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É notório que, em 2017, o ataque do Atlanta Falcons teve uma queda de produção em relação à temporada anterior. Foram 800 jardas e 25 touchdowns a menos que na temporada regular de 2016. A média de pontos caiu de 33 para 22 por jogo. Muito disso deveu-se a saída do coordenador ofensivo Kyle Shanahan (que se tornou head coach do San Francisco 49ers), mente brilhante por trás do ataque de 2016.

Steve Sarkisian veio de Alabama para ser seu substituto e foi muito questionado, especialmente por suas escolhas de jogadas. Matt Ryan também teve uma queda de rendimento justo no ano que o time perdeu Matt LeFleur, treinador de quarterbacks de Ryan nas temporadas 2015 e 2016. Foi com LeFleur que Ryan deu o grande salto rumo a elite da posição na liga. O aspecto “ressaca pós Super Bowl”, onde perderam um título que estava em suas mãos, com certeza também pesou.

Os problemas na red foram constantes conforme já explicado pelo Curti. Além disso, o time foi o com maior número de drops na temporada e teve problemas em profundidade, conseguindo menos big plays que o habitual.

Mesmo assim, a equipe venceu 10 jogos na temporada regular e foi ao playoffs. No anotou 26 pontos e derrubou a sensação Los Angeles Rams, só perdendo num jogo duro no divisional round para os Eagles, futuros campeões.

Cravo aqui sem medo: A unidade ofensiva dos Falcons é uma das melhores da NFL, com talento e profundidade em todos os setores. Mesmo num ano não tão explosivo, teve muitos pontos positivos como veremos a seguir.

Play-Action: a arma fatal dos Falcons

O ataque foi o oitavo da liga em jardas, provando que por mais que problemas tenham ocorrido não existe motivo para desespero. Houve equilíbrio entre o jogo aéreo e terrestre, com o time sendo o oitavo com mais jardas por tentativa de corrida.

Uma das coisas em que os Falcons mais foram bem sucedidos foi no uso do play action. A equipe foi a décima terceira que mais usou o artifício como forma de ludibriar as defesas. Porém, foi a quinta que mais obteve sucesso.

Isso se deve a alguns fatores essenciais, como um bom jogo corrido que obriga a defesa a respeitar as investidas terrestres e a boa capacidade dá linha ofensiva em proteger o quarterback, mesmo inicialmente executando movimentos de corrida.

Outro fator é a sincronia entre Ryan e seus recebedores. O recebedor tem que criar a janela rapidamente e o passe ser rápido, antes que os defensores identifiquem a jogada e fechem os espaços na cobertura.

Um exemplo claro abaixo. Os Falcons estão num personnel 21 (dois running backs e um tight end) em campo, com Matt Ryan under. Levine Toilolo, tight end pouco utilizado recebendo passes, está alinhado como o recebedor mais aberto na direita do ataque. Antes do snap ele é chamado em motion para ficar ao lado da linha. Essa movimentação traz o linebacker Freddie Bishop (50) para o box e faz com que o safety Jamal Adams (33) fique atento a sua ação.

Assim que a jogada começa, toda linha ofensiva se move para direita, e Matt Ryan finge entregar a bola para o running back Devonta Freeman. Isso é o suficiente para fazer Adams dar um passo adiante e titubear. O cornerback Darryl Roberts (27) está encarregado da lateral do campo e pensa contar com o apoio de Adams no meio. Esse simples passo em falso do safety foi o necessário para que Julio Jones, fazendo uma leitura corretíssima do espaço, ganhasse suas costas e recebesse o passe.

Notemos que o passe ficou um pouco atrás de Jones. Isso se deve em grande parte ao fato dê a primeira leitura de Ryan ter sido na esquerda. Quando ele se voltou a Jones foi necessário apressar o lançamento, sem ter a base adequada.

Outro ponto importante a ressaltar é que mesmo que a cobertura em profundidade estivesse boa, Ryan tinha duas opções curtas completamente livres na direita com Devonta Freeman e o fullback Derrick Coleman.

O que já vimos na pré-temporada

A tônica de produtividade deve continuar. Na última sexta, os Falcons enfrentaram os Chiefs pela semana 2 da pré temporada. Ryan foi para o passe sete vezes e completou cinco. No play action foram duas tentativas, com 100% de aproveitamento: um passe de quatro jardas para e um de 16 jardas para first down.

