Plano de jogo ofensivo dos Seahawks foi um desastre

Isso não tira o mérito de Dallas, mas a vacilação tem que ser cobrada

Uma das muitas possíveis definições de loucura e fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. Assim pode ser resumido o péssimo plano de jogo do Seattle Seahawks na noite de sábado passado. Após praticamente uma semana, a poeira já baixou, já vi o jogo de novo e mantenho minha conclusão: Brian Schottenheimer, coordenador ofensivo de Seattle, chamou uma das piores partidas da NFL em 2018-2019.

Parece grave dizer isso, mas todo o contexto aponta para tal. Por contexto: sabe qual era o pior técnico na temporada 2017 em saldo de pontos do primeiro para o segundo tempo? Chuck Pagano. O grande problema de Pagano nos Colts era, como a estatística bem demonstra, não fazer ajustes no intervalo e, na maioria dos casos, seguir com o estabelecido antes da partida.

No caso de Seattle no sábado passado, foi nessa toada.

Antes de mais nada, contexto novamente. A maior virtude do Seattle Seahawks é o jogo terrestre e ele não deveria ser abandonado completamente – não estou pedindo isso. Afinal, deu certo a temporada inteira. Além disso, o demérito na falta de criatividade e mudanças no plano de jogo não apaga a ótima partida defensiva que o Dallas Cowboys fez. Como há muito digo, é uma das três melhores defesas da NFL.

De toda forma, precisamos endereçar o elefante na sala.

O Erro 1: Tratar Russell Wilson como se ele fosse Tyrod Taylor

É bem verdade que o DNA ofensivo do Seattle Seahawks se dá no jogo terrestre. É assim na Era Pete Carroll/Russell Wilson com Marshawn Lynch antes e agora também. Aliás, os piores anos do time foram justamente quando o jogo terrestre não funcionava. Sem ele, a defesa adversária podia ir com mais vigor para cima de Wilson, dado que não precisava se preocupar tanto com a corrida. O resultado, com a péssima linha ofensiva de Tom Cable, era desastroso.

Porém, insistir na ideia mesmo quando ela não dá certo me soa um tanto quanto errado.

Para começo de conversa, a defesa dos Cowboys cedeu 3,8 jardas por tentativa terrestre em 2018. Com isso, foi a quinta melhor unidade da NFL no quesito. Não é como se Seattle, embora tivesse o melhor jogo terrestre da liga em jardas por jogo, não estivesse esperando um muro pela frente. Até porque… Isso aconteceu antes! Na Semana 3, os Cowboys limitaram os Seahawks a 3 jardas por carregada. Tipo, não é como se fosse uma grande surpresa que o jogo terrestre não fosse funcionar. Ignorar isso e correr como se não houvesse amanhã para cima dessa ótima defesa é, no mínimo, subestimar os Cowboys.

Então, qual seria a alternativa? Bom, antes de mais nada, um dado para você refletir. Qual o da NFL que lidera a liga em passes para contando as duas últimas temporadas? Você pode estar inclinado a falar Patrick Mahomes, Jared Goff ou mesmo Tom Brady. Pois saiba que é Russell Wilson.



Então uma boa alternativa contra uma boa defesa terrestre seria… Usar o, certo? O mais assustador é que quando os Seahawks fizeram isso tiveram bons resultados na partida. E, mesmo assim, insistiram em corridas nos momentos mais inapropriados. Os passes de Russell Wilson tiveram 8,3 jardas por tentativa. 21 corridas dos RBs de Seattle tiveram 2,8 jardas por tentativa, conforme notou Warren Sharp.

Se você tem um de elite como Russell Wilson, use-o passando a bola em vez de correr de maneira tão óbvia o tempo todo. Se alguma coisa no plano de jogo não dá certo, você muda de acordo com o desenrolar da partida. O futebol americano é um esporte de ajustes e contra-ajustes. Faltou isso no sábado.

Erro 2: Mesmo correndo, cadê a criatividade?

O Seattle Seahawks não teve a melhor unidade terrestre da liga em jardas por jogo simplesmente correndo que nem loucos para cima da linha defensiva adversária. Se você pegar jogos do time na segunda metade da temporada, viu que houve certa variação de corridas. Wham, Trap, Power, Toss.

Na partida de sábado o que se viu foi um festival de obviedades. Em sua maioria, as corridas executadas foram em “power”. Ou seja: o offensive do lado oposto da corrida sai de sua posição original e vai ajudar nos bloqueios. A defesa de Dallas lotou o defensivo e conseguiu conter isso.

A leitura da defesa de Dallas – novamente, com muito mérito – fica diagnosticada pelo seguinte: os Cowboys limitaram os Seahawks a 29 jardas após o primeiro contato defensivo. Em 24 corridas, isso significa que o time não conseguiu mais de duas jardas após o primeiro contato – porque tava toda a defesa esperando o jogo terrestre. Ou seja: obviedade absurda.

Erro 3: E o?

Não surpreende que o seja tão usado pelo Los Angeles Rams. A defesa adversária tá louca pra arrebentar o Todd Gurley, foca nele e acaba deixando espaços enormes para o passe após o. Não por acaso, além de bem usado, o PA é muito usado pelos Rams – o time que mais o faz na temporada e que deve fazer a mesma coisa no sábado contra os Cowboys.

Um erro conceitual comum, mitificado por John Madden nos anos 1980 e 1990, é que você “tem que correr para abrir o passe”. Ou, ainda, que “times que correm bem ganham mais”. Em ambos os casos, o Football Outsiders já falou extensamente sobre o assunto e eu também falo no capítulo final de meu livro. 

Você não precisa correr bem para abrir o passe, de maneira que a defesa fique em cima e morda o. Basta correr. No segundo caso, times que correm bem ganham mais – especialmente em pós-temporada – porque no último quarto conseguem proteger lideranças e solidificar essas vitórias queimando cronômetro. Não é causa/efeito correr o tempo todo e vencer. É correlação.

Embora tenha tido uma excelente defesa neste ano, os Cowboys tinham como fraqueza o. Os Cowboys cederam 72% de passes completos no PA nesta temporada, 5ª pior marca da NFL. Quando os Seahawks usaram o na partida, deu certo. Mas foram poucas vezes.

Ainda, o ajuda no passe em profundidade – especialmente se Wilson fizer o rollout para fora do, ganhando tempo. Wilson, como o torcedor dos Seahawks bem sabe, é mestre nesses passes fundos. Mesmo assim, a comissão técnica optou por permanecer com o plano de jogo de antes da partida começar: toneladas de corridas.



No final das contas…

Poderia apontar outros problemas, como o volume baixo para Doug Baldwin – um dos recebedores mais subestimados da NFL a meu ver – ou a sequência “corrida-corrida-passe-punt” de várias campanhas. Ainda, tem a questão do uso teimoso de Chris Carson quando os outros da equipe visivelmente tiveram números e jogadas melhores.

Nunca saberemos se um plano de jogo mais bem elaborado e menos previsível, que tirasse o melhor de Russell Wilson, surtiria efeito com os Seahawks ganhando o jogo. Até porque, deixando claro, os Cowboys queimaram cronômetro, Zeke passou das 100 jardas e Dak Prescott foi o decisivo que costuma ser em casa. A defesa foi formidável. Os Cowboys são um grande time, especialmente na parte defensiva. Não quer tirar o mérito da equipe.

Pete Carroll não vai abandonar essa filosofia terrestre. Nem deveria. Mas sendo o, precisa apertar o botão de “deu merda” mais rápido. Ajustes são importantes. Afinal de contas, uma partida de futebol americano não se resume à primeira jogada: mas, sim, a todas elas.

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“proclubl"

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