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Vamos falar a verdade, todo mundo adora presenciar uma bela zebra nos esportes. Seja motivado por antipatia pelo favorito, carinho especial pelo Davi enfrentando Golias ou simplesmente pelo desejo de ver o mundo pegar fogo, as pessoas têm o costume de torcer para as zebras – a menos, claro, que o time ou o atleta favorito saiam prejudicados na história.

Quer exemplos? Após deixar as gigantes Itália e Inglaterra para trás na fase de grupos, a Costa Rica tornou-se uma das seleções mais queridas da Copa do Mundo de 2014. Outro caso ainda mais recente: a comoção quase mundial com a Islândia chegando às quartas de final da Eurocopa 2016.

Agora, falando especificamente da NFL, as zebras são um fenômeno quase anual na pós-temporada – sem contar os inúmeros resultados surpreendentes ao longo da temporada regular. Vamos dar mais exemplos. Nos playoffs de 2010, os Jets, com Mark Sanchez under center, foram à Final de Conferência depois de vencerem Colts e Patriots fora de casa – caso você tenha esquecido, os quarterbacks destas equipes eram respectivamente Peyton Manning e Tom Brady. Há também outros casos mais recentes, como Indianapolis ganhando dos Broncos em pleno Mile High (2014) ou San Diego derrubando os Bengals no Paul Brown Stadium (2013).

Pensando nisso, a pergunta que podemos nos fazer é: qual time será a zebra de 2016? Usando nossa bola de cristal aqui do ProFootball procuramos uma resposta para essa questão. Como resultado, encontramos duas equipes, uma de cada conferência, que têm condições de surpreender e chocar muita gente com suas respectivas caminhadas nos playoffs. Confira, mas entenda que, antes de mais nada, este texto terá como base principalmente projeções e conjecturas – a história da bola de cristal era brincadeira.

Um brasileiro no Super Bowl? O caso para Kansas City

Devido à uma sucessão de contusões, a Conferência Americana está bastante polarizada em 2016. De um lado temos Texans, Raiders e Dolphins, três franquias que perderam seus quarterbacks titulares por conta de lesões. Se somarmos a experiência dos signal callers substitutos, respectivamente Brock Osweiler – ele tinha perdido o emprego para Tom Savage -, Connor Cook e Matt Moore, teremos um total de zero partidas de playoffs disputadas – Cook, aliás, fará sua estreia como profissional. Já do outro lado temos Patriots, Steelers e Chiefs, bons times e com quarterbacks mais do que acostumados com a pressão da pós-temporada.

Enfim, queremos dizer que é difícil apostar no sucesso de alguém fora deste segundo grupo, mesmo em um texto sobre possíveis zebras. Deste modo, vamos destacar uma equipe que muitas vezes é bastante subestimada e esquecida por não ser explosiva e estar num mercado consumidor menor: o Kansas City Chiefs, do kicker brasileiro Cairo Santos. Talvez este seja o ano em que a franquia encerrará seu longo jejum e voltará ao Super Bowl após 48 invernos.

Qual exatamente será a surpresa no fato do time com o 2º melhor seed vencer o título de conferência? Simples: para conquistar este objetivo, os Chiefs muito provavelmente precisarão de uma vitória sobre os Patriots no Gillette Stadium. Como Kansas City e New England detêm as duas melhores campanhas da AFC, eles só se encontrariam em uma eventual final de conferência, e o mando de campo seria dos Patriots. Julgando que nada de absolutamente extraordinário ocorra, Tom Brady e cia. deverão marcar presença no Championship Game, pois no Divisional Round enfrentarão alguém do primeiro grupo de equipes citado acima (MIA-HOU-OAK). Aí, para o duelo acontecer, dependeria dos Chiefs vencerem em casa seu adversário – a tendência é que seja Pittsburgh.

Mas vamos lá, se tudo isso realmente se confirmar, qual a chance de Kansas City sair de Foxborough, a “ilha de Lost” da NFL, com uma vitória? Os Patriots não são quase imbatíveis lá, ainda mais nos playoffs? Sim, e venceram KC lá no ano passado. Mas os Chiefs têm algo que não deve ser desprezado: eles são copeiros.

Já falamos sobre o “espírito de Libertadores” da equipe. Em 2016, eles ganharam jogos de todas as maneiras imagináveis, inclusive interceptando e retornando uma conversão de dois pontos dos Falcons para touchdown. Kansas City não possui uma defesa de elite na maioria das estatísticas, mas em compensação é a que mais força turnovers (33) na liga. O ataque não é de encher os olhos, contudo a defesa e os especialistas anotaram 52 pontos na temporada, disparada a melhor marca da liga. Além disso, o arroz com feijão de Alex Smith já funcionou em partidas de playoffs e ele não parece sucumbir diante da pressão.

Para derrubar New England no Gillette Stadium é preciso ser quase perfeito, com uma defesa agressiva e um “algo a mais”, um espírito diferente para vencer jogos. Os Chiefs mostraram este último aspecto em 2016, sobretudo nos triunfos na prorrogação sobre Chargers (semana 1) e Broncos (semana 12). Por isso, acreditamos que eles podem ser a zebra da AFC.

Dos diretores de “Giants de 2007”, vem aí: Road Warriors 2 – A Missão

Ao contrário da polarização na Conferência Americana, a NFC tem tudo para ser uma verdadeira briga de foice, em que qualquer time pode sair-se vencedor. Apenas os Lions, os quais atravessam um momento complicado com três derrotas seguidas, parecem estar um pouco para trás na briga.

Em 2007, o New York Giants recebeu o apelido de Road Warriors, algo como os “guerreiros da estrada”, devido ao fato de terem ganhado três jogos fora de casa nos playoffs (Tampa Bay, Dallas e Green Bay) para chegarem ao Super Bowl. Não obstante, venceram 7 jogos seguidos (fora de casa) para serem Wild Cards naquele ano. Hoje, se quiser buscar o quinto anel de sua história, a franquia precisará incorporar o mesmo espírito de nove anos atrás. Como terminou apenas com o 5º seed da Conferência Nacional, New York provavelmente terá que atuar longe de seus domínios por toda a pós-temporada, a menos que encontre Detroit (6º seed) em um improvável Championship Game.

Está aí a nossa projeção de zebra: os Road Warriors 2. Veja bem, não é nada simples que a história se repita, na verdade é altamente improvável. Vencer um jogo de playoff fora de casa já costuma ser um sofrimento para muitos times, imagine então três em sequência. Contudo, a performance defensiva exuberante dos Giants na reta final do ano mostrou que eles podem pelo menos bater de frente contra qualquer um. Caso as atuações contra Cowboys, Lions e Redskins se repitam, New York será um adversário a ser bastante respeitado – não por acaso, a equipe é a segunda que menos cedeu pontos por partida em 2016 (17,8).

Ademais, existe a lenda de Eli Manning sempre crescer de produção e render muito na pós-temporada. Esse tipo de folclore por si só não quer dizer muita coisa, não é como se por uma passe de mágica o quarterback fosse superar todos os problemas apresentados até aqui e se transformar em uma máquina. Em todo o caso, há uma estatística que fará a espinha de qualquer torcedor cabeça de queijo gelar: em jogos de playoffs, Manning (2-0) possui um retrospecto melhor no Lambeau Field do que Aaron Rodgers (2-2). E adivinha quem se enfrentará no Wild Card? Packers e Giants.

Uma arrancada de New York rumo ao Super Bowl seria uma surpresa e tanto, mas não é algo a ser descartado, afinal um time que bateu os poderosos Cowboys duas vezes em 2016 já deu mostras suficientes da sua força.

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“RODAPE"