Uma senha sera enviada para seu e-mail

Nota do Autor: Como você percebeu, a Primeira Leitura virou “última leitura” nesta semana. Quero testar em qual momento a coluna fica mais interessante para os leitores: no calor do momento após a rodada (terça) ou às vésperas da rodada, no sábado? Além dos medidores de audiência, quero saber sua opinião sobre – mande um tweet para @CurtiAntony ou comente no do facebook de minha página.

“canecas"

Depois de alguns jogos… Hm. Chatos, vou definir assim, o fã de futebol americano coça a cabeça: será que as partidas estão piores neste ano? Não é de hoje que percebemos a queda de rendimento de linhas ofensivas e alguns quarterbacks chegando do college… Bem, não encantam. Duas semanas de jogo é um espaço amostral minúsculo em termos estatísticos. De toda forma, os números mostram que estas duas semanas tiveram recordes negativos no lado ofensivo.



  • 20,15 pontos por jogo – pior marca de duas primeiras semanas desde 2010
  • QBR (rating da ESPN Americana, que vai de 0 a 100) médio de 48,8, pior no período desde 2006 – o qual foi o primeiro ano da estatística
  • 3,7% dos passes foram convertidos em  – pior média desde 2006
  • Margem de vitória na casa dos 12,94 pontos, maior desde 2005 nas duas primeiras semanas da temporada
>> Todas são estatísticas do ESPN Stats and Info

Assim, mesmo que o espaço amostral seja pequeno, a impressão que fica é que temos algo errado. O Cincinnati Bengals não marcou nenhum  nas duas primeiras semanas. O San Francisco 49ers demorou três – marcou o primeiro na quinta, abertura da Semana 3. O Seattle Seahawks, perene favorito da Conferência Nacional, passou sete quartos só com punts ou field goals.

É difícil apontar com precisão se há um problema ou não. É só vermos o próprio exemplo dos 49ers. Depois de fazer um enorme nada contra o Carolina Panthers e pouca coisa contra Seattle, na Semana 3 o time colocou 39 pontos no placar. Sim, os Rams não são a melhor defesa da NFL – mas o time tem em Aaron Donald uma potência defensiva e o corpo de linebackers é respeitável.

Com o próprio exemplo de San Francisco, eu prefiro esperar para ver. Existem vários argumentos a favor de esperarmos para tirarmos conclusões mais fortes – na medida em que eu vou ficando mais velho, acho que é minha visão com várias coisas da vida além do futebol americano em si. Para começar, será que não ficamos mal acostumados?

Esse argumento – excelente, por sinal – é usado por Bill Barnwell em um artigo publicado nesta semana que tem o mesmo viés desde aqui (e Bill é um dos redatores que mais respeito, se você souber ler bem em inglês a leitura é praticamente obrigatória).

Nas duas primeiras semanas, sem contar a festa ofensiva de San Francisco e Los Angeles, a média de pontos por equipe ficou na casa dos 20,3. Sim, é menos do que o ano passado, 10% – 22,5 pontos foi a média das duas primeiras semanas de 2016. Em termos matemáticos, 10% é bastante. Mas em termos absolutos, são 4 pontos a menos por jogo. Não me parece nenhum absurdo. O argumento do “mal acostumado” – escrevi isso com a música do Araketu, grande canção da música popular brasileira, na cabeça – faz sentido porque Barnwell foi atrás das médias de pontos por partida nas décadas anteriores. Para começar, entre 2010 e 2017, a NFL viveu a maior média de pontos por equipe/partida da história. Nos anos 1980, a média foi de 21,1, nos anos 1970, 19,1.

Enfim, não que tudo esteja lindo e maravilhoso. Um grande problema é que as linhas ofensivas estão, de fato, ladeira abaixo. Um potencial motivo para isso, além do fato das equipes do college estarem usando cada vez mais a spread offense e seus passes rápidos que não exigem muito dos bloqueadores, é o fato de que há menos treinos com pads/contato na intertemporada em relação a anos anteriores. Pode parecer só força física: mas há muita técnica e inteligência no que diz respeito ao jogo nas trincheiras.

