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Ainda não havia nada oficial, mas tudo indicava que Josh McDaniels, passado-futuro-presente coordenador ofensivo dos Patriots, deveria mesmo ser o novo head coach dos Colts. Indianapolis não pode fechar formalmente a contratação enquanto New England estiver vivo nos playoffs, porém toda a mídia norte-americana já cravou o acerto entre o treinador e a franquia, então podíamos imaginar que o anúncio é uma mera formalidade. Os próprios Colts anunciaram e… Bem, McDaniels deu para trás – declarando que permanecerá como coordenador ofensivo do New England Patriots (e futuro sucessor de Belichick?).

Como o anúncio oficial era uma mera formalidade – pelo menos parecia – preparamos este texto há duas semanas. Ele foi publicado como texto exclusivo de nosso Clube de Benefícios, o ProClub (dê uma olhada depois, certamente vai atenuar sua saudade da NFL nos próximos meses). Com a arregada de McDaniels, decidimos atualizar o texto para o futuro do pretérito e publicá-lo de forma aberta para todos nossos leitores. Como teria sido esse casamento entre McDaniels e Luck?




McDaniels chegaria para substituir Chuck Pagano, demitido após um 2017 desastroso. Pagano se segurou por seis anos no cargo, embora muita gente já quisesse seu cabeça há pelo menos uma ou duas temporadas. Seu ápice como técnico aconteceu em 2014, quando os Colts conseguiram chegar até a Final de Conferência. De lá para cá, porém, a equipe nunca mais foi ao mata-mata e amargou campanhas, no máximo, medianas.

Esta teria sido a segunda experiência do ex-atual-futuro coordenador ofensivo dos Patriots como head coach. Entre 2009 e 2010, foi treinador principal dos Broncos – lá, ele acabou se saindo muito mal e foi demitido antes mesmo de terminar sua segunda temporada no cargo. Além de ostentar um pedestre record 11-17, a principal mácula da seu passagem foi ter selecionado Tim Tebow na primeira rodada do Draft – Tebow era prospecto de terceira rodada e olhe lá.

McDaniels, contudo, parece ter deixado para trás as desconfianças e os problemas da época dos Broncos e, graças ao seu excepcional trabalho coordenando o ataque de New England, tornou-se um dos nomes mais valorizados no mercado de treinadores – e há pelo menos uns dois anos. Sua chegada prometia significar uma revolução em Indianapolis, no sistema ofensivo e sobretudo na carreira de Andrew Luck.

O que alguém como McDaniels pode significar para um quarterback como Luck?

Antes de mais nada, é preciso esclarecer algo: estamos assumindo que Luck se recuperará plenamente da lesão no ombro que o afastou dos gramados em 2017. Segundo informações, a franquia está otimista, a recuperação segue dentro do esperado e a situação clínica de Luck não deve ser um problema em 2018. Porém, esta era exatamente a mesma conversa às véspera do início da temporada regular passada e todo mundo sabe o fim dessa história, então é sempre bom ficarmos com o pé atrás.

Luck enfim contaria com a ajuda de um verdadeiro guru ofensivo

Voltando ao assunto principal, a chegada de McDaniels significaria que Luck pela primeira vez na carreira terá a companhia de uma mente ofensiva muito conceituada. Na verdade, o quarterback trabalhou com Bruce Arians em seu ano de calouro – Arians, aliás, foi head coach interino por 12 partidas enquanto Pagano lutava contra um câncer – mas foi uma experiência rápida e sem continuidade. Pagano é um treinador com raízes defensivas e os coordenadores ofensivos dos Colts de 2013 para cá (Pep Hamilton e Rob Chudzinski) não são profissionais acima da média. Ou seja, Luck enfim contaria com a ajuda de um verdadeiro guru ofensivo.



