociação de um contrato bastante lucrativo.

O impacto do contrato garantido de Kirk Cousins deve começar a ser sentido rapidamente na liga. Quarterbacks de alto patamar que estão em negociação para renovação, como Aaron Rodgers e Matt Ryan, certamente estão de olho no acerto de Cousins com os Vikings, e devem buscar contratos similares (e possivelmente mais lucrativos) do que o ex-jogador de Washington.

De início, este impacto deve ficar restrito aos quarterbacks, pelo valor e importância da posição. No entanto, este deve ter sido apenas o primeiro passo. Outras posições de muito valor, como edge rusher ou wide receiver, podem começar a ter contratos garantidos. Jogadores como Jadeveon Clowney e Odell Beckham muito provavelmente vão querer entrar nessa brincadeira. O fato inegável é que, com o contrato com o Minnesota Vikings, Kirk Cousins entra, imediatamente, para a história das relações trabalhistas na NFL.

Mas esse contrato (igual a tudo na vida) tem outro lado. É o que vamos analisar agora.

Um contrato arriscado

Já falamos aqui sobre quão revolucionário é o contrato de Kirk Cousins com os Vikings. No entanto, o acordo traz um risco considerável para o time. É claro que um franchise quarterback nunca vai sair barato. Este é o jogador que pode fazer a diferença entre um bom time e um time que vai chegar ao Super Bowl. Com a qualidade do elenco dos Vikings, sem dúvida uma melhora na posição de quarterback busca dar esse passo final, na busca pelo título que a equipe não tem até hoje.

Agora, a pergunta de um milhão (ou melhor, de 84 milhões): Kirk Cousins é este franchise quarterback?

A temporada 2017 do quarterback em Washington deixou mais dúvidas do que certezas. Cousins terminou o ano com pouco mais de 4000 jardas aéreas, 27 passes para touchdown e 13 interceptações, além de um (bom) rating de 93,9. Subjetivamente, entretanto, a avaliação da performance do quarterback é mais complicada.

De acordo com alguns dos principais mecanismos de avaliação subjetiva de performance de quarterbacks, Kirk Cousins não foi muito bem. Na análise do Football Outsiders, baseado em performance individual com relação à média (o famoso DVOA), Cousins foi apenas o décimo oitavo melhor quarterback da liga. Já na avaliação do Pro Football Focus, que mescla estatísticas com avaliação do vídeo, o quarterback ficou na vigésima colocação. Nada muito auspicioso.

É claro que isto não diz tudo. Entre 2016 e 2017, Washington perdeu jogadores importantes, com destaque para os recebedores DeSean Jackson e Pierre Garçon (este, particularmente, sempre o melhor amigo do quarterback, com seu raio de recepção impressionante). O desempenho de Kirk Cousins (e do time como um todo) claramente sofreu com as perdas, principalmente quando consideramos que os recebedores substitutos (Terrelle Pryor e Josh Doctson) não foram bem em 2017.

Ainda assim, Kirk Cousins mostrou sinais positivos ao longo do ano. Aqui mesmo no Pro Football, na Análise de Quarterbacks, descrevemos como Cousins vinha, apenas na análise do vídeo, tendo um desempenho melhor do que em temporadas anteriores. Mais paciente no pocket, respondendo melhor à pressão e tomando decisões melhores. Apesar disso, a diminuição das armas ofensivas expôs os problemas do quarterback, particularmente referentes à precisão intermediária e aos passes de toque.

Quem leva o quarterback, recebe o pacote todo. E é isso que os Vikings receberão (a um preço bem salgado).

É claro que estamos falando de uma equipe com elenco muito talentoso, tanto na defesa quanto no ataque. Ao contar com recebedores do nível de Adam Thielen e Stefon Diggs, além do running back Dalvin Cook e de uma linha ofensiva que foi muito bem em 2017, Minnesota pode dar a Kirk Cousins a estrutura que ele precisa para ter seus melhores momentos na liga. Ter um coordenador ofensivo como o talentoso John DeFilippo pode também contribuir bastante para um bom desempenho de Cousins.

Esta certamente é a expectativa da direção e torcida do Minnesota Vikings. A aposta é que, com Kirk Cousins, a equipe consiga chegar ao Super Bowl em uma (ou no máximo duas) temporadas. Até porque, com um contrato deste tamanho, logo os Vikings terão problemas para renovar contratos, particularmente das suas estrelas defensivas. Jogadores como Anthony Barr, Shariff Floyd, Danielle Hunter, Eric Kendricks e Stefon Diggs, por exemplo, serão free agents em 2019. Vai faltar espaço no teto salarial pra segurar todo mundo.

Então, podemos dizer que os Vikings apostaram todas as suas fichas em Kirk Cousins, considerando que o quarterback é um grande avanço diante da perspectiva de renovar com Case Keenum ou Teddy Bridgewater (que seriam bem mais baratos). A sorte está lançada. Resta saber se será um lançamento preciso de Kirk Cousins ou não.

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