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Depois de uma atuação bastante “humana”, por assim dizer, de Tom Brady no último Monday Night Football, lembramos que o New England Patriots é, de certa forma, um time capaz também de perder. Por vezes esqueço, pelos retrospectos para lá de positivos, a consistência assustadora e os mais de 15 anos de Tom Brady, de que é possível vencer o time de Boston.

Claro, não é fácil. O adversário precisa impedir que Tom Brady disseque as defesas, que ele implemente uma cadência ofensiva – a morte por mil cortes que vemos à exaustão, dando pequenos golpes em passes curtos para running backsslot receivers apenas para eventualmente lançar uma bomba em profundidade e nocautear o adversário. Ao mesmo tempo, o ataque precisa superar o gênio defensivo de Bill Belichick que, sabemos muito bem, sabe se ajustar às adversidades com qualquer elenco.

Como você freia Tom Brady?

A resposta, na verdade, é bem simples: você não deixa ele entrar em campo. Bom, simples em teoria. Na prática, você precisa fazer duas coisas:

1) Acertar Tom Brady consistentemente 

Isso nada mais é do que uma forma simplificada de dizer que o pass rush precisa chegar com frequência no quarterback. Mais do que isso; a pressão com quatro homens (e APENAS QUATRO) precisa ser eficiente. Foi o que o Denver Broncos fez na final de conferência de 2015, impedindo que Tom Brady estabelecesse um ritmo ofensivo, devastando o timing e impedindo o estabelecimento da cadência do signal caller.

Não adianta criar essa pressão artificialmente – mandando blitz em descidas sim, descidas não. Estamos cansados de ver Tom Brady receber uma pressão de cinco ou mais homens, encontrar Rob Gronkowski no meio do campo e converter uma terceira descida. Se você fizer blitz consistentemente contra o camisa 12, você será punido.

O Kansas City Chiefs, na Semana 1, bateu o New England Patriots sem mandar muitas blitzes. Em várias oportunidades, deixou apenas três homens no pass rush, colocando oito na cobertura e complicando a leitura dos match ups para Tom Brady. A hesitação, por meio segundo que seja, é fatal contra um pass rush eficiente, e essa pressão com quatro homens faz toda a diferença contra um quarterback lendário.

“patriots"

2) Dominar o relógio

Esse elemento depende do outro lado da bola. Uma vez contido o ritmo ofensivo de Tom Brady e companhia, é hora do ataque fazer sua parte. E se você domina o tempo de posse de bola, você reduz o impacto que o camisa 12 pode ter em campo. Afinal, se ele ficar menos tempo no campo, ele tem menos oportunidades de encontrar uma brecha para anotar pontos.

A forma mais eficiente para fazer isso é estabelecer um jogo terrestre sólido. Conquistar primeiras-descidas consistentemente pelo chão e  conduzir campanhas que resultem em pontos é o jeito ideal. Não adianta marchar 50 jardas e errar o field goal; se você não capitaliza em cima das oportunidades contra o New England Patriots, você geralmente é punido. Pergunte ao Atlanta Falcons a falta que não fez um field goal no Super Bowl LI.




Quem pode fazer isso? 

O adversário tido como mais perigoso é o Pittsburgh Steelers. Antonio Brown está em uma temporada digna de consideração de MVP, e Le’Veon Bell é o melhor running back da NFL, e absolutamente consistente. Acontece que o time pode não ser tão eficiente em executar o passo número um.

Sem Ryan Shazier, o Pittsburgh Steelers perde (e muito) na cobertura no meio de campo e da capacidade de finalizar jogadas no flat – nada além do pão com manteiga do New England Patriots. Na secundária, a temporada de Artie Burns é fenomenal, mas falta esse nível nos seus companheiros de posição. Eu acredito que o lado ofensivo da bola pode, sim, dominar a posse de bola, mas talvez a defesa não seja tão eficiente quanto precise ser.

Ao meu ver, o time mais capaz de executar os dois passos é… o Jacksonville Jaguars. Pasme, o time da Flórida (como todos previram em agosto, naturalmente) é uma equipe completa nas três fases do jogo, mesmo com Blake Bortles under center.

A defesa do Jacksonville Jaguars é a melhor da NFL. Não, não coloco sequer o “discutivelmente”; a unidade está jogando em outro nível em relação aos seus pares – a bem da verdade, não há pares. A pressão da linha defensiva, a capacidade de cobertura do corpo de linebackers e a melhor dupla de cornerbacks da liga fazem da equipe uma força defensiva a ser batida.

Do lado ofensivo, seria simplista colocar Leonard Fournette como o principal responsável pelo sucesso do time em 2017. Em que pese a importância do calouro, é preciso falar, sim, que Blake Bortles mostrou uma eficiência fenomenal nos passes longos nas últimas duas semanas. Um time construído para compensar as falhas do camisa 5 vem ganhando no seu quarterback mais uma arma para a reta final da temporada. Claro, não nos empolguemos demais com Blake Bortles. Só que ele tem saído melhor que a encomenda – coisas que um talento como Dede Westbrook faz com um quarterback.

Além do Jacksonville Jaguars, o Los Angeles Chargers é outra grande ameaça. O time vem em franca ascensão em 2017 e, se bater o Kansas City Chiefs no próximo final de semana, se coloca em ótima posição na disputa pela pós-temporada.

O ataque é para lá de tarimbado; a experiência de Philip Rivers e seu hábito de estar em momentos decisivos colocam o barco ofensivo nas mãos de um bom capitão. Keenan Allen é, sem dúvidas, um dos melhores recebedores na temporada e Melvin Gordon é um running back para lá de capaz de vencer nas trincheiras e converter descidas importantes.

Do lado defensivo, Melvin Ingram e Joey Bosa são a melhor dupla de edge rushers em atividade, e são a receita de um pesadelo para Tom Brady caso cheguem a se enfrentar. Na secundária, Casey Hayward segue sendo o free agent mais importante dos últimos dois anos, e a solidez contra o jogo aéreo tem sido notável – são apenas 273.2 jardas aéreas por partida, terceira melhor marca da liga.

“STEELERS"

O que acontecerá? 

Depois da surpreendente vitória do Miami Dolphins na segunda-feira, a AFC parece mais aberta do que nunca. Com o frisson que a NFC trazia consigo, esquecemos de observar a outra conferência.

O New England Patriots, por esse perfil absolutamente vencedor, segue como o nome a ser batido nessa pós-temporada. Seja pela mística de vencer Tom Brady e Bill Belichick, seja pela força dentro de campo que eles trazem consistentemente. Agora, não é só o Pittsburgh Steelers. Com Chargers no páreo e Jaguars bem encaminhados, a AFC está mais aberta do que se pensa.

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“RODAPE"