A expectativa era que McDaniels trouxesse estabilidade para esse ataque e implemente um sistema que, além de ser muito produtivo em termos de pontos, favorecesse as principais qualidades de Luck. Não devíamos esperar que ele replicasse exatamente o que foi feito em New England nos últimos anos, mesmo porque Luck e Tom Brady são quarterbacks completamente diferentes. Ao invés disso, a tendência era do treinador criar algo moldado à realidade dos Colts. E McDaniels aparenta ser o mestre nesta arte, haja vista o ataque dos Patriots parecer um camaleão que se adapta à qualquer situação.

Mas será que McDaniels é isso tudo mesmo ou com Tom Brady under qualquer um pode se dar bem? Essa seria a pergunta de um milhão de dólares.

Bem, é difícil separar criador e criatura. É claro que tudo é mais fácil quando você tem no time aquele que é, discutivelmente, o melhor quarterback da história, porém não podemos esquecer como o ataque dos Patriots sempre é competitivo, mesmo quando Brady não está em campo. Uma das maiores provas de competência de treinador foram as boas performances de Jimmy Garoppolo e Jacoby Brissett em 2016. Ademais, Brady também é ajudado por atuar em um esquema muito focado em potencializar suas principais virtudes. Por fim, não custa lembrar que McDaniels é um dos melhores “chamadores de jogada” da NFL.

Em suma, as perspectivas eram ótimas para o futuro Luck. Caso volte a ser o jogador que era antes do agravamento da lesão no ombro, ele teria todas as condições para atingir seu pleno potencial (estabilidade, um bom sistema ofensivo, um técnico que sabe tirar o melhor de seus atletas etc.). Com McDaniels, Luck poderia ter  os anos mais produtivos da carreira daqui para frente, assim como ocorreu com Brady sob a tutela de McDaniels (2006-2008 e 2012-2017), e enfim se torne um signal caller que inquestionavelmente faça jus à primeira escolha geral do Draft. Talento para isso ele tem de sobra, só faltava os Colts pararem de ser uma franquia tão bagunçada.

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E o resto do ataque?

McDaniels já contaria com seu franchise, o que sem dúvida é a peça mais importante do quebra-cabeça, mas fora isso ele teria bastante trabalho pela frente. A linha ofensiva, no geral, continua sendo um caos, Frank Gore fará 35 anos e, com exceção de T.Y. Hilton, o corpo de recebedores é bastante raso de talento. Ou seja, o novo-ex técnico teria como missão resolver de uma vez por todas a situação nas trincheiras, buscar um novo running back carregador de piano (mesmo que Gore volte em 2018, ele não durará para sempre) e trazer novos wide receivers – profundidade na posição costuma ser uma marca dos Patriots.

Por outro lado, Indianapolis tem um recebedor top de linha em Hilton, um tight end competente agarrando passes em Jack Doyle e Marlon Mack, o protótipo do running back dinâmico que costuma brilhar no sistema ofensivo de McDaniels – espere o segundanista sendo bem mais importante em 2018. Esta provavelmente seria a espinha dorsal do ataque daqui em diante.



Ok, e agora?

Bom, saindo do futuro do pretérito e indo para a realidade, McDaniels fica nos Patriots e os Colts retomam a busca por uma mente para comandar a carreira de Andrew Luck depois do Furacão Pagano. Frank Reich, coordenador ofensivo dos Eagles na temporada passada, é um dos favoritos – mas outros nomes devem aparecer.

Pela falta de produtividade do time nos últimos anos e tendo Andrew Luck como pilar da franquia, a tendência é que Indianapolis contrate um treinador de mente ofensiva – o trauma com Pagano certamente guiará Chris Ballard nessa direção. De certa forma, não há nomes tão fortes como McDaniels ainda no mercado – mas certo é que qualquer nome é melhor do que um cara que sequer queria ficar no time.

Quando os Colts se decidirem e tiverem um head coach para chamar de seu, faremos uma nova versão deste texto. Mas, em vez do futuro do pretérito, no futuro do presente.

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