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O aquecido mercado de wide receivers ganhou mais um capítulo. Dessa vez, os acontecimentos se deram em Oakland, começando pela dispensa de Michael Crabtree. Depois de três temporadas na AFC West, 2.543 jardas e 25 touchdowns em 45 partidas como titular, o ex-camisa 15 agora é um free agentA medida poupa quase 7,7 milhões de dólares no teto salarial da equipe.

Pouco depois, a equipe acertou os termos com o wide Jordy Nelson, recém-cortado do Green Bay Packers. O contrato de dois anos vale 15 milhões de dólares, com 13 milhões garantidos. Quando Crabtree foi dispensado, era uma mera questão de aguardar o anúncio com o ex-camisa 87 de Wisconsin. O primeiro instinto, pelo menos da minha parte, foi questionar a decisão: trazer Nelson no lugar de Crabtree é, no máximo, um passo lateral, não à frente. Seja em termos financeiros ou em função no gridiron, o movimento, à primeira vista, é esquisito.

Papéis similares em equipes diferentes

Antes de mais nada, ambos compartilham qualidades óbvias, em especial a confiabilidade. Em Green Bay, Jordy Nelson era o alvo de segurança de Aaron Rodgers. Aos 32 anos, rumo aos 33, o jogador traz um pacote típico de possession, com uma habilidade fantástica de converter primeiras descidas. Na temporada de 2017, o ex-Packer recebeu 16 passes em terceiras descidas – 12 delas foram convertidas em first down. Em  2016, das 19 recepções em terceira descida, 18 viraram uma primeira descida. Jordy Nelson gozava da confiança plena de Aaron Rodgers, e com razão. Poucos jogadores fazem as recepções colados na sideline como Jordy Nelson – é bonito de ver.

Na red, Jordy Nelson traduz a mesma confiabilidade.  Em 2016, última temporada na qual tanto Nelson quanto Rodgers jogaram as dezesseis partidas, o wide teve 21 recepções em 32 targets e 11 touchdowns nas últimas 20 jardas do campo. 65,63% dos passes nessa faixa do campo foram recebidos. Se considerarmos apenas as últimas dez jardas, foram 11 recepções em 15 targets – uma conversão de 73,33%.

Da mesma forma, Michael Crabtree era o homem de segurança de Derek Carr em Oakland. Na red, era comum vermos o camisa 4 procurar o então camisa 15 para converter touchdowns. Em 2016, 23,9% dos targets nas últimas 20 jardas do campo foram para Crabtree; seis touchdowns vieram dessa conexão. Em 2017, 37,9% dos alvos dentro da linha de dez jardas foram na direção do wide.

Mais do que isso, Crabtree traduz também a confiança em terceiras descidas. Nas últimas duas temporadas, foram 40 recepções em terceiras descidas, e 33 delas viraram first down. Já estabelecemos, estatisticamente, que eles eram o homens-segurança dos seus respectivos ataques. O que motiva, então, o Oakland Raiders, a trazer um wide beirando os 33 anos, sem ganho real de espaço no teto salarial, se livrando de um recebedor mais jovem e mais barato em 2018?

Mudança de cultura

Ao que tudo indica, Michael Crabtree é o tipo de jogador capaz de minar o clima de um vestiário. Para citar um exemplo, houve um ponto na temporada na qual Derek Carr e Crabtree sequer se falavam. A vontade de fazer justiça com as próprias mãos na briga com Aqib Talib, que culminou em uma desnecessária expulsão em novembro de 2017; e o relato de um beat writer no final do ano passado dizendo que há personalidades ruins que precisam ir embora do vestiário.

Sob nova direção, Jon Gruden precisa implementar sua filosofia, bem ou mal. Jordy Nelson sempre foi um exemplo de atleta durante seus anos em Green Bay. O jogador sempre se mostrou dedicação pelo time, pela cidade, pela comunidade, morando em tempo integral na cidade de pouco mais de 105 mil habitantes. Se não acredita em mim, acredite em Aaron Rodgers.



Jordy demonstrou que ainda é uma arma eficiente em 2017. Ele pode não contar com a explosão de outrora, mas é certamente um dos pares de mãos mais confiáveis da NFL, além de um corredor de rotas para lá de polido. A importância dele para o Oakland Raiders vai além do que acontece dentro de campo. Ele será uma referência maravilhosa para o jovem Amari Cooper, que chegará na sua quarta temporada na NFL com 24, precisando superar a temporada questionável de 2017. Basta ver a evolução de Davante Adams e Randall Cobb; ter Nelson do lado os fez jogadores melhores. A esperança é que Jordy Nelson se torne um dos faróis e uma das referências nessa nova era do Oakland Raiders.

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