Ademais, um outro lado da moeda: depois de sete anos com ritmo frenético de pontos por jogo… Será que simplesmente as defesas não se adaptaram e estão jogando melhor? Blake Bortles a parte, estamos vivendo a melhor era no que diz respeito ao talento na posição de quarterbacks. Eu sei que os nomes Joe Montana/Dan Marino/Jim Kelly/John Elway eram fortes nos anos 1980, mas veja os outros quarterbacks da liga naquela época. Hoje temos pelo menos dez grandes nomes na posição.

Fato é que, nesse jogo de gato e rato entre ataques e defesas, é um movimento natural que: 



  1. Os ataques explodam de fazer jardas e pontos
  2. As defesas (vide read-option, ascensão do pass rusher moderno nos anos 1980) se adaptam
  3. A quantidade de pontos por jogo cai
  4. A NFL interfere nas regras e ajuda o ataque (diminuição na punição ao ou criação da pass interference em 1978)
  5. Repetir passo 1

É assim que as coisas aconteceram nos últimos anos e décadas. A NFL não é idiota. O negócio é administrado quase como um banco. Se o público demonstrar descontentamento, algo será feito – seja em mudança de regras ou qualquer outra coisa do gênero. Quer um exemplo de algo que eu não duvido que aconteça? Extinção do intentional grounding. Sim, parece que eu cheirei cola antes de escrever, mas se alguém sugerisse a criação da pass interference na década de 1970.

Ainda precisamos esperar para ver o que está acontecendo. Por ora, no sentido ofensivo das coisas, luz amarela acesa e olhe lá. Como dito, o espaço amostral é pequeno.

Leia também:
Análise Tática: Como o transformou Jared Goff e Trevor Siemian em melhores
Análise dos, Semana 2: temos um novo Cam Newton?

Nas entrelinhas, a diferença de Bill Belichick

Eu poderia falar vários aspectos da partida entre New England Patriots e New Orleans Saints, mas vou escolher um que mostra muito bem como Bill Belichick é e merece ser considerado o melhor técnico da NFL – hoje e, para mim, sempre. Para tanto, vamos a outro jogo.

Um Minnesota Vikings sem Sam Bradford dependia de sua defesa para tentar fazer algo que valha – obviamente, seria uma missão árdua em pleno Heinz Field. 4ª para 1 na linha de 31 de Pittsburgh. Por mais que Todd Haley/Mike Tomlin sejam agressivos nessas chamadas, a posição de campo indicava meramente que Pittsburgh apenas tentaria, no grito, uma falta de Minnesota. E lá foi Ben Roethlisberger para a linha, gritou e… offside dos Vikings, primeira descida no bolso.

Enquanto isso, o New England Patriots enfrentava o New Orleans Saints fora de casa. Com os Saints atrás no placar por 20-10, Drew Brees voltou a campo numa 4ª para 3, na linha de 11 de New England – situação mais plausível para quarta descida, embora ainda assim, arriscada. Brees gritou, gritou e ninguém mordeu a isca. Os Saints tomaram a falta de delay of game e foram para o field goal na sequência.

Essa pequena amostra é a diferença que Belichick faz nos Patriots. O lado mental do futebol americano é muito importante. Às vezes a gente olha apenas para as jardas totais, as jardas por jogada e esquece que faltas acabam influenciando no resultado. E quando a falta é evitável, o poder de um treinador é colocado na balança.

Foto da Semana

O mesmo estádio e 24 horas de diferença. No topo, o Los Angeles Memorial Coliseum no sábado, em jogo de USC, válido pela temporada do college. Abaixo, o jogo dos Rams contra Washington. Não é um problema isolado: num estádio com capacidade de 27 mil pessoas, os Chargers não conseguiram público máximo – e boa parte dos torcedores vestia camisas dos Dolphins.

A NFL não vai falar publicamente que “deu merda”, mas obviamente já devem estar pensando em alguma coisa para solucionar o problema. Aliás, esta coluna está cheia de problemas nesta semana. Vamos ao próximo

Frase da Semana

“Tempo, San Diego. Desculpe, Los Angeles”

Tony Corrente, árbitro principal da partida entre Chargers e Dolphins. É a segunda semana seguinte que um árbitro chama o time de San Diego. Prova número 393 de que os Chargers não pertencem aonde estão.

