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É realmente difícil quantificar o tamanho do Super Bowl, de maneira cultural, para os Estados Unidos. Em termos nacionais, não existe um evento que pare tanto uma sociedade, que faça com que o foco esteja tão concentrado. Claro: existe a Copa do Mundo FIFA ou mesmo a final da UEFA Champions League – mas em todos os casos trata-se de competições que englobam corações dos mais diversos países. No caso do Super Bowl, trata-se de mais de 110 milhões de corações do mesmo país, pulsando junto. Mas, o que é Super Bowl? É o campeonato? Existe “final do Super Bowl”?

Objetivamente falando, é a final da NFL – mas já foi a “final de duas ligas”

A princípio, o que você tem que saber é que o Super Bowl é a final da NFL. Logo, não tem como ser “final do Super Bowl”, isto seria uma redundância. A origem do jogo se dá mais ou menos “emprestada” do beisebol. Em 1903, com a crescente rivalidade da mais velha, Liga Nacional (também chamada de Senior Circuit, algo como “liga antiga”) com a Liga Americana (que você já deve ter sacado que é chamada de Junior Circuit, ou “liga nova”), cria-se um tira-teima para que haja a definição de quem era o campeão dos Estados Unidos. A esta série final, se dá o nome de World Series.

Era necessária? Sim. Ambas as ligas já tinham um nível técnico parelho, de modo que o único modo para se definir quem era o melhor time no contexto da época era um jogo de pós-temporada. Na época (e isso só muda na década de 1990, para você ter uma ideia) os times das duas ligas sequer se enfrentavam durante a temporada regular. As duas ligas, de fato, eram entidades distintas. Guarde essa ideia e esse conceito, já vamos retornar nele.

O Super Bowl só foi possível com a popularização do Futebol Americano Profissional

A popularidade do Futebol Americano Profissional começa a crescer na década de 1950. Há vários motivos que turbinam essa popularidade, como a crescente “urbanização” da sociedade americana e a herança beligerante na sociedade pós-guerra. O caráter de “batalha” entre cidades do futebol americano começa a fazer sentido no nível profissional – no nível universitário, obviamente, já acontecia há bem mais tempo. De toda sorte, há alguns pontos mais relevantes para que a popularização se dê.

O primeiro deles foi fazer com que o jogo ficasse mais “limpo”, de maneira estética. Se você for assistir a vídeos de futebol americano nas décadas de 1930 e 1940, o jogo ainda é muito truncado e pelo menos 80% das jogadas são terrestres. Não existe o apelo do passe para frente, embora ele na prática já houvesse sido legalizado nas regras. Obviamente, não foi pela força que essa abertura aérea ocorreu: foi pelas vitórias. Com a ida dos Rams de Cleveland para Los Angeles – o que também colabora com a popularização da NFL, sendo a primeira liga profissional com presença de costa a costa – ocorre um vácuo de futebol americano profissional em Ohio – justamente o Estado “berço” do esporte.

É criado o Cleveland Browns, na AAFC – liga rival da NFL – na década de 1940 e seu técnico, Paul Brown, acaba sendo o responsável por uma abertura aérea do jogo. Com Otto Graham como seu quarterback, os Browns conquistam cinco títulos consecutivos – entre AAFC e posteriormente na sua entrada na NFL, após a AAFC “falir”. Como tudo na vida, o que dá certo é copiado: aos poucos o esporte começa a ficar com um viés um pouco mais aéreo – nem perto do que ocorre hoje, mas ainda sim o necessário para que haja maior apelo em massa. Com os Browns sendo “o time a ser batido”, naturalmente o interesse pela liga cresce.

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O segundo deles é a ascensão da TV como meio de comunicação em massa – não adianta o negócio ser legal se o máximo de pessoas não puderem assistir. Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde a televisão acaba crescendo apenas ao final da década de 1960, nos Estados Unidos já há uma presença forte de ABC, CBS e NBC nos lares americanos ao final da década de 1950. Tudo o que se precisava era um grande jogo para que o país testemunhasse que o esporte estava cada vez mais interessante e fluido. Foi o que a liga teve em 1958, na decisão entre Baltimore Colts e New York Giants. Veja: ainda não temos o Super Bowl, ele sequer existia em sonhos. De 1920 até 1958, tudo o que aconteceu ao máximo foram ligas pequenas que até chegaram a ameaçar – como a AAFC – mas que de fato não incomodaram o poder da NFL.

