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Há alguns dias, falamos sobre a trajetória dos Patriots até o Super Bowl. Hoje, chegou a hora de relembrar o caminho dos Eagles. Diferente do adversário de domingo, Philadelphia não era considerado um favorito a estar presente no U.S. Bank Stadium no próximo dia 04 de fevereiro.

Na verdade, muito pelo contrário: antes da temporada, a franquia não era vista nem como favorita ao título da NFC East. Mesmo assim, ela conseguiu superar a desconfiança e todo o tipo de desafio, incluindo a perda do seu principal jogador, construindo um roteiro digno de filme, sobretudo se o final da história for o inédito anel de campeão do Super Bowl.

Sem mais enrolação, vamos direto ao que interessa. Confira como Philadelphia atingiu o posto de melhor time da NFL em 2017 e posteriormente assumiu a identidade de underdog nos playoffs.

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Vitórias dramáticas para começar o ano

Philadelphia nadou de braçadas na NFC East e atropelou os adversários durante boa parte da temporada, mas não se engane, nem sempre foi assim. Sobretudo no início de 2017, a franquia precisou arrancar alguns resultados na base do fórceps. Por exemplo, o triunfo da semana 1 contra Washington só foi assegurado graças a um fumble retornado para touchdown por Fletcher Cox nos minutos derradeiros de jogo. Já na semana 4, Los Angeles ameaçou virar a partida que estava 26 a 17 na metade do último quarto, porém os Eagles conseguiram se segurar e ganharam por 26 a 24.

Contudo, nada foi tão dramático quanto a vitória sobre os Giants na semana 3. Com o placar empatado em 24 a 24, Philadelphia recebeu a bola de volta com 13 segundos no relógio. Carson Wentz, então, conectou um passe de 19 jardas para Alshon Jeffery e posicionou a bola para o disparo de 61 jardas de Jake Elliott. O calouro acertou o chute e quebrou o recorde de field goal mais longo na história da franquia. Além de ser épica, esta vitória foi o primeiro indício da resiliência dos Eagles e do ano especial vivido por Wentz em 2017.



“49ERS"

A conquista da NFC East e o melhor time da NFL

Depois de perder na semana 2 para Kansas City, Philadelphia emendou uma série de nove triunfos consecutivos, só voltando a ser derrotado na semana 13, contra os Seahawks. Durante este período, a equipe da Pensilvânia adquiriu com toda a justiça o status de melhor da NFL. Tudo funcionava perfeitamente dos dois lados da bola e os Eagles estavam em estado de graça, passando por cima de quem viesse pela frente.

A defesa fazia sua parte com competência, mas era Carson Wentz e o ataque que estavam roubando o show. Por exemplo, durante esta sequência de vitória, a franquia nunca anotou menos de 26 pontos. Aliás, foi nessa época que o quarterback se tornou um dos favoritos ao prêmio de MVP e até mesmo Nelson Agholor, jovem wide receiver já rotulado como bust por quase todo mundo, começou a ser importante. Nas trincheiras, a linha ofensiva fazia um grande trabalho e o jogo terrestre também era produtivo.

Em suma, ninguém conseguia parar Philadelphia. O auge da soberania aconteceu entre as semanas 8 e 12, quando a franquia venceu os 49ers por 33 a 10, Denver por 51 a 23, Dallas por 37 a 9 e Chicago por 31 a 3. Se ganhar uma partida com uma diferença de pelo menos três posses de bola já é uma tarefa difícil na NFL, imagine então quatro consecutivas. Os Eagles estavam sobrando tanto na NFC East que o triunfo sobre Dallas praticamente encaminhou o título de divisão na semana 11 – a confirmação matemática, todavia, só ocorreria na semana 14.

A perda de Wentz e o futuro incerto

Lembra quando falamos sobre resiliência algumas linha acima? Pois bem, este é o melhor adjetivo para definir um time que sofreu com tantas lesões e mesmo assim se manteve forte. Darren Sproles, um dos principais playmakers ofensivos, se machucou gravemente na semana 3 e não voltou mais. Ronald Darby, aquele que deveria ser o cornerback nº 1 da equipe, fraturou o tornozelo na estreia da temporada e perdeu oito jogos. Na semana 7, mais duas baixas importantes pelo restante do ano: o left tackle Jason Peters e o linebacker Jordan Hicks.

Contudo, nenhuma perda foi tão devastadora quanto a de Carson Wentz. O quarterback rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho no confronto contra os Rams, na semana 14. Philadelphia saiu com a vitória, mas perdeu sua maior estrela pelo restante do ano – naquela altura, Wentz liderava a liga com 33 passes para touchdown.



“49ERS"
Obviamente a lesão de seu signal caller titular colocou em xeque a temporada dos Eagles, sobretudo porque agora o destino da franquia estava nas mãos do questionável Nick Foles. Aqui no próprio ProFootball nós chegamos a discutir se ainda havia esperança ou não. Rapidamente, o futuro do antes melhor time da NFL já não parecia ser mais tão promissor. Philadelphia dependeria mais do que nunca da sua defesa e do trabalho coletivo para ir a algum lugar.

Underdogs: o início desastroso de Foles e a ressurreição nos playoffs

Com ou sem Wentz, os Eagles ainda tinham mais três compromissos pela frente na temporada regular e precisavam vencer, pois o seed #1 da NFC estava em jogo. No final das contas, eles conseguiram atingir o objetivo, mas não foi fácil e nem bonito de ver.

Primeiro, um triunfo por 34 a 29 sobre os Giants. Embora o ataque tenha sido produtivo, a defesa foi péssima enfrentando o moribundo time de New York, dando a entender que as coisas estavam começando a ruir. Depois, uma vitória por 19 a 10 contra Oakland, em uma noite pouquíssima inspirada de Foles e de todo o ataque. Por fim, após ter garantido matematicamente a melhor campanha da conferência, uma derrota deprimente por 6 a 0 diante dos Cowboys na semana 17.

A visível queda de desempenho fez Philadelphia chegar totalmente desacreditado no mata-mata. Daí surgiu a história dos underdogs. Mesmo atuando em casa, o time era considerado o azarão nas bolsas de aposta contra Falcons e Vikings. Os Eagles, porém, vestiram suas gloriosas máscaras de cachorro e transformaram a desconfiança em motivação.

No Divisional Round, derrubaram Atlanta de maneira épica, parando uma conversão de quarta descida à beira da end zone nos segundos finais. Já na Final de Conferência, massacram sem dó Minnesota por 38 a 7. E o melhor de tudo é que Foles voltou a jogar bem, aparentemente reencontrando a melhor forma da carreira. O desacreditado reserva teve uma atuação monumental diante dos Vikings e, agora, pode se gabar de nunca ter terminado uma partida de playoff com um rating menor de 100 pontos – tudo bem, foram só três jogos, mas mesmo assim vale o registro.

Assim foi o caminho de Philadelphia até o Super Bowl LII. Superando uma montanha russa de emoções ao longo da temporada, o time voltará à final da NFL depois de 13 anos. O adversário será de novo New England e os Eagles, pela terceira partida seguida, serão de novo os underdogs – não que isso seja um problema para eles, não é mesmo?



“patriots"
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