Um fator que colaborou decisivamente para que o ataque dos Falcons se mantivesse vivo durante a temporada foi sua capacidade de converter terceiras descidas. Nenhum time converteu mais que os Falcons na temporada.



Grande parte desse sucesso se deve ao bom trabalho da linha ofensiva. O time foi o terceiro que menos cedeu sacks na temporada toda, com apenas 24.

Ponto a ser destacado também é capacidade de Matt Ryan em lidar com a pressão. Mesmo sendo o sexto quarterback que mais enfrentou blitzes na temporada passada, ele conseguiu uma média de 8,6 jardas por tentativa contra blitz.

Terceiras descidas são situações em que os coordenadores defensivos adoram mandar blitz. A lógica está em não deixar o quarterback ter tempo para fazer qualquer leitura e matar a chance de que ele esteja confortável para buscar um recebedor que possa conseguir o first down. Qualquer terceira descida acima de 3 jardas na NFL dos dias de hoje é uma situação clara de passe e o risco de uma blitz é iminente.

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Sendo assim, o bom trabalho em identificar a pressão (tanto do quarterback quanto da linha ofensiva) e o fato de saber se ajustar e explorar suas fraquezas como os Falcons fizeram são dignos de palmas.

Na jogada a seguir vemos um pouco de tudo isso. O time está numa terceira descida para seis jardas na sua linha de 20. O personnel em campo é o 11 (um running back e um tight end), mas a formação inicial tem 2 recebedores em cada lado, inclusive tendo o tight end alinhado como slot. Ryan está em shotgun, com o running back na sua esquerda.

Pré snap, ele chama o motion do wide Nick Williams (15) da esquerda para direita, fazendo assim uma formação com três recebedores. Isso serve para Ryan identificar a cobertura e ela fica clara. Com Williams se movendo para direita o safety Jordan Poyer(21) recua para o meio do campo fundo e o safety Micah Hyde (23) desce para linha de scrimmage na esquerda do ataque. Essa movimentação é conhecida como cloud, deixando evidente a intenção de marcação mano a mano para o quarterback.

Ryan, então, para e aponta o linebacker Matt Milano (58) como um blitzer. O center Alex Mack e o running back Devonta Freeman também fazem alguns ajustes e o bloqueios se encaixam perfeitamente.

Quatros homens fazem a pressão pela esquerda da linha ofensiva e são bloqueados. Na direita apenas um jogador faz o rush e é contido pelo right Ty Sambrailo (74). O guard Wes Schweitzer (71) fica livre para ajudar Mack a dobrar contra Marcell Dareus (99). Ryan tem o pocket limpo a seu dispor para identificar as melhores opções, onde entra seu rápido processamento do jogo.

Sua primeira leitura é no tight end Levine Toilolo (81) no meio do campo, mas ele está bem coberto. Rapidamente ele volta para direita do campo, onde vê Williams com espaço após uma rápida rota out, a duas jardas da primeira descida. O passe sai firme, no lado de fora do recebedor (ou seja, sem chance de ser interceptado) e ele só precisa ganhar com as pernas as jardas faltantes. Menos de 2,5 segundos com a bola na mão e Ryan conquista a primeira descida, coisa comum na temporada.

Por outro ângulo, para facilitar a visualização do trabalho da linha.

Tudo é lindo então?

Como podemos notar, o ataque dos Falcons precisa de correções pontuais. Sarkisian deverá estar mais familiarizado com a NFL na sua segunda temporada e sua sincronia com Ryan deve melhorar. O time escolheu no draft passado o wide Calvin Ridley, o melhor da posição na última classe.



A última dupla de wide receivers de primeira rodada que os Falcons tiveram foi Julio Jones e Roddy White. Em cinco temporadas juntos, eles anotaram o fabuloso número de 62 touchdowns. Agora existe a chance dê a história se repetir com Jones sendo o mentor de Ridley numa nova dupla explosiva.

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Portanto, não é de se duvidar que pelo meio da temporada possamos novamente estar ouvindo o nome de Matt Ryan na briga pelo MVP da temporada, Ridley sendo apontado como calouro ofensivo do ano e assim por diante.

Talento existe em quantidade acima da média. Basta que os ajustes sejam feitos para que o ataque dos Falcons volte ao seu lugar na elite da NFL.