Johnny Unitas comanda o Baltimore Colts na final da NFL em 1958

Johnny Unitas comanda o Baltimore Colts na final da NFL em 1958

“A Maior Partida Já Jogada”

A final da National Football League em 1958 é denominada como “The Greatest Game Ever Played” (ou, a “Maior Partida Já Jogada”, em tradução livre). Não que tenha sido o melhor jogo da história – há vários outros tão ou mais legais. O grande ponto é que a final de 1958 entre Colts e Giants marca um paradigma: dali para frente começaria definitivamente uma escalada que culminou com o Futebol Americano Profissional em sendo o esporte mais popular dos Estados Unidos.

Empatado em 17 x 17 no tempo regulamentar, o jogo seria o primeiro jogo de pós-temporada da história da NFL a ir para a prorrogação de morte-súbita – ou seja, o primeiro time que marcasse seria o campeão. A regra de prorrogação daquela forma havia sido incorporada meses antes por Bert Bell, o comissário da liga. Pois bem; Cerca de 45 milhões de pessoas assistiram {à transmissão nacional da NBC – e ela poderia facilmente ter batido 50 milhões, só não bateu porque em hipótese alguma um jogo seria transmitido no mercado local da partida (no caso, Nova York, a cidade mais populosa dos EUA). Para se ter uma ideia, os Estados Unidos tinham cerca de 175 milhões de habitantes em 1958. É muita coisa para a época. Ao final de tudo, o quarterback Johnny Unitas comandou uma campanha perfeita na prorrogação, que terminou com uma corrida de uma jarda de Alan Ameche, garantindo o touchdown e título para Baltimore.

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Mas não só: a audiência massiva fez com que vários milionários abrissem os olhos para a possibilidade de ter uma franquia da NFL e lucrar com isso. O problema é que… Bem, a National Football League era um clube extremamente fechado. Mesmo. Os Rooney (Steelers), os Mara (Giants) e George Halas (Bears) estavam no controle daquele clube por décadas – e agora não iriam querer dividir o pote de ouro tão facilmente com “novos donos”, que não passaram pelos perrengues de manter uma franquia durante a Segunda Guerra Mundial ou com estádios vazios.

Sem espaço para uma expansão, Lamar Hunt, um milionário do petróleo no Texas, não teve outra saída senão fundar outra liga. Da mesma maneira que havia a liga mais antiga no beisebol – a Liga Nacional – e foi criada a Liga Americana, o futebol americano profissional viu em 1960 a criação da American Football League em oposição à National Football League.

AFL-NFL Championship Game – mas pode chamar de Super Bowl

De modo diferente às concorrências que a NFL viu em seus 40 primeiros anos de existência – notoriamente a AAFC, como já falado acima – a American Football League (ou AFL) não estava para brincadeira. Em junho de 1960, a AFL assinou um contrato de 2 milhões de dólares por ano com a ABC para transmissão de aproximadamente 37 jogos de temporada regular e mais a final (além de um All Star Game). A grande sacada da AFL para sua sobrevivência foi a divisão equânime desses valores para cada uma das oito novas franquias.

Nota do Autor: Este texto faz parte do primeiro capítulo do “Manual do Futebol Americano”, livro escrito com o foco de trazer do básico ao avançado sobre o esporte – daí seu contexto mais didático e básico, uma vez que está no início do livro. Você pode comprá-lo clicando aqui.

