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Acabou a controvérsia de quarterbacks em Chicago – pelo menos por enquanto. Na última segunda-feira, a equipe oficialmente mandou Mike Glennon para o banco de reservas e nomeou Mitchell Trubisky titular para a semana 5. A movimentação já era amplamente esperada e acabaria acontecendo mais cedo ou mais tarde, mas foi acelerada pela atuação trágica de Glennon contra os Packers no Thursday Night Football. Agora, salvo uma contusão, o calouro deve comandar o ataque dos Bears até o final da temporada.



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É bastante comum vermos situações assim, ou seja, um quarterback calouro escolhido alto no Draft começando a carreira na reserva. Isso ocorre porque os treinadores várias vezes preferem blindar seus jovens talentos, seja por ainda estarem muito “crus” no nível profissional, seja para eles passarem algum tempo aprendendo o máximo possível com um veterano. No caso de Chicago, porém, não fazia mais sentido deixar Trubisky no banco. A franquia não possui grandes ambições na temporada e Glennon com certeza não vinha sendo um bom professor. Seguindo a filosofia “pior do que está não fica”, o time não tem muito a perder – ademais, estará dando experiência ao jovem que pode se tornar seu futuro franchise quarterback.

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Deste modo, Trubisky se juntará à uma longa lista de signal callers calouros que iniciaram o ano na reserva e assumiram a titularidade com a temporada em andamento. Isto nos fez pensar na seguinte questão: o que costuma acontecer com quarterbacks neste tipo de situação? Eles sobrevivem na NFL ou são “queimados”?

Para responder estas perguntas, fizemos um levantamento de todos os quarterbacks recrutados de 2012 para cá – preferimos diminuir o espaço amostral e focar na história recente da liga. Os critérios de filtragem foram:

1- calouros que ganharam a posição por opção do técnico ou
2- quem entrou no time por alguma emergência (por exemplo, contusão do titular) e ficou por um número considerável de partidas.

Casos como o de Paxton Lynch, o qual foi titular por dois jogos ano passado devido à lesões sofridas por Trevor Siemian, foram desconsiderados. Ao todo, encontramos nove exemplos que se encaixam nos critérios especificados. Como veremos, a maioria deles não é muito animadora para Trubisky ou os fãs dos Bears.

2012: Nick Foles, Philadelphia Eagles

Escolhido na terceira rodada do Draft de 2012, Foles virou titular após Michael Vick sofrer uma concussão na semana 10 daquela temporada. Ele entrou e não saiu mais da equipe, mesmo depois do veterano já estar recuperado.

Foles não fez nada de muito especial em seu ano de estreia, mas em compensação teve uma temporada espetacular em 2013, terminando com 27 touchdowns, duas interceptações e um rating de 119,2. Contudo, precisamos contextualizar estes números. Era o primeiro ano de Chip Kelly e seu esquema ofensivo pirotécnico com os Eagles, portanto tudo era novidade e os adversários tinham muita dificuldade para combater o ataque frenético da equipe. Inicialmente Nick caiu como uma luva, porém a mágica chegou ao fim rápido.

O quarterback foi bem mais discreto em 2014 e acabou sendo trocado com os Rams em 2015. Em St. Louis, mostrou que não é capaz de ser eficiente comandando um ataque tradicional e não demorou muito para ser mandado ao banco de reservas. Hoje, Foles é no máximo um backup decente, tendo exercido esta função nos últimos dois anos respectivamente nos Chiefs e Eagles.

2013: Mike Glennon, Tampa Bay Buccaneers

Um dia da caça, outro do caçador (neste caso é o contrário). Hoje um exemplo de veterano que está perdendo a vaga, Glennon já foi o calouro que desbancou o antigo quarterback titular. Em 2013, ele roubou o emprego de Josh Freeman em Tampa Bay na semana 4.



O mais curioso da trajetória de Glennon é que antigamente ele demonstrava ter potencial. Sua temporada de estreia foi pelo menos razoável. Depois, mesmo quando virou reserva de Josh McCown (2014) e Jameis Winston (2015 e 2016), continuou sendo bem visto, tanto que seu nome sempre aparecia na lista de possíveis jogadores alvos de troca. Algumas vezes ele era tratado quase como uma joia escondida no banco dos Buccaneers.

No final das contas, entretanto, todos acabaram sendo enganados pelo suposto potencial da “Ginger Giraffe”, ou a girafa ruiva, como foi carinhosamente apelidado pela internet – Chicago mais do que todo mundo. O resto da história de Glennon vocês já conhecem.

2014: Zach Mettenberger, Tennessee Titans

Mettenberger teve a ascensão e queda mais rápida entre todos os nomes da lista. Ex-escolha de sexta rodada, tornou-se titular dos Titans na semana 8 de 2014, superando Jake Locker, que estava sempre machucado, e Charlie Whitehurst. Zach comandou o ataque do time até a semana 13, quando também se lesionou. Em 2015, teve outras quatro oportunidades ao substituir o contundido Marcus Mariota.