Não tem como os Vikings renovarem com Sam Bradford

Bem-vindos à CurtiCurse: o que eu falo, acontece o contrário. Depois da majestosa partida na segunda-feira contra a pífia defesa do New Orleans Saints, Sam Bradford teve uma seção especial nesta coluna e foi bastante elogiado. Com méritos. Foi uma das melhores partidas de sua carreira, sendo contra os Saints e sua defesa ou não.

Aí, ao longo da semana, veio a novela. Bradford tem problema ósseo no joelho esquerdo – o mesmo no qual rompeu ligamentos. Bom, a notícia boa é que não há ligamento rompido nem nada. A ruim é que ele se machucou sozinho.

Mais NFL no ProFootball, não deixe de ler:
GamePass: Giants at Eagles é o destaque dos jogos fora da TV
Guia da Semana: NFL em Londres e duelo entre os melhores times da NFC até agora

O contrato de Sam Bradford acaba agora, em 2017. Por melhor que ele tenha jogado, você realmente acha que compensaria investir mais algumas dezenas de milhões de dólares num quarterback que não consegue ficar em campo 16 jogos? Infelizmente não vejo ser o caso. E falo isso com muita dor no coração, porque gosto de Sam.

Para Minnesota, a saída mais plausível é esperar o que vira da recuperação de Teddy Bridgewater – que parece ir bem – ou escolher um dos muitos talentosos quarterbacks da classe de 2018 do Draft. Renovar com Bradford, por melhor que ele tenha jogado na Semana 1, é uma roleta russa.

Sim, há outros jogadores em situação semelhante. Em Pittsburgh, por exemplo, não há qualquer garantia de que Ben Roethlisberger jogará 16 jogos por ano. Mas o fiel da balança é que Ben é um quarterback muito melhor – e isso compensa o risco. Não é o caso com Bradford. Uma pena. Ah, para quem não viu, Bradford já está fora da partida de domingo contra o Tampa Bay Buccaneers. Tirem os recebedores dos Vikings do.

Top 15 Times Pós-Semana 2/Pré-Semana 3

Vamos estrear uma parte nova na coluna nesta semana. Não faremos Power Ranking nesta temporada. É trabalho demais para audiência de menos – para se ter ideia, o PR mais lido no ano passado foi apenas o 83º texto mais lido do site. E geralmente só temos haters porque tal time está baixo.

Então vamos falar de coisa boa. Não, não é da TekPix: é dos 15 melhores times após a Semana 2.