Outra grande sacada da AFL foi posicionar times em mercados consumidores grandes e que não tinham franquias da NFL – mais os dois maiores mercados consumidores, Los Angeles e Nova York (mas que não podiam ficar de fora devido ao seu tamanho). Na divisão leste, Buffalo Bills, Houston Oilers, New York Titans (posteriormente New York Jets) e Boston Patriots (posteriormente New England Patriots). Na divisão oeste, Denver Broncos, Oakland Raiders, Los Angeles Chargers e Dallas Texans. Os Chargers foram para San Diego no ano seguinte, dado que a concorrência com o já estabelecido Rams não faria sentido para o crescimento da franquia. Os Texans – sem relação com o Houston Texans atual – foram para Kansas City e se tornariam os Chiefs em 1963 – muito também porque a concorrência com o recém-criado Dallas Cowboys mais fazia mal para as duas franquias do que bem.

Com o dinheiro da TV e dos próprios milionários, começa uma escalada da AFL contra a NFL. Embora houvesse um acordo de “não agressão” em relação à contratação de jogadores veteranos por uma liga rival, isso obviamente não existia na questão dos calouros. Mais a frente, no capítulo da história do futebol americano profissional, mencionaremos mais sobre.

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A questão é que a AFL consegue a maior estrela universitária em 1965 – o quarterback campeão nacional de Alabama, Joe Namath. Os maiores privilegiados pela concorrência seriam, sem dúvidas, o público e os atletas – que receberiam propostas salariais cada vez maiores. Namath recebeu a proposta de 427 mil dólares em seus três primeiros anos de contrato – o que seria um record para o futebol americano profissional. Vendo que os salários só aumentariam e as duas ligas acabariam se explodindo – o exemplo de Guerra Nuclear entre URSS e EUA seria bem adequado até pelo contexto da época – NFL e AFL optam por se unir, numa fusão. Não como ocorreu na AAFC, na qual os Browns e os 49ers foram absorvidos pela NFL e o resto que se dane: todos os times seriam absorvidos numa “nova” NFL.

Para celebrar esse casamento entre essas duas ligas, ao final da temporada de 1966 ocorreria o AFL-NFL Championship Game, em Los Angeles. O Green Bay Packers (campeão da NFL) venceu por 35 x 10 o Kansas City Chiefs (campeão da AFL). Após nova vitória dos Packers sobre os Raiders no segundo ano de AFL-NFL Championship, a terceira edição viu Namath novamente sendo protagonista na história do Futebol Americano. Antes da partida contra o Baltimore Colts, o quarterback do New York Jets garantiu a vitória. Embora mesmo hoje isso soasse como algo ousado, na época era ainda mais – a AFL ainda era vista como uma liga “circense”, com seu jogo aéreo que não suportaria 60 minutos contra o smashmouth football físico e terrestre da NFL. Namath garantiu e venceu o jogo. Essa vitória, em janeiro de 1969, foi o que deu real legitimidade à fusão das duas ligas. Para se ter ideia, os Colts eram favoritos por 18 pontos em Las Vegas.

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Os dois primeiros jogos não receberam o nome de Super Bowl – isso começou a partir justamente da terceira edição, em janeiro de 1969. O nome veio de uma bola de brinquedo que a filha de Lamar Hunt tinha – a Super Ball. Pensando num nome que “pegasse”, Hunt teve a ideia de chamar o jogo assim. E pegou. “Bowl” é o nome dado aos jogos de pós-temporada do College Football desde o Rose Bowl Game – que assim é chamado porque era a partida que ocorria na pós temporada num estádio com formato de tigela (bowl) durante a Parada das Rosas (rose) em Pasadena, Califórnia.

O Super Bowl deixa de ser um jogo e se torna um espetáculo

Imagine que a NFL é um funil, em termos de que quanto mais avançado está o campeonato, mais interesse ocorre em dada partida. O Super Bowl nada mais é do que a parte mais afunilada do campeonato. Quando tudo termina. Logo, toda a audiência e interesse acumulado pela NFL acaba culminando no Super Bowl.