No total, Mettenberger foi titular em 10 jogos e nunca conseguiu vencer nenhum. Foi dispensado por Tennessee em maio de 2016 e posteriormente passou pelos elencos de Chargers e Steelers, mas nunca entrou em campo. Hoje não está mais liga e sinceramente não temos a menor ideia do que ele faz da vida.

2014: Blake Bortles, Jacksonville Jaguars

Talvez pouca gente se lembre, mas Bortles começou sua carreira na NFL como reserva de Chad Henne. Ele só se transformou no starter dos Jaguars na semana 4 de 2014.

Embora seja o titular até os dias de hoje, o quarterback está longe de ser um exemplo de sucesso, tanto que recentemente quase perdeu o emprego de volta para Henne. Sim, a temporada de 2015 foi razoável e estatisticamente produtiva, porém Bortles não consegue evoluir, sendo uma máquina de passes imprecisos e interceptações – sem contar o seu péssimo record de 13 vitórias e 37 derrotas com Jacksonville. Ele é um fortíssimo candidato a deixar a franquia em 2018.

2014: Johnny Manziel, Cleveland Browns

Este daqui não precisa nem de apresentações. Manziel esquentou o banco durante boa parte do ano, mas enfim teve sua chance de começar como titular na semana 15, após atuações ruins de Brian Hoyer. As aventuras do calouro Johnny Footbal, contudo, duraram apenas duas partidas, pois ele se lesionou na semana 16.

Manziel nunca demonstrou ter a menor maturidade para ser um atleta da NFL dentro ou fora de campo. Sua imensa lista de bobagens incluem, por exemplo, idas e vindas de clínicas de reabilitação, aparecer bêbado em treinamentos e ser denunciado por agredir uma ex-namorada – essa é só a ponta do iceberg. Os Browns até insistiram, o deixaram jogar várias partidas em 2015, porém Johnny nunca fez nada para merecer o voto de confiança da equipe. Cortado em março do ano passado, ele ainda espera por uma nova chance na NFL, o que dificilmente acontecerá.

2014: Teddy Bridgewater, Minnesota Vikings

De toda a nossa lista, apenas Bridgewater merece ser tratado com 100% de certeza como alguém que deu certo na NFL. Teddy começou 2014 na reserva de Matt Cassel, mas assumiu a titularidade quando o veterano se lesionou na semana 3. A partir daí foi eleito o calouro da temporada e ajudou os Vikings a chegarem aos playoffs em 2015, além de ser escolhido ao Pro Bowl no mesmo ano.

Bridgewater teve a sorte de ser selecionado por uma equipe estruturada e de atuar junto com Adrian Peterson, que o ajudava demais correndo com a bola. Até por isso não precisava se arriscar muito e podia adotar um estilo de jogo mais conservador, sem tantas pirotecnias aéreas. Ainda assim, seu mérito comandando o ataque de Minnesota é inegável. Ele só não é titular hoje porque está se recuperando de uma devastadora lesão no joelho sofrida na intertemporada passada.



  • 2016: Jared Goff, Los Angeles Rams; Cody Kessler, Cleveland Browns
  • 2017: Deshaun Watson, Houston Texans

Optamos por colocar Goff, Kessler e Watson no mesmo balaio porque ainda é muito cedo para avaliar se eles deram certo ou errado. Precisamos de mais tempo para tirar conclusões concretas.

Kessler foi jogado às feras pelos Browns basicamente porque ele era o único quarterback do time que conseguia ficar saudável em 2016. Não foi horrível, sobretudo se pensarmos no quão fraco era o elenco de Cleveland, mas também não teve nada de especial. Goff começou sua carreira de maneira tenebrosa substituindo Case Keenum no ano passado, porém hoje está se dando muito bem no esquema ofensivo amigável instituído pelo head coach Sean McVay. Watson, por fim, vem de duas ótimas performances, contudo são apenas duas partidas. Ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Vamos voltar a falar dos três daqui a um ou dois anos.

Conclusão: A história recente não está ao lado de Trubisky

O resultado final da nossa mini-pesquisa ficou assim: de 2012 para cá, não vem sendo um bom negócio promover signal callers calouros à condição de titular com a temporada em andamento. Dos nove casos analisados, apenas um realmente deu certo, enquanto cinco falharam e três são inconclusivos.

Isso significa que Trubisky está condenado ao fracasso? É claro que não. Existem muitas variáveis influenciando em todos os exemplos citados. Significa, contudo, que no primeiro momento as expectativas devem ser moderadas e é preciso ter paciência. A história recente da NFL mostra que não é fácil a vida de um calouro entrando no time com o bonde andando. Seja como for, não dá para culpar os Bears por arriscarem, pois a situação com Mike Glennon estava insustentável.

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