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Leitura rápida: Depois de uma limpa no vestiário, Adam Gase tem em 2018 uma aposta: um “Do Your Job” versão Flórida. Vai dar certo? E se não der, seu cargo corre risco?


 

Jay Ajayi, Ndamukong Suh e Jarvis Landry. Todos jogadores renomados na NFL e que deixaram o Miami Dolphins na gestão Adam Gase.

Você pode achar qualquer coisa de Gase, menos que ele não é um treinador de coragem.

Dispensar ou trocar nomes como os acima podem ter resultados positivos, mas com certeza são decisões impopulares e podem gerar críticas e até colocar seu cargo em risco em caso de resultados ruins. Claramente, Gase preferiu a coletividade a talentos individuais acima da média. Jogadores considerados “ruins de vestiário” foram descartados e substituídos por outros menos renomados, mas com capacidade de desempenharem exatamente o que treinador quer sem atribular o vestiário.

Quem eram os acima da média

Jay Ajayi teve uma primorosa temporada em 2016, com 1272 jardas corridas. Em 2017, sua produção não manteve o mesmo nível, mas ainda assim ele tinha boa média de 66 jardas por jogo até na Semana 7. Do nada, o running back foi trocado por uma escolha de 4° round com o Philadelphia Eagles.

Logo pipocaram notícias que Ajayi não se comprometia o necessário com os estudos e que Gase já havia o alertado que ele precisava se concentrar em executar o seu trabalho e “não em bater home runs o tempo todo”, numa clara alusão a tentativa de executar jogadas explosivas em vez de conseguir jardas seguras.

Levantou-se a hipótese que Ajayi teria sido trocado por ter um problema crônico no joelho que o tornaria uma “bomba relógio”. A verdade é que nenhum time trocaria um running back com a sua produtividade e que lhe custaria menos de US$ 2 milhões na temporada seguinte por problemas físicos incertos. Por esse preço, qualquer time deixaria ele produzir o quanto pudesse até o joelho não aguentar. Cruel, mas real. Ajayi venceu o Super Bowl e deixou uma mensagem em suas redes sociais retalhando Gase e ficou provado que o clima entre os dois não era bom. Kenyan Drake herdou a posição e teve produtividade semelhante àquela que Ajayi vinha tendo na temporada. Para este ano, o veterano Frank Gore – muito conhecido pela sua excelente ética de trabalho – e o novato Kallen Ballage chegam para compor o grupo. Apostas de Gase que serão com certeza comparadas com Ajayi caso o mesmo tenha uma grande temporada pelos Eagles.

Ndamukong Suh foi cortado em março deste ano. Seu corte abriu US$ 17 milhões na folha salarial do time, mas os US$ 9 milhões de dead money (o famoso dinheiro morto) faziam o corte improvável para alguns. Aconteceu da mesma forma: os Dolphins pagarão nove milhões de dólares para Suh não passar perto do Hard Rock Stadium.

A produção de Suh tornava isso ainda mais difícil de acontecer. Top 5 entre os defensive tackles da liga, Suh é uma máquina de tackles e capaz de estressar qualquer miolo de linha ofensiva. Contra o jogo corrido ocupa diversas vezes dois bloqueadores e facilita o trabalho dos linebackers, além de conseguir pressionar o quarterback pelo meio da linha – a pressão que os quarterbacks mais odeiam, já que é mais difícil de fugir dela. O que pesou foram os constantes problemas problemas no vestiário, onde seu ego parece ser imenso. Vários problemas foram relatados pela imprensa de Miami e as faltas pessoais cometidas durante a temporada irritaram Gase, que deu sinal verde para o corte.

Jarvis Landry liderou a NFL em recepções na temporada passada e, em 3 de março, assinou a franchise tag, lhe colocando como um dos três wide receivers mais bem pagos da liga para 2018. Um tanto quanto estranho e caro para um slot receiver. Apenas seis dias depois, o time trocou-lhe para o Cleveland Browns por uma escolha de 4° round do draft que viria acontecer no mês seguinte e uma de 7° do ano seguinte. Estranho dar um contrato tão grande para um jogador e se desfazer dele de maneira tão rápida, não? Logo após a troca pipocaram informações e o conhecido insider dos Dolphins, Armando Salgueiro, reportou que Landry “teve problemas confrontando treinadores, corria rotas erradas e não prestava a atenção nos detalhes”. Para seu lugar, Danny Amendola vem do New England Patriots. Jogador que nunca atingiu 700 jardas e nem jogou uma temporada inteira, é mais uma aposta que terá que se provar.

O que Adam Gase quer e qual sua aposta

Fica clara a intenção de Gase em controlar o vestiário e criar uma cultura de trabalho duro, algo como sua versão do “Do Your Job” tão conclamado pelos Patriots de Bill Belichick. É uma estratégia que costuma colher bons frutos, especialmente a longo prazo. Implantar uma cultura nova exige sacrifícios e os resultados nem sempre vem de maneira imediata. É necessário a resiliência para enfrentar derrotas eventuais enquanto tudo é implementado e apoio quando a pressão por resultados começar a aparecer.

E é aí que reside a grande indagação: Os Dolphins (ou seja, a diretoria e o dono do time) vão ter paciência para isso? A confiança da diretoria da equipe em Adam Gase é tão grande a ponto de suportar um ano em que as apostas não se provem? Sobreviveria ele a uma temporada com cinco ou menos vitórias, por exemplo?

Minha aposta é que não.

Os Dolphins fizeram um grande draft e deram carta branca para o treinador se livrar de nomes que considerava problemáticos. Nomes que anteriormente tinham grandes contratos, alta produtividade e carinho da torcida. As comparações serão inevitáveis, ainda mais se o “renegados” tiverem boa produção. Gase entra em sua terceira temporada e ela será de afirmação de sua filosofia. Se o time tiver menos de sete vitórias, por exemplo, sua cabeça pode ser colocada na guilhotina.


É bom que se vença logo e dê esperança de um futuro melhor a uma torcida que não vê seu time vencer a divisão há mais de 10 anos e anseia por uma vitória nos playoffs há quase 20 anos. Acima de tudo, com o potencial final da carreira de Tom Brady (uma hora vai acontecer), os outros times da AFC East parecem se preparar. Os Bills subiram no Draft para ter seu potencial franchise quarterback em Josh Allen. Os Jets, o mesmo com Sam Darnold.

Sobra os Dolphins, num potencial último gás com Gase e Ryan Tannehill, que volta de lesão no joelho. Após o ano perdido com Jay Cutler under center, Gase pode ter em 2018 uma última possibilidade de mostrar os bons frutos que teve em Chicago e Denver como coordenador ofensivo. Menos de cinco vitórias? A casa cai. Entre cinco e oito, ele pode ficar – e 2019 vira o ano-chave, no qual ele terá que mostrar competência para voltar aos playoffs.


“proclubl"