  1.  New England Patriots: Nada de novo no reino de Foxboro. Aos 40 anos, Tom Brady é um cyborg e a defesa dos Saints é estúpida o suficiente para mandar blitz em terceira descida.
  2. Kansas City Chiefs: Com exceção a Eric Berry, fora da temporada, a defesa está saudável e causou caos na vida de Carson Wentz. O ataque continua sendo um relógio bem calibrado com playmakers.
  3. Atlanta Falcons: Três idas de Green Bay até Atlanta, três vitórias dos Falcons. O ataque, sem Kyle Shanahan, não parece ter perdido força. Afinal, não perdeu peças – talvez tenhamos sobrerreagido à saída de Shanahan. Só não coloco Atlanta mais alto por conta da ausência de Vic Beasley pelo próximo mês.
  4. Oakland Raiders: O primeiro teste de fogo será nesta semana em Washington. Sim, a defesa pressionou Josh McCown em praticamente metade dos passes na semana passada. Mas a linha ofensiva dos Jets não é parâmetro. O ataque vai muito bem, obrigado.
  5. Pittsburgh Steelers: Jogar contra o Quarteto Fantástico (Bell/Ben/Brown/Bryant) no Heinz Field é muito difícil. De toda forma, o time só amassou os Vikings mesmo no final do jogo e contra Cleveland demorou a pegar no tranco. Quero ver esse ataque com força máxima desde o início contra Chicago. Isto é, eu analista. Eu torcedor dos Bears estou com medo.
  6. Green Bay Packers: Não vamos sobrerreagir à derrota ante Atlanta, certo? O problema aqui para mim são as lesões – de novo. Os Packers com força máxima são um dos melhores times da NFL.
  7. Denver Broncos: Ataque terrestre funcionando, defesa terrestre funcionando, Trevor Siemian brilhando, tudo dando certo no Colorado. O respeito voltou.
  8. Tampa Bay Buccaneers: O desafiante aos Falcons na NFC South e plenamente capaz de brigar por Wild Card. Um ataque que dá gosto de jogar e uma defesa que destruiu a ex, digo, Mike Glennon. Poderíamos colocá-los mais alto aqui, mas temos apenas um jogo de amostra. Quero ver mais dessa linha ofensiva.
  9. Detroit Lions: Zebras contra os Giants em horário nobre e fora de casa: em outros anos isso seria a receita da derrota. Não neste. Gostei muito do equilíbrio ofensivo com mais corridas do que normalmente os Lions executam. Não descarte esse time vencendo a divisão.
  10. Seattle Seahawks: A linha ofensiva é nojenta e o torcedor tem que dar graças à Deus pelo fato de Russell Wilson ser um quarterback móvel. Na campanha do Chris Carson vem se tornando um ativo importante no  da vitória, ele colocou o time nas costas. A notícia boa é que backfield. O time precisa correr melhor com a bola para aliviar os ombros (e o corpo todo) de Wilson.
  11. Miami Dolphins: A exemplo dos Bucs, pouco espaço amostral já que ambos não jogaram na Semana 1. De toda forma, os Dolphins fizeram a lição-fora-de-casa. O que me preocupa é que a defesa só não entregou o jogo porque Younghoe Koo, kicker preferido da 5ª série e não-preferido da torcida dos Chargers, estragou tudo. Cutler não foi gênio – mas não jogou mal. Isso é uma boa notícia.
  12. Carolina Panthers: Sim, eu sei que o time está invicto e que tem duas vitórias. Mas foram contra os 49ers e contra os Bills. E, em ambas, o time não fez nada no ataque. Jogar contra os Saints no domingo é o termômetro perfeito para essa unidade ofensiva. Menos de 250 jardas aéreas para Cam Newton é preocupante.
  13. Dallas Cowboys: Méritos da defesa de Denver, mas com o jogo na linha e sem Ezekiel Elliott (ele jogou?), Dak Prescott não resolveu a conta contra uma unidade defensiva de elite. A defesa não segurou o jogo terrestre adversário e ficou exposta. De toda forma, ainda parecem como favoritos na NFC East. Vejamos segunda contra Arizona.
  14. Baltimore Ravens: O ataque não empolga, mas a defesa é a melhor da NFL no momento. Jogando contra os Jaguars e Blake Bortles no domingo de manhã, os Ravens não precisarão fazer muita coisa no ataque para seguirem invictos.
  15. Tennessee Titans: Esperava mais desse time no início da temporada. Tomaram um susto no primeiro tempo contra Jacksonville, isso por si já derruba o time aqui. Jogo contra Seattle nesta semana é o termômetro para a primeira metade da temporada.

Menções Honrosas: Philadelphia Eagles, Minnesota Vikings




10 Afirmações pré-semana 3

  1. Carson Palmer está jogando muito mal. Não preciso nem justificar muito. Basta você ver os passes dele nos dois últimos jogos.
  2. Sean McVay está salvando a carreira de Jared Goff. Falei mais neste texto.
  3. Ezekiel Elliott não está sendo o jogador que Dallas precisa que ele seja. Desistir numa jogada como ele fez depois de interceptação de Dak é no mínimo passível de bronca por Jason Garrett. O problema é que eu não sei até que ponto Garrett irá bater na mesa. Palpite: não irá.
  4. A demissão de Ken Zampese, outrora coordenador ofensivo dos Bengals, é o clássico caso do bode expiatório. O problema passa longe dele. Os Bengals não supriram as saídas de linha ofensiva e wide receivers nas últimas free agencies. Claro: Andy Dalton sente falta de Hue Jackson. Mas a demissão de Zampese é apenas tapar o sol com a peneira.
  5. Robert Griffin III e Colin Kaepernick não jogarão futebol americano da NFL neste ano. Para mim isso está mais do que definido após duas semanas. Em realidade, já estava em julho – mas agora dá para falar sem medo.
  6. Lesão que aconteceu nesta semana e que ninguém entende quão grave é para o time: Marshal Yanda, o melhor guard da NFL. Ele quebrou a perna na semana passada e os