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De um modo nada surpreendente, o Los Angeles Rams é o único time ainda invicto na temporada 2018 da NFL. O time se recheou de estrelas ao longo da intertemporada, renovou o contrato das que já estavam no time e se transformou num palpite popular quando o assunto era o próximo Super Bowl.

Semana após semana, algum segmento diferente da equipe recebe os créditos de forma mais incisiva. Jared Goff tem jogado num nível excelente na primeira metade da temporada, assim como Todd Gurley se coloca como forte concorrente na briga por MVP. A linha ofensiva é considerada pelo Pro Football Focus a melhor da NFL até então. Na defesa, a junção de Aaron Donald com as chegadas de Ndamukong Suh e Marcus Peters – e do agora machucado Aqib Talib – causa medo nos adversários. A coaching staff, encabeçada por Sean McVay e Wade Phillips, faz um trabalho mais do que fenomenal.

O que – ou melhor, quem – muitas vezes passa desapercebido é o responsável por combinar todo esse elenco e coaching staff juntos e ainda assim adequá-los ao teto salarial. Les Snead, general manager da equipe, recebeu um número considerável de críticas ao longo do período Jeff Fisher, e foi uma relativa surpresa sua manutenção no cargo ao longo de todo o período de mediocridade que os Rams atravessaram com Fisher no comando. Agora que o time colhe os louros da vitória, Snead é muitas vezes o homem esquecido no fator reconhecimento.


Quando Les Snead assumiu o posto de general manager da franquia, ele esteve automaticamente atado ao também novo treinador Jeff Fisher. Snead trabalhou por mais de uma década no Atlanta Falcons no posto de scout, e em 2009 assumiu o cargo de Director of Player Personnel na mesma organização. Depois de três anos subordinado a Thomas Dimitroff, Snead se tornou oficialmente o general manager do então St. Louis Rams em fevereiro de 2012.

Para se ter uma ideia, os Rams haviam vencido, somadas, 15 partidas nas últimas cinco temporadas, com sete desses triunfos acontecendo na temporada de 2010. A missão dos novos membros da organização era extremamente espinhosa: embora o time tivesse em seu elenco um quarterback jovem para se construir o elenco à volta, o déficit de talento comparado ao restante da liga era intenso.

Para ajudar na resolução do problema, uma mão veio da capital americana: Washington, necessitando urgente de um franchise, trocou escolhas de primeira rodada de 2012, 2013 e 2013 com St. Louis, além de uma escolha de segunda rodada também em 2012. O time adquiriu capital suficiente para reconstruir seu elenco e, mesmo que nem todas as escolhas resultantes dessa troca tenham tido o resultado esperado (eu estou olhando pra você, Greg Robinson), é justo dizer que a troca foi mais proveitosa para o time então localizado no Missouri que para o time da capital americana – Alec Ogletree, Michael Brockers e Janoris Jenkins foram alguns dos jogadores resultantes do acordo.

Essa não foi a única troca de grandes proporções realizada por Snead ao longo de seu tempo como decision maker dos Rams. Em 2014, o time subiu na segunda rodada para selecionar Lamarcus Joyner depois de já ter adicionado Aaron Donald na rodada anterior. E o que dizer do acordo realizado em 2016? Na primeira temporada da organização de volta à Los Angeles após mais de duas décadas longe da cidade, os Rams subiram da 15ª para a 1ª escolha geral do Draft para selecionar um novo franchise após verem Sam Bradford falhar em corresponder as expectativas de liderar a franquia pelos anos seguintes. Para obterem o direito de selecionar Jared Goff, Los Angeles teve de ceder escolhas de primeira rodada em 2016 e 2017, duas escolhas de segunda rodada em 2016 e duas escolhas de terceira rodada – uma em 2016, outra em 2017. Extremamente agressivo, é claro; porém, absolutamente nenhum torcedor da equipe está insatisfeito com o preço pago, dado o quão bem o time está projetado em relação ao futuro.

Entretanto, a situação da franquia poderia estar bem diferente. Havia uma expectativa que, ao fim da temporada de 2016 – a mesma em que Jeff Fisher foi demitido antes de seu fim -, Snead também seria liberado de suas funções. Pesou a excelente construção do elenco e o fato de que o general manager não havia sido o responsável pela montagem da última comissão técnica. Mas o recado foi claro: se 2017 não fosse um ano produtivo para o time, seria o último de Les.

Dessa forma, a tão conhecida agressividade nas trocas quebrou também as barreiras da free agency. O time assumiu o fracasso no projeto Greg Robinson (segunda escolha geral do Draft de 2014, selecionado com uma escolha originalmente de Washington) e trouxe Andrew Whitworth de Cincinnati, reforçando substancialmente a posição de left; além disso, as chegadas de John Sullivan e Robert Woods se provaram movimentos extremamente acertados – o contrato dado a Woods foi bastante criticado inicialmente; hoje, é uma barganha. Na defesa, a franchise tag foi aplicada ao cornerback Trumaine Johnson, mesmo no preço de quase 17 milhões de dólares.