O futebol americano continua sua escalada nos anos 1960 para ultrapassar o beisebol, como já mencionamos no capítulo anterior. A grande diferença da final da NFL para as outras finais é que na madrugada do domingo para a segunda, todos nós sabemos quem será o campeão. Nos demais esportes americanos, temos a questão da série; Se uma série melhor de 7 (caso da World Series na MLB, por exemplo) está 3-2 no Jogo 6, não temos certeza que o campeão sai naquele dia. Se o time com duas vitórias chegar a 3, a coisa continua.

Isso tudo faz com que o Super Bowl seja um feriado. A final ocorrer no domingo – um dia que as pessoas não trabalham – acaba ajudando também. No caso dos outros esportes, há jogos das finais em dias de semana. Em resumo, existe uma concentração de interesse por parte dos americanos. Quando isso ocorre com o esporte para o qual eles mais se importam, a audiência não poderia ser outra senão os records que temos ano após ano.

Após a fusão em 1970, os times da AFL formaram a Conferência Americana (AFC) – adicionados de Colts, Browns e Steelers, para formar um número par e igual à NFC (formada pelos times da antiga NFL). A nova NFL teria seu Super Bowl disputado agora pelo campeão de cada uma das Conferências. Isso não quer dizer que o interesse diminuiu. Pelo contrário: na medida que o jogo ficou cada vez mais aéreo, mais aberto e mais disputado, maior ficou o interesse.

A ideia da AFL em dividir de modo igual as cotas de televisão foi adotada pela antiga NFL ainda na década de 1960. Quando da fusão, a ideia persistiu. Esse é um dos pilares que culmina no interesse pelo esporte. Trataremos de modo mais denso ao decorrer do livro, mas a ideia que persiste na NFL é que ao início da temporada cada um dos 32 times tem chance de vencer o título. Carolina Panthers e Denver Broncos foram os dois piores times da temporada 2010. Seis anos depois, fazem o Super Bowl.

Na medida em que os anos se passaram, cada vez mais a NFL começou a vender o jogo-único como um grande espetáculo, como a materialização do modo americano de se viver. Há vários conceitos da cultura americana que se inserem no futebol americano. Não é por acaso, por exemplo, que a especificação do futebol americano em relação ao futebol e ao rugby ocorre no mesmo período histórico da Marcha para o Oeste no Século XIX. Os pioneiros não faziam a viagem de uma vez: eles viajavam um pouco, paravam e se organizavam. Viajavam mais, paravam e se organizavam. Soa familiar ao sistema de downs no futebol americano?

Na década de 1990, o Super Bowl já está consolidado como o maior evento ao vivo da televisão americana. Faltam duas coisas acontecer apenas: a imersão da cultura pop no grande jogo e boas partidas acontecerem. O primeiro ocorre com mais frequência do que o outro.

Show do Intervalo e Super Bowls disputados: a consolidação

Nos primeiros 26 Super Bowls, o intervalo era um momento para ir ao banheiro, virar o hamburger na churrasqueira ou qualquer coisa do gênero. Bandas marciais ou personagens de desenhos eram os protagonistas. O que você faz quando está assistindo TV e fica entediado? Você muda de canal.

Pensando justamente isso, a recém criada FOX decidiu contra-atacar no intervalo do Super Bowl. A emissora não tinha os direitos de transmissão da NFL – como consequência, também não tinha que participar do “acordo de cavalheiros” de não colocar no ar qualquer coisa que atrapalhasse o Super Bowl. Exatamente na hora do intervalo, a FOX colocou no ar In Living Color, programa de esquetes com Jim Carrey e com os irmãos Wayans (que você deve conhecer do filme As Branquelas e com Damon Wayans o sitcom Eu, a Patroa e as Crianças). O programa foi um sucesso absoluto, dado que havia muitas pessoas assistindo TV – obviamente por conta do Super Bowl – e na hora do tédio elas foram para a FOX, voltando depois para o jogo.

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Para que isso não acontecesse de novo, em 1993 a NFL estabeleceu um “contra-ataque” ao “contra-ataque” de programação. No Super Bowl XXVII, realizado no Rose Bowl Stadium, haveria algo para as pessoas focarem e não mudarem de canal no intervalo. E quando a NFL entra em algo, ela não entra de qualquer jeito. A liga simplesmente chamou Michael Jackson para a performance do intervalo (foto acima).

