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O conceito figurado de ponte no dicionário aponta “tudo que serve de ligação ou comunicação”. Se adaptarmos o primeiro ao contexto desse artigo, quarterbacks pontes são aqueles que servem de ligação para o futuro de uma franquia – ou seja, até que esta encontre um novo (e de fato) franchise quarterback. Nos últimos anos, isso tem se tornado algo mais frequente na NFL.

Você já deve ter cansado de lido/ouvido ao longo da década que a liga se tornou mais propensa a passar a bola, que o jogo corrido sofreu uma desvalorização, etc. Até mesmo os corredores que são selecionados bastante cedo no nos últimos anos precisam ter sua importância no jogo aéreo. Para um time, o mais importante é sempre um passador consistente. Clichês presentes há algum tempo.

Um dos clichês que começa a ser repetido é o de que é importante os quarterbacks passarem algum tempo no banco aprendendo com um veterano durante oício da carreira para aprenderem mais sobre a NFL. No entanto, o que os últimos 12 anos nos mostram é de que isso não costuma trazer resultados positivos para a franquia. Veja abaixo a lista.

*Mesmo participando de apenas 5 jogos como titular na sua temporada de calouro, Jay Cutler assumiu a titularidade dos Broncos em 2006 com o time na briga por vaga na pós-temporada pois Mike Shanahan acreditava que “Cutler dava a melhor chance de Denver vencer” Logo, não se pode dizer que ele foi o reserva. De todas as formas, o jogador nunca se tornou o titular a longo prazo da organização.

Onde queremos chegar com isso?

Que “aprender” um ano sentado no banco não quer dizer que o jogador chega mais preparado quando assume a titularidade. Ter um veterano como titular enquanto um calouro assiste não necessariamente tem um efeito positivo, no fim das contas.

Mas a NFL não parece pensar assim. Trubisky e Watson começaram o primeiro jogo da temporada como reservas e assumiram a titularidade não muito tempo depois de seus veteranos fracassarem (o segundo, até a lesão). Mahomes foi draftado com o propósito de sentar no banco enquanto Alex Smith comandava o ataque do Kansas City Chiefs. Goff foi outro que iniciou o ano como segunda opção e Wentz seria mais um dessa lista se os Vikings não tivessem feito uma troca desesperada por Bradford pós-lesão de Bridgewater.

Poderíamos dizer que isso tem a ver com o fato da popularização da spread offense no College Football e, consequentemente, os jogadores chegam mais despreparados na liga profissional? É um argumento justo, na teoria. Já na prática, a NFL vem evoluindo e cada vez mais incorporando elementos que surgem do futebol americano universitário e do ensino médio, ou seja: os conceitos da spread offense são cada vez mais utilizados no nível mais alto. Ou seja: o que se vê na faculdade, também se vê na liga. Não é só isso que explica a tendência.

Ok, vamos avançar a 2017 agora.

Essa é uma classe de quarterbacks com somente um nome que acredito estar preparado para a NFL desde o primeiro dia: Josh Rosen. Todos os outros possuem problemas, os quais correções se farão necessárias antes de adentrar o campo. Sam Darnold, Baker Mayfield, Josh Allen, Lamar Jackson: todos são candidatos a serem escolhidos na primeira rodada por conta de seu potencial, mesmo que isso não signifique necessariamente que eles estarão prontos já em setembro.

Times que precisam de estabilidade na posição (Browns, Jets, Cardinals, Bills são os quatro maiores exemplos) buscaram veteranos na free agency e, em todos eles, já se sabe que estes serão os titulares: os Browns já confirmaram Tyrod Taylor liderando o time na semana 1 e os Cardinals não pagariam 20 milhões de dólares a Sam Bradford para ele sentar no banco. No caso dos Jets, a titularidade está entre Josh McCown e Teddy Bridgewater, mesmo a equipe já tendo subido na ordem de escolhas da primeira noite do, de #6 para #3.

Cleveland Browns: Taylor é um titular mais do que capaz, embora longe de ser a solução dos eternos problemas da organização na posição. Com posse da primeira e da quarta escolha geral, o time de Ohio muito provavelmente selecionará Sam Darnold e apostará nele como o jogador para levantar os Browns depois de quase 20 anos de fracasso pós-refundação do time.

New York Jets: a troca recente com o Indianapolis Colts praticamente garantiu que um novo quarterback estará sob todos os holofotes nova-iorquinos a partir do dia 26 de abril. A tendência é que este seja Josh Allen, que atuou por Wyoming na carreira universitária. O time pagou caro por Josh McCown e Teddy Bridgewater em março, então não espere que Allen (ou outro selecionado) veja muita ação no campo em seu primeiro ano – McCown, inclusive, adquiriu fama de mentor de quarterbacks jovens nos últimos anos.

Arizona Cardinals: é um pouco mais cinza. O time confiou bastante dinheiro a Sam Bradford, que embora possua muito talento, sofreu com graves lesões no joelho ao longo de toda a carreira e simplesmente não pode ser confiado como uma opção a longo prazo. O grande problema para os Cardinals é que a primeira escolha do time é a #15, quando se espera que os principais jogadores da posição já tenham sido escolhido: ou seja, de modo a adquirir um nome confiável pro futuro, um alto preço teria de ser pago para se colocar em posição para tal.

Buffalo Bills: fortes candidatos a subirem no para ter um quarterback, os Bills contrataram A.J. McCarron e, embora tudo possa dar certo com ele, a tendência é que seja ponte. E é uma ponte ideal, aos olhos de quem gosta dessa estratégia, dado que Josh Allen está na mira de Buffalo e é o mais cru entre os quarterbacks que podem sair no top 5.

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Os front offices da NFL continuam investindo na opção de pontes como quarterbacks mesmo sem nenhuma prova de que isso é uma tática de constante sucesso – ou, nos últimos 12 anos, nenhum sucesso. Existem exemplos óbvios de que isso pode funcionar, como o caso Brett Favre/Aaron Rodgers, mas a amostragem favorável é muito pequena. Embora Mahomes seja o mais provável a quebrar a tendência assumindo a titularidade pós-troca de Alex Smith (e, levando em conta também seu imenso potencial), os números que vão contra uma taxa de acerto favorável são algo que equipes deveriam levar em consideração quando atrelando uma escolha de primeira rodada a um quarterback pensando em sua curva de aprendizado e deixando-o no banco quando calouro.

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