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Se você fosse o general manager de uma franquia da NFL, o que faria se o vínculo com o seu melhor defensor estivesse acabando? Detalhe: o defensor em questão é um dos principais pass rushers da liga, ainda é jovem e, ao que tudo indica, está chegando ao seu auge técnico.

Você provavelmente faria o possível para renovar, de preferência pelo maior tempo possível, certo? Se a sua resposta for sim, você já é uma pessoa mais sensata e razoável do que Reggie McKenzie e Jon Gruden, os atuais mandachuvas dos Raiders.

É claro que estamos falando do imbróglio entre Oakland e Khalil Mack, mas vamos por partes.

Recentemente, vieram a público relatos sobre como a relação entre o linebacker e a franquia está tensa e arranhada. Em suma, o jogador quer assinar um contrato de longa duração, o qual certamente o tornaria o defensor mais bem pago da NFL. A equipe, por sua vez, não quer firmar um novo acordo agora.

Até aí tudo normal, mesmo porque existem inúmeros atritos desse tipo entre atletas de elite e times. Entretanto, o que deixa essa história inacreditável e nos faz perguntar “O que diabo os Raiders estão pensando?” é a notícia de que eles não conversam com Mack desde fevereiro. Khalil está no quinto e último ano do seu contrato de calouro, logo, em teoria, se tornará free agent na próxima intertemporada. Por que Oakland não está pelo menos negociando com o cara eleito duas vezes first team All-Pro, três vezes Pro Bowler, jogador defensivo do ano em 2016 e que foi quase literalmente a defesa da equipe nas últimas quatro temporadas?

Em suma, o jogador quer assinar um contrato de longa duração, o qual certamente o tornaria o defensor mais bem pago da NFL. A equipe, por sua vez, não quer firmar um novo acordo agora.

Pois é, ninguém tem ideia do porquê. O máximo que podemos fazer é especular alguns motivos – a maioria deles relacionados à Jon Gruden. Ademais, também podemos analisar o impacto dessa situação em curto prazo e no futuro do jogador com a organização.

Mack está certo em fazer greve enquanto Oakland não sentar para conversar com ele

Há algumas semanas, dissecamos aqui no ProFootball a controvérsia entre Le’Veon Bell e Pittsburgh Steelers. A conclusão foi que as duas partes tinham motivos válidos para agir conforme estavam fazendo. Bell tinha o direito de exigir um contrato mais valioso, pois é o melhor (ou, se você não concordar, pelo menos há de convir que é o mais completo) de todos na sua posição. A franquia, por outro lado, tinha suas razões para não querer dar um caminhão de dinheiro garantido, justamente devido às especificidades e à desvalorização financeira na posição de running back. Trata-se de um conflito de interesses sem lado certo e errado.

No caso de Mack e Oakland, contudo, a balança pende para o lado do jogador.

Ele merece uma extensão contratual com um gordo aumento de salário e os Raiders estão errados em não fazer o possível para que isso se concretize. Além das honrarias individuais citadas antes, tenha em mente que Khalil foi responsável por quase 32% das pressões totais do time em 2017. Oakland derrubou os quarterbacks adversários 31 vezes no ano passado, sendo 10,5 sacks de Mack. Na verdade, o linebacker foi o responsável 36,5 dos 94 sacks conseguidos pelo time de 2015 para cá. Além disso, ele também tem um desempenho de elite combate o jogo terrestre e não possui histórico relevante de lesões ou problemas extracampo.

Ou seja, Mack é um dos melhores de todos atuando na segunda posição mais importante do esporte – nos dias de hoje, o valor de um edge rusher para uma defesa equipara-se quase ao de um quarterback para o ataque. Ele sabe disso e tem toda a razão de fazer greve enquanto não se sentir devidamente valorizado pela franquia. O protesto começou nas OTAs, passou pelo Minicamp, atingiu o Training Camp e, ao que tudo indica, seguirá até próximo ao início da temporada regular.

Não é difícil imaginar mais ou menos quanto o linebacker deseja. A base para seu novo contrato é o vínculo de seis anos, 114 milhões totais e 70 milhões garantidos assinado por Von Miller em 2016. Assim como Khalil em 2018, o jogador dos Broncos tinha 27 anos de idade quando firmou o acordo. As estatísticas e a função dentro de campo também eram parecidas. A única diferença era o fato de Von Miller ter acabado de conquistar um Super Bowl. Mack, porém, tem poder de barganha para um acordo ainda mais rico, pois o valor médio dos contratos e o salary cap aumentou bastante de dois anos para cá.


“Falta de interesse” dos Raiders é o que chama a atenção

Enfim, não estamos dizendo que chegar a um denominador comum é uma tarefa simples, sobretudo com cifras tão astronômicas envolvidas. O problema reside no fato de Oakland não ter sentado para conversar com seu principal jogador há vários meses. Isso dá a impressão que a franquia não dá a mínima para ele e não faz questão de tê-lo por perto, o que pode criar uma situação insustentável e irreversível.

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Por exemplo, Odell Beckham Jr. quer estabelecer um novo patamar no mercado de wide receivers. Ainda não conseguiu, mas vem treinando normalmente porque os Giants estão se esforçando para renovar com ele e um acordo parece ser questão de tempo. Ou então temos ainda o exemplo de Aaron Donald. O defensive tackle também está fazendo greve enquanto busca um novo contrato, porém não existe muito drama em Los Angeles, haja vista a franquia ter vindo a público e dito que pretende transformá-lo no defensor mais bem pago da NFL.

Além de não negociarem, os Raiders, por sua vez, assumiram um tom de confronto ao invés de tentarem se reconciliar com a sua estrela. Recentemente, Gruden parece ter dado uma leve alfinetada em Mack quando disse: “Nós não fomos muito bem na defesa ano passado mesmo com Khalil Mack. Nós não tivemos uma interceptação, eu acho, o ano todo. Não sei se interceptamos um passe até a semana 14. Nós temos que ter um melhor pass rush, temos que jogar melhor na defesa, ponto final. E nós esperamos que Khalil esteja aqui, mas por ora, temos um monte de caras que precisam trabalhar”.

A impressão – a nossa impressão – é que o novo head coach assumiu uma postura do tipo “ninguém é insubstituível e só contaremos com quem quiser estar aqui”. A menos que Gruden seja maluco – não vamos trabalhar com essa hipótese (ainda) – ele sabe a importância de Mack para o time e obviamente deseja ter o defensor de volta o mais rápido possível, mas por enquanto não quer dar o braço a torcer com o novo contrato, talvez para mostrar sua autoridade e provar que ele é quem manda – aliás, segundo informações, ambos não se falam desde janeiro. Janeiro!!!

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Claro que existe também a questão financeira em si, pois Oakland agora tem pouco espaço livre no salary cap, o que dificulta a concretização de uma renovação multimilionária desse porte, porém, mesmo se não for possível fechar negócio em 2018, a franquia poderia estar mostrando um pouco mais de boa vontade pelo menos conversando com o seu atleta.

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O que a greve significa em 2018? Há chance de Mack ir embora na próxima temporada?

Em curto prazo, não existe muito motivo para preocupação.

Mack receberá mais de 13 milhões de dólares em 2018, valor da cláusula de quinto ano exercida por Oakland. É uma quantia considerável e ele dificilmente abrirá mão dela estendendo a greve durante a temporada regular. O pior que pode acontecer é o defensor se apresentar um pouco fora de forma e ritmo ao término do Training Camp, precisando de uma ou de duas semanas para readquirir sua forma física ideal – assim como ocorreu com Le’Veon Bell após a greve de 2017.

Fora isso e um possível climão com Gruden, não há razão para as coisas não se normalizarem quando o campeonato começar para valer. Talvez Khalil esteja menos motivado do que o comum? É possível, mas isso não significa que ele fará corpo mole ou algo do tipo, até porque jogar bem em 2018 é fundamental para conseguir um contrato milionário no futuro – seja em Oakland ou em outro lugar.

Sobre a possibilidade de Mack sair em 2019, é improvável de acontecer por causa da franchise tag. Mesmo se eventualmente não conseguir assinar um contrato de longa duração, será fácil para a franquia mantê-lo com o recurso emergencial. Em 2018, por exemplo, as tags de pass rushers como Ezekiel Ansah e DeMarcus Lawrence custaram 17,1 milhões. Ano que vem, taggear Mack sairia um pouco mais caro porque o preço da franchise tag cresce de uma temporada para a outra, mas ainda assim seria o óbvio a fazer.

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Na verdade, talvez fosse viável até mesmo aplicar a tag outra vez em 2020, mesmo com ela certamente passando da casa dos 20 milhões. O problema é que a franchise tag iniciaria uma guerra civil entre o jogador e a equipe, destruindo qualquer relação amigável ainda existente entre ambas as partes.

No caso, a única chance de Mack ir embora em 2019 seria se Gruden e o general manager Reggie McKenzie decidissem trocá-lo, já que perdê-lo de graça na Free Agency não é uma opção. Pode ter certeza que os urubus estão olhando de perto a situação e não faltariam candidatos para fechar negócio – entenda “urubus” como as outras 31 franquias da liga.

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