Isso estabeleceu uma sequência de shows no intervalo. Sempre artistas pop, com o maior alcance o possível. Isso faz com que, quem já está assistindo, continue – porque conhece as músicas e porque elas tem caráter popular – e quem não gosta de NFL acabe assistindo por conta de não saber exatamente que horas o show começa. Uma receita de um bolo que já estava enorme e saboroso agora contava com a cobertura de chantily.

Faltava apenas a cereja do bolo. A Conferência Nacional deu seguidas pauladas no Super Bowl – de 1984 até 1996 só houve campeões da NFC. Mas não só: houve casos nos quais o grande jogo sequer foi equilibrado, como os 55 a 10 que os 49ers colocaram nos Broncos em 1989. A coisa começa a mudar de figura muito por conta do salary cap – um verdadeiro “dificultador de dinastias” e da Free Agency.

Com mais equilíbrio na liga, mais equilíbrio na final. Em 1999 o Tennessee Titans parou a uma jarda da vitória contra um time que vinha de nove temporadas seguidas com mais derrotas do que vitórias, os Rams. Em 2007, o New England Patriots chegou invicto ao Super Bowl e perdeu o título para o New York Giants, que sequer campeão de divisão havia sido. A década de 2000 e de 2010 nos propiciaram finais cada vez mais equilibradas, fazendo com que o jogo do ano seguinte “herdasse” um interesse cada vez maior.

No final das contas, o que o Super Bowl realmente representa?

Não é por acaso que o futebol americano tem nomes de alguns conceitos bélicos em seu vernáculo. Blitz, formação pistol, formação shotgun, scramble (ato dos pilotos britânicos de ir o mais rápido o possível para os aviões quando a base estava sob ataque inimigo). O esporte trata de uma conquista de território que é inerente a todo ser humano. A gente pode até não saber, mas já nasceu gostando de futebol americano. Basta conhecer o jogo e entendê-lo.

Da mesma forma que no Brasil e no resto do mundo as pessoas “nascem” gostando de futebol. O que ocorre é que a bola redonda é o que temos contato primeiro porque, simplesmente, é o esporte já estabelecido como o “de pai para filho”. Tanto o rugby, quando o futebol quanto o futebol americano tem em comum ancestrais comuns. Existem jogos de “território” com uma bola já na civilização Maia, na Dinastia Han – século I – na China e outros tantos exemplos. O mais notório talvez seja o calcio fiorentino, um jogo com bola no qual uma vila literalmente ia jogar contra a outra. Nesse jogo, tudo era válido para impedir que o oponente tivesse a posse de bola – até mesmo socos.

De uma forma ou de outra, a espinha dorsal de todos os “futebóis” é a questão da conquista de território e a “ludificação” de conceitos bélicos, tão inerentes ao ser humano quando sua própria existência. O primeiro momento no qual podemos diferenciar com mais clareza o ser humano dos outros animais é justamente quando ele começa a ter o anseio de fixar a posse de um dado território. E isso acontece como objetivo em todos os “futebóis”. No da bola redonda, o de conquistar a área adversária e colocar  a bola dentro do gol – e no futebol americano/rugby o de chegar na “área” do adversário. Não é por acaso que a Copa do Mundo de Rugby e a Copa do Mundo FIFA são os dois eventos, de apenas um esporte, mais assistidos do mundo. E não é a toa que o Super Bowl é o evento esportivo mais assistido dos Estados Unidos.

Mais do que a cultura americana, o Super Bowl é um dos eventos que representa o pináculo dos anseios mais humanos, de ter um lugar para chamar de seu – mesmo que seja a end zone adversária. Uma vez por ano, todos assistem para ver qual cidade leva a melhor numa batalha física que dura todo o outono. Exatamente igual aquela que aconteceu na China há dois mil anos, em Florença há 500 ou na Inglaterra há 200. O Futebol, seja na versão que for, é o esporte mais próximo de representar do que existe de mais humano. Por isso é o mais popular.

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