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Ao longo de toda esta primeira parte da temporada 2017, muito tem sido dito sobre a performance ruim das linhas ofensivas, e de que maneira isto afeta a produção ofensiva como um todo. Equipes como o New York Giants e o Seattle Seahawks são bons exemplos deste fenômeno.

O Green Bay Packers, ao menos em teoria, não se incluiria neste grupo. A equipe tem uma linha ofensiva de qualidade, já há alguns anos entre as melhores da NFL. Neste ano, entretanto, as contusões têm trazido problemas. Nas primeiras cinco semanas da temporada, a suposta linha titular não jogou junta em nenhum momento. Ainda assim, o que vemos é um time que mantém boa produção ofensiva.

Hoje o Pro Football traz uma análise sobre a maneira com que os Packers conseguiram rapidamente se adaptar aos problemas da linha ofensiva, permanecendo como um dos melhores ataques da liga. Como veremos, no papel, os planos podem parecer geniais, mas, na prática, quem faz a diferença é o fora de série.

Tem buraco na linha

Como falamos acima, a linha ofensiva dos Packers vem sendo uma das melhores da liga nos últimos anos. Para 2017, a unidade já começava com uma dúvida: o guard T.J. Lang, entre os melhores da liga, foi para o Detroit Lions, sendo substituído em Green Bay pelo veterano Jahri Evans. Mas o problema maior ainda estava por vir.

Desde a semana 1 da temporada 2017, os tackles titulares David Bakhtiari e Bryan Bulaga vêm perdendo jogos por contusões. Bulaga voltou no último domingo contra Dallas, mas o left tackle Bakhtiari segue de fora com problemas musculares. Mas não acaba aí. Os TRÊS reservas imediatos da posição sofreram contusões sérias, estando na lista de contundidos e, provavelmente, fora da temporada. Ainda que nenhum dos três (Don Barclay, Jason Spriggs e Kyle Murphy) esteja no nível dos titulares, seriam opções melhores do que a utilização de guards improvisados como tackles, que é o que os Packers têm utilizado.

Apesar disso, os resultados ofensivos da equipe seguem bons. Com 4 vitórias e 1 derrota, a equipe segue com bom desempenho ofensivo, estando entre os 10 melhores ataques da liga com relação a produção de jardas e pontos. Destaque para a produção nas terceiras descidas e na red zone, o que contribui para uma performance com relação à pontuação ainda melhor do que o ganho médio de jardas sugeriria. A seguir vamos ver como a equipe consegue isto mesmo com os problemas envolvendo os bloqueios.

Adaptação

Ao lidar com problemas relacionados à linha ofensiva, duas estratégias são logo consideradas. Mais tradicionalmente, as equipes se utilizam de formações fechadas, com tight ends e running backs posicionados para fazer bloqueios, sem correr rotas, ou ainda, antes de começar suas rotas, fazendo “chips” (bloqueios parciais para auxiliar os tackles). Esta estratégia obviamente facilita o trabalho da linha ofensiva, mas também limita as opções que o quarterback tem, já que menos recebedores elegíveis correm rotas.

No caso dos Packers, a opção de adaptação do sistema ofensivo foi outra. Em vez de fechar as formações e proteger a linha, a decisão foi por abrir mais opções. Com formações do tipo spread, com três ou quatro opções de recebedores, muitas vezes correndo rotas curtas, o quarterback pode se livrar da bola rapidamente. Devido ao “espalhamento” lateral dos recebedores, frequentemente os mesmos se encontram em cobertura individual, tendo a chance de, ao escapar da tentativa inicial de tackle, ganhar jardas após a recepção.

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Com recebedores experientes e de estilos diferentes, a estratégia tende a funcionar ainda melhor. Com o ágil Randall Cobb no slot, o corpulento Davante Adams e o versátil Jordy Nelson nas extremidades, além dos tight ends Martellus Bennett e Lance Kendricks, a equipe tem um arsenal de opções para achar os buracos na defesa.

Claro que esta estratégia tem limitações. É difícil manter o ritmo e a consistência apenas com ganhos pequenos de jardas. Sem as chamadas “big plays”, torna-se mandatório, para chegar à end zone, que a equipe consiga campanhas de mais de 10 jogadas, o que nem sempre é fácil. Outra questão importante é a resposta das defesas. Diante desta postura ofensiva, as defesas acabam optando por pressionar o quarterback com quatro jogadores, deixando a cobertura mais justa. Assim, em teoria, é mais difícil que os recebedores escapem dos defensores, limitando o avanço e a viabilidade do plano. Contudo, os Packers têm um fator que costuma desequilibrar estas questões. É o que vem a seguir.



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A pedra fundamental

Às vezes não dá pra fugir muito daquilo que é óbvio. No caso do Green Bay Packers, o óbvio em questão é que, se a equipe consegue se adaptar às condições adversas, é porque conta com um quarterback fora de série. Aaron Rodgers segue como o cérebro e o coração do ataque dos Packers.

Utilizando sua inteligência e conhecimento do jogo, Rodgers consegue, ainda antes do snap, modificar os esquemas de proteção, facilitando a vida da linha ofensiva. Após o snap, o quarterback toma decisões rapidamente, executando passes precisos com seu release quase imediato, aumentando a janela de manobra dos recebedores. Finalmente, mesmo com as restrições impostas pelos problemas da linha ofensiva, Aaron Rodgers é capaz de estender a jogada ao máximo, escapando da pressão mantendo os olhos direcionados para a frente do campo, buscando passes em profundidade ou mesmo ganhos de jardas correndo com a bola.

Claro que, mesmo para Rodgers, essa adaptação faz diferença. Seus números em 2017 comprovam a já citada dificuldade em conseguir big plays. O quarterback dos Packers apresenta números de jardas por passe, tanto “crus” quanto ajustados considerando sacks e interceptações, mais baixos do que a média da sua carreira. Além disso, a cada vez maior resposta adaptativa das defesas vai colocar pressão em um ataque limitado aos pequenos ganhos de jardas.

Desta maneira, fica a impressão de que a equipe do Green Bay Packers precisará expandir seu estilo ofensivo para conseguir se manter bem na temporada. Dois fatores sugerem que a equipe conseguirá fazer isto. O primeiro é a aparente evolução do jogo corrido. No último domingo, contra os Cowboys, o calouro Aaron Jones mostrou explosão e rapidez, ganhando 125 jardas em 19 corridas. Com o jogo corrido eficaz, é claro que o caminho fica mais aberto para o quarterback utilizar o play action, facilitando ganhos maiores de jardas. Finalmente, a perspectiva é que, no jogo da semana 6, contra o Minnesota Vikings, os tackles titulares voltem a jogar juntos. Com David Bakhtiari e Bryan Bulaga em campo, os Packers podem expandir seu sistema ofensivo, incluindo jogadas de desenvolvimento mais prolongado no pocket. Talvez então comecemos a ver um desempenho ainda melhor do ataque da equipe. Sempre sob o comando do fora de série Aaron Rodgers.

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