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Patriots interessados? Tentando explicar o rumor de Richard Sherman podendo ser trocado

Patriots interessados? Tentando explicar o rumor de Richard Sherman podendo ser trocado

Eu sinceramente não sei até que ponto isso é puramente pelo desejo da troca ou se há interesses escuros nos bastidores e entrelinhas. Conforme reportei na semana passada, o boato de que Sherman poderia ser trocado fazia sentido e não fazia ao mesmo tempo.

Por que trocar um jogador que é um dos mais dominantes na posição e que não passou dos 30 anos? Ainda mais quando o técnico do time disse que não vê troca acontecendo. “Não vejo nada acontecendo”, falou Pete Carroll há duas semanas. E aí, três semanas antes do Draft, o boato aquece de novo.

Se a chance era baixa antes, agora eu diria que é média-baixa. Porque ainda soa como blefe. Senão, vejamos: quais seriam os dois lados dessa troca? Seattle e New England? Hm.

Curiosamente, o New England Patriots ainda não conseguiu renovar contrato com Malcolm Butler. A primeira medida de Belichick e da diretoria patriota foi trazer um seguro de vida para o caso de Butler não renovar – tal qual fazem segundo com tight ends no caso de eventuais lesões (que sempre acontecem) de Rob Gronkowski. Mesmo com Stephon Gilmore chegando a peso de ouro, as negociações continuaram e Butler ainda não assinou o contrato.

Antes de mais nada, cabe esclarecer a situação de Butler e de seu contrato. Ele é um free agent restrito, muito por conta de como ele chegou aos Patriots – como não-draftado. Com isso, ele não pode simplesmente assinar com qualquer um: New England tem o direito de igualar uma eventual proposta de outra equipe e, caso não o faça, recebe escolha de Draft dessa equipe que “roubar” seu jogador.

Qual escolha? Isso é determinado em função do contrato inicial que os Patriots dão como primeira proposta a Butler. No caso de New England, foi a mais alta possível – uma tender equivalente a uma escolha de primeira rodada. Assim sendo, caso os Saints quisessem Butler, teriam que dar-lhe um caminhão de dinheiro e mais pagar a “compensação aos Patriots”. New Orleans pulou fora.

E nada de Butler assinar. Como tirar seu poder de barganha? Richard Sherman. 

Isso tudo em realidade parece uma tarde de poker por Bill Belichick. O homem é “macaco velho”. Ele não vai dar overpay num jogador que não considera núcleo do time, tal como Dont’a Hightower. Ademais, o exemplo recente da década passada – Ty Law, Asante Samuel, Lawyer Milloy – mostra que Belichick não costuma (mesmo) pagar mais do que acha que deve para cornerbacksdefensive backs como um todo.

Ao mesmo tempo, parece blefe porque os Patriots já não tem muita munição para uma eventual troca por Sherman – visto que gastaram escolhas no topo do Draft por Kony Ealy e Brandin Cooks. Vão mandar o quê para Seattle? Linha ofensiva, que é uma necessidade dos Seahawks? E deixar um quarterback sem linha eficiente, tal como aconteceu no primeiro mês de temporada em 2014? Não parece lógico. Não pareceria Belichick.

E o que Seattle ganha com isso?

Pode ser que o “episódio Darrelle Revis” esteja ecoando forte na cabeça de Pete Carroll e de John Schneider, general manager do time. Revis tem 31 anos e seu declínio no ano passado foi MUITO forte. Sim, o elenco dos Jets não ajudava – e a equipe não tinha dois safeties como Kam Chancellor e Earl Thomas lhe ajudando. Mas muitas das falhas de Revis em 2016 foram culpa dele mesmo – sendo queimado em marcação individual. A idade chegou.

Sherman tem 29 anos, é o segundo jogador mais bem pago dos Seahawks e importa em mais de 10 milhões de dólares na folha neste ano e no próximo. Sherman, tal como Revis, tem como principal virtude a marcação individual. Esse parece o motivo “principal” para essa história surgir. Ademais, Sherman jogou boa parte da temporada passada machucado. E  – a exemplo dos Patriots – há algo não dito nas entrelinhas.

Tal como para New England, podemos estar diante de um blefe aqui. Qual foi o principal combustível da carreira de Richard Sherman? Talvez este vídeo faça com que você se recorde.

“Sou o melhor cornerback do jogo. Quando você me testa com um pífio recebedor como Crabtree, é isso que você vai ter. Nunca mais fale sobre mim”.

Quatro anos depois, Michael Crabtree está no Oakland Raiders, Colin Kaepernick desempregado e Richard Sherman pode ser trocado. Será? Será que a diretoria dos Seahawks não está blefando para colocar fogo na mente de Sherman e fazê-lo jogar como nunca? O “jogo de morde e assopra”/”bad cop and good cop” que Carroll e Schneider estão fazendo indicaria isso. Carroll fala que não vê troca acontecendo. Schneider diz que “estão ouvindo propostas”. Só eu acho isso estranho?

“Eles estão fazendo com que pareça que não precisam dele. Este é o mesmo jogador que todos duvidaram e negaram, dizendo que ele era muito alto, muito lento, que seus quadris não eram bons o suficiente, quinta rodada [do Draft]. Essa é uma nova motivação que Richard vai usar. Ele vai ficar tipo “Você acha que pode me trocar?!”, disse o irmão de Sherman à NFL Media.

Pete Carroll sabe trabalhar elencos. Esse é o treinador que foi O CARA do college football na década passada em USC. Vestiário é com ele mesmo. E, lembrando, Sherman foi, digamos, uma pequena distração no ano passado. Chiliques na sideline, entrevistas coletivas que não pareciam “bater” com as instruções do treinador. Não é como se Seattle ligasse para equipes e perguntasse: querem Sherman? Não. Num mercado raso de free agency para a posição, os times que estão ligando. Pode ser New England blefando ou New Orleans com uma intenção real depois do negócio com Butler ir por água abaixo. Seattle está aproveitando como pode. Sinceramente – e comentando/assistindo a vários jogos – nos quais ficou nítido que “o outro cornerback fora Sherman” era um problema enorme, trocar Sherman AGORA não parece uma saída boa com o que sobra no elenco de cornerbacks e com Earl Thomas voltando de grave lesão. Eu posso estar errado, claro. E a troca pode acontecer  – como disse, neste momento diria que a chance é média-baixa. Mas não soa normal.

Os próximos capítulos da novela se desenrolarão em função dos Patriots conseguirem assinar com Malcolm Butler ou não. Caso o cornerback responsável pela heróica jogada no Super Bowl XLIX não assine/faça greve, você ouvirá falar mais de Sherman nos Patriots.

Por ora, ainda soa como boato. Considerando o cenário – Patriots não tem tantas escolhas altas para trocar por Sherman e New Orleans tendo apenas 7 milhões de espaço no teto salarial com Drew Brees em ano final de contrato – parece blefe de todo lado. Vejamos se alguém paga esse blefe ou se a história morre. Tudo depende de Butler.

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