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Na reta final da temporada regular, é inevitável que as discussões sobre quem é o most valuable player (MVP) fiquem mais acaloradas. Olha como as coisas mudam rápido: na Semana 3 muitos estavam prontos para eleger Alex Smith e Kareem Hunt como MVP e Calouro Ofensivo do Ano, respectivamente.



Só que o tempo passa, as campanhas se desenrolam e as narrativas ficam mais fortes. O trem descarrilou em Kansas City, Alvin Kamara despontou como principal candidato de Offensive Rookie of The Year, Deshaun Watson, outro candidato, está fora da temporada… Tantos acontecimentos em um espaço de dez semanas.

Algumas coisas, todavia, se mantiveram. Carson Wentz, capitão do navio 10-1 do Philadelphia Eagles, e Tom Brady, a lenda do New England Patriots mostram, semana a semana, o que significa ser um quarterback de ponta na NFL. Ambos lançaram para pelo menos 25 touchdowns e 5 ou menos interceptações – pela primeira vez na história mais de um quarterback alcança essa marca nos primeiros 11 jogos da temporada regular. É a quarta vez que Tom Brady alcança essa marca, e apenas Aaron Rodgers também o fez mais de uma vez (2011 e 2014).

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Estatisticamente, os dois quarterbacks estão muito próximos em 2017. 20 touchdowns e nenhuma interceptação na red zone, ambos sofreram 24 sacks, Wentz e Brady são respectivamente o primeiro e segundo lugar em touchdowns… pelos números, dificilmente solucionaremos o debate: quem é o MVP de 2017?

O prêmio de jogador mais valioso é subjetivo pela sua própria natureza. Avaliar objetivamente o que seria “valioso” é impossível. Para uns, é quem está, estatisticamente liderando a liga naquilo que se propõe a fazer; para outros, é aquele nome cuja ausência teria maior impacto no seu time. Particularmente, a segunda avaliação é mais próxima daquela que adoto.

3.374 jardas, 26 touchdowns, três interceptações, 68,4% dos passes completos. Esse é Tom Brady em 2017. Para Carson Wentz, 2.657 jardas, 28 touchdowns, cinco interceptações e 60,2%% dos passes completos. Numericamente, o camisa 12 dos Patriots chama mais a atenção. Só que a narrativa de Carson Wentz é muito mais impressionante.

Não é todo dia que vemos um segundanista de 24 anos dominar todos os atributos para ser bem-sucedido na NFL. Presença no pocket, capacidade de fazer todos os lançamentos com precisão, sobreviver à pressão e frieza mental para se adaptar às circunstâncias da partida. O salto de qualidade que Wentz teve de 2016 para 2017 é assustador, e demonstra o excelente trabalho que a comissão técnica vem fazendo – e, claro, a dedicação do camisa 11 em querer ser o melhor que pode.

Além disso, seria a primeira vez que o Philadelphia Eagles teria um jogador eleito como MVP desde 1960, quando Norm Van Brocklin teve as honras no último título da equipe. Depois dele, apenas Donovan McNabb foi votado na temporada de 2000.

Só que… é difícil tirar o prêmio de Tom Brady.

Mesmo com seu arsenal de armas prejudicado por lesões – começando por Julian Edelman ainda na pré-temporada e tendo que compensar por uma defesa pífia nas primeiras semanas da temporada, Tom Brady fez com que o time conquistasse vitórias. Bateu o New Orleans Saints fora de casa (antes que os Saints encontrassem seu caminho, mas ainda sim um jogo duríssimo), atropelou os Falcons, Chargers e Raiders, todas equipes qualificadas e ainda candidatas à pós-temporada.

Há sempre o argumento (fraco) de que a AFC East consegue se bagunçar sozinha e que os Patriots partem de 6-0. Bom, nem tão cá, nem tão lá. A AFC East, de fato, se mostrou mais competitiva do que se projetava esse ano, mas ainda estão a léguas de distância do projeto do New England Patriots.  Só que se Bill Belichick não faz o seu dever de casa, não importa qual time é melhor. E todos nós estamos carecas de saber que o trabalho é irretocável em Boston.




É uma questão de narrativas

A discussão está muito viva pela diferença drástica das narrativas de Carson Wentz e Tom Brady. Sinceramente? É quase entediante saber que Tom Brady é o MVP da temporada regular. Todos sabemos que ele é o melhor no que faz, que há poucos na história da NFL no mesmo panteão. É uma história conhecida.

Carson Wentz, por outro lado, é a história explosiva de 2017. Um calouro que se tornou um dos melhores quarterbacks da NFL de uma intertemporada para outra; que está conduzindo uma campanha histórica para a equipe que hipotecou o futuro para selecioná-lo no Draft 2016. E, aos 24 anos, está mostrando que a camisa 11 dos Eagles lhe cai muito bem hoje, e cairá maravilhosamente pelos próximos anos.

Um exercício de imaginação: se Tom Brady tivesse se lesionado em agosto e fosse Jimmy Garoppolo com os números do camisa 12, haveria discussão quanto ao título de MVP? Não haveria melhor narrativa. E é justamente por isso que temos essa discussão tão viva. Céus, Drew Brees teve três temporadas de pelo menos 4.800 jardas em anos que, sem ele, o New Orleans Saints teria defesas “sólidas” o suficiente para garantir escolhas top três nos drafts. Só que Drew Brees é uma commodity conhecida e todos já sabem o que ele faz. Por mais extraordinário que seja, entra no reino do ordinário. Por serem tão incríveis signal callers. Por si, não é justo “dar para outro o prêmio” só porque Brady já tem isso e aquilo.

Com base naquilo que disse no início: qual deles tem mais impacto na campanha de seus times? Tire Tom Brady dos Patriots… Qual seria a campanha do time com aquela defesa bizarra na primeira metade da temporada? Pois é.

Por mais que acredite que Carson Wentz seja um fortíssimo candidato a MVP, Tom Brady tem que ser o eleito, pelo menos com o que foi demonstrado até a Semana 12 – e aos 40 anos de idade. Agora, se isso é bom eu não sei – desde 1999 que o MVP não vence o Super Bowl, quando Kurt Warner o fez com o St. Louis Rams. Tudo bem que a maldição do Madden não pegou, mas eu não gostaria de mais um tabu na minha conta.

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“RODAPE"