Mesmo com tudo isso, um movimento realizado naquela intertemporada se destaca por ter colocado a franquia anos à frente: Snead contratou Sean McVay, anteriormente coordenador ofensivo em Washington, transformando-o no head coach mais jovem da história da NFL com apenas 30 anos. O supracitado left Andrew Whitworth, por exemplo, chegou a Los Angeles com quatro anos a mais que seu treinador.

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McVay foi o responsável direto por modelar um ataque incrível, que foi de insosso e pré-histórico no período Jeff Fisher para divertido e explosivo com o novo treinador. Com um guru ofensivo tão competente no comando, não foi surpresa ver a evolução de Jared Goff em seu segundo ano, de modo que alguns mais empolgados consideraram-no um candidato ao prêmio de MVP da temporada. Do outro lado da bola, o coordenador defensivo Wade Phillips, que chegou a organização com mais que o dobro da idade de seu chefe, recebeu liberdade total para comandar a defesa da forma que achasse melhor: Phillips é notavelmente uma das mentes defensivas mais brilhantes que existem e não havia muito tempo que venceu o Super Bowl com o Denver Broncos.

Mesmo que o ano tenha terminado de forma melancólica (os Rams foram eliminados em casa pelo Atlanta Falcons no Wild Card Round), ficou claro que o time estava no caminho certo. E que isso só havia sido possível por decisões de seu general manager de longa data: pegue o Draft de 2015, por exemplo, quando o comentário de que “a posição de running back nunca esteve tão desvalorizada” estava em pleno vapor: Snead não teve medo de selecionar Todd Gurley com a décima escolha geral naquela classe.

E se 2017 teve uma boa, 2018 elevou o patamar dos Rams de um dos favoritos para time a ser batido. De fato, o time começou a intertemporada perdendo dois jogadores importantes em Trumaine Johnson e Sammy Watkins para a free agency, no entantoeles foram repostos a altura, com as trocas por Marcus Peters (por uma 2nd rounder de 2019) e Aqib Talib (por uma 5th rounder de 2018) reforçando a secundária e o acordo por Brandin Cooks (uma 1st rounder em 2018) adicionando ao ataque a arma em profundidade que o time esperava que Watkins tivesse se tornado. Outras trocas importantes foram a de Robert Quinn (Dolphins) e Alec Ogletree (Giants), abrindo um espaço considerável na folha salarial.

É importante lembrar que os Rams tem a commodity que pode se considerar a mais importante com relação a NFL: a presença de um franchise no elenco ainda em seu contrato de calouro, quando o valor é muito menor do que em seu(s) contrato(s) posterior(es). Goff tem baixo custo e, quando Quinn e Ogletree deixaram o time, o dinheiro foi suficiente para que Los Angeles desse all no projeto Super Bowl: a franquia assinou com o defensive Ndamukong Suh por 14 milhões de dólares, estendeu os contratos de Todd Gurley e Brandin Cooks por vários anos e, especialmente, finalmente resolveu a situação com sua principal estrela, o defensive Aaron Donald – que fez holdout buscando um novo contrato em 2017 e estava ausente dos Training Camps também em 2018 até acertar sua renovação.

Se preocupar com o futuro? Snead o faz, é claro, mas entende também que a janela para que o time mantenha esse elenco tão recheado é curtíssimo. Por exemplo, Goff se torna elegível para uma extensão contratual a partir da próxima temporada e, embora o time certamente a adiará por pelo menos um ano – por conta da opção de quinto ano disponível para os jogadores de primeira rodada -, sua renovação não sairá nem um pouco barata, dado o preço atual dos quarterbacks de elite na liga. As bases do elenco estão asseguradas por vários anos; o general manager dará um jeito de se adequar a Goff.

O exemplo no qual Les se inspira é justamente o atual campeão Philadelphia Eagles. Contando com a segunda escolha geral do Draft de 2016 – Jared Goff foi a primeira – no elenco, os Eagles investiram todas suas fichas no time em 2017 e foi recompensado com o título do Super Bowl ao fim da temporada. Quando Carson Wentz assinar sua extensão multimilionária, provavelmente em 2020, o time não terá mais a mesma capacidade de montar um elenco tão cheio quanto o do último ano.

Isso é importante? Sem dúvidas. Mas o fator mais importante para se chegar ao título é um franchise, e isso Los Angeles possui graças a agressividade de seu general manager. Não há dúvida alguma que, nesse momento, os Rams são o melhor time da NFL. Que jeito melhor seria de abrir o novo estádio, previsto para 2020, como um campeão recente e uma das potências da liga? O cenário é extremamente otimista para a organização nesse momento.

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