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Como quem me acompanha há mais tempo sabe, gosto muito de estatísticas para argumentar em meus textos ou para contar uma dada história numa transmissão da NFL pela TV. Aparte de qualquer observação a olho nu – que também é importante – a estatística é bacana porque é um recurso objetivo. Para mim ou para você, fulano correu para mais de 100 jardas: isto, em específico, não tem discussão.

Claro: estatísticas jogadas ao vento não servem de nada se forem para encher linguiça. Há de haver um contexto e sempre me preocupo em dizer o que isso significa. Falar que um quarterback lançou para mais de 400 jardas é pouco. É jogar número pro alto. Agora, dizer que esse é um feito raro e qualquer jogador com mais de 400 jardas é um cara com uma partida acima da média – isso é contextualizar.

O mesmo vale para as famosas “jardas por carregada” de um running back. Se eu falar que fulano correu 3,3 jardas por carregada, isso é bom? Ruim? É preciso qualificar. No caso, qualquer coisa entre 3,5 e 4 é bom. Acima de 4 é ótimo e acima de 5 é excelente.

Gosto de estatísticas como recurso porque elas contam histórias e nos ajudam a entender o que está acontecendo com as equipes. Então, semanalmente, vamos com esta coluna aqui em ProFootball. Confira abaixo 10 stats que separei sobre a Semana 6.

1: A temporada de calouro de Ezekiel

Há muito tempo não víamos um running back calouro como Ezekiel Elliott. Os astros se alinharam para que ele pudesse ter um ano fora de série, mesmo numa NFL que foca cada vez mais no jogo aéreo. Para início de conversa, ele tem a disposição a melhor linha ofensiva da NFL – uma que foi montada como um grande projeto de Lego, ano após ano, via Draft. Em segundo, o atual titular dos Cowboys na posição de quarterback é um calouro – ou seja, a tendência é que haja mais corridas para “preservar” o quarterback.

Isso tudo – somado, óbvio, ao talento de Ezekiel – faz com que o primeiro quarto de temporada do produto de Ohio State seja fora de série. Elliott é o primeiro running back calouro na centenária história da NFL a correr para mais de 130 jardas em quatro jogos seguidos. Na vitória de ontem contra o Green Bay Packers, fora de casa, Elliott teve 157 contra a então melhor defesa da NFL no quesito – que cedia uma média de 42 jardas terrestres por jogo.

2. Dak escreve seu nome no livro dos records da NFL

Falamos no quarterback calouro, né? Pois bem, Dak Prescott ontem, apenas na sexta semana da temporada, teve sua primeira interceptação. Com isso, ele é o jogador que mais demorou a ter uma interceptação em início de carreira – o record anterior pertencia a Tom Brady na temporada de 2001 (com a diferença que Brady já tinha dois training camps nas costas, por ser segundanista). A marca agora, interrompida pela primeira interceptação de Dak Prescott ontem, é de 176 tentativas de passe – contra 162 de Brady em 2000-2001.

3. Acabou o Dab?

Não é tão raro que equipes que perderam o Super Bowl tenham temporadas ruins no ano seguinte. Como já falamos algumas vezes nesta coluna, a última vez que o vice-campeão do Super Bowl acabou por chegar à grande final da NFL novamente no ano seguinte ocorreu no biênio 1992-1993 – os Bills foram vice em 92 e voltaram ao Super Bowl em 93. Perderam em ambas, somando quatro vice-campeonatos seguidos.

Desde então nenhuma equipe vencida na final conseguiu retornar ao jogo decisivo. Pior: desde o primeiro Super Bowl, na temporada 1966, vários vices têm anos ruins posteriormente à derrota. Especificamente, o Carolina Panthers de 2016 é o 5º time a começar o ano seguinte ao vice campeonato com campanha 1-5. Como você deve imaginar, nenhum desses outro quatro times chegaram aos plaayoffs.

4. Brees continua carregando o time nas costas

É realmente notável o esforço hercúleo que Drew Brees vem tendo ano após ano. Na vitória de ontem que colocou o Carolina Panthers com a péssima campanha que ilustramos acima, Brees passou para mais de 400 jardas – especificamente, 465 delas. É o 15º jogo de Brees para mais de 400 jardas e agora ele desempatou com Peyton: é o quarterback com mais jogos homéricos (para mais de 400) na carreira.

A propósito, já são dois deles nesta temporada. E do outro lado, a defesa de Carolina continua sofrendo contra os adversários da NFC South. Nada menos que a segunda vez em 3 semanas que os Panthers cedem mais de 450 jardas aéreas.

5. O reinado patriota em Foxboro

É realmente muito difícil ganhar dos Patriots no Gillette Stadium. Como você deve imaginar, muito provavelmente colocaremos os Patriots em primeiro no nosso power ranking da Conferência Americana nesta semana. Um dos motivos que justificam que nosso PR seja separado por conferência é esta estatística.

O New England Patriots com Tom Brady de titular tem 49 vitórias em uma derrota desde o início da temporada 2007. Contra todos os times? Não: contando apenas os adversários da Conferência Americana, os quais se enfrentam em 75% do calendário e nos playoffs. Ainda é cedo para definir o MVP da temporada 2016, mas mesmo chegando “atrasado” na disputa, Brady pode muito bem ser candidato. Em dois jogos são 782 jardas e 6 passes para touchdown. Nenhuma interceptação.

6. Odell está de volta, Eli bate 300 touchdowns

Depois de um período um tanto quanto “bagunçado”, Odell Beckham Jr. parece estar de volta. Na partida de ontem contra Baltimore, Odell teve o segundo melhor jogo da história do New York Giants em termos de jardas recebidas – foram 222. Considerando que é uma franquia que data de 1925, é um feito e tanto.

Eli Manning, por sua vez, bateu 400 jardas passadas e conseguiu o 300º touchdown de sua carreira. Vitória importante para os Giants na semana 6, dado que os Cowboys parecem disparar na liderança da divisão.

7. O inferno astral de Aaron

Aaron Rodgers tinha, até ontem, a pior porcentagem de passes completos na carreira: 56%. Ontem foram 73,8%, muito porque Dallas não pressionou Rodgers: ele foi pressionado em apenas quatro oportunidades de passe. De toda forma, mesmo com tempo livre no pocket, o inferno astral do quarterback de Green Bay continua forte nesta temporada.

Quando não foi pressionado – ou seja, quando a defesa estava alocando mais recursos na marcação do passe, seja por zona ou individualmente – o camisa 12 teve a baixíssima média de apenas 6,6 jardas por tentativa. O ataque não moveu as correntes com consistência e praticamente não chegou à red zone. Esta é apenas uma das estatísticas que comprovam que, ao menos por enquanto, alguma coisa está errada em Wisconsin.

8. Será que as defesas aprenderam a “marcar” Carson Wentz?

Existe uma tendência verificada quase todo ano na NFL: se um quarterback reserva ou calouro está explodindo de jogar tão bem, uma hora isso vai parar. Primeiro por conta do calendário, dado que por vezes esse desempenho acima da média acaba vindo contra equipes mais fracas.

Segundo, e mais importante de tudo, porque os coordenadores defensivos estudam todo dia vídeos das jogadas desse dado quarterback. E, mais cedo ou mais tarde, aparecem com formas de parar esse cara. Principalmente se forem coordenadores defensivos da mesma divisão. Foi o caso de Carson Wentz ontem contra Washington.

Wentz estava jogando muito bem contra a blitz, até então. Ontem, o time da capital americana resolveu adotar outra abordagem: mandar pouca blitz (leia-se, cinco ou mais homens para pressionar o quarterback). Wentz foi pressionado com blitz em apenas 18,5% das oportunidades de passe ontem – menor média da carreira. Ao mesmo tempo, Washington gerou pressão em 37% dos snaps (a maior da carreira de Wentz até agora).

Resultado? Mais gente marcando o passe, maior pressão porque ele não se livrou rápido da bola para setores onde os defensores não estavam marcando o passe por vir para a blitz. 50% de passes completos. Pior marca de 2016 para a então sensação de Philadelphia.

9. Washington e Buffalo são o time da virada e o time do amor?

De acordo com o Elias Sports Bureau, 2016 foi a primeira temporada nos últimos 20 anos a ter dois times vencendo quatro jogos seguidos depois de um início com 0-2. Desde 2006, são 5 times – contando com Washington e Buffalo – a conseguirem tal feito.

Em 2014 os Colts venceram 4 seguidos depois de 0-2. Foram aos playoffs. Em 2007, os Giants – que foram aos playoffs e acabaram sendo campeões. Em 2006 os Panthers tiveram o mesmo feito, mas não foram aos playoffs. Tanto Washington quanto Buffalo aparecem embalados no momento. Vejamos até onde isso vai.

10. Finalmente um corredor dos Colts bateu 100 jardas terrestres!

Ou quase. Se não fosse a prorrogação – por conta de uma corrida que perdeu jardas ao final da partida – esta estatística não estaria aqui. Frank Gore foi o primeiro jogador dos Colts nos últimos 55 jogos sem ter um jogo para mais de 100 jardas. O último foi Vick Ballard, na temporada 2012.

Não acabou mudando muito no rumo da partida: os Colts implodiram no último quarto, não queimaram cronômetro e tomaram a virada na prorrogação. Com isso, o Houston Texans segue líder na AFC South.

Com informações da NFL Research, ESPN Stats and Info, TRUmedia, ELIAS Sports Bureau e CBS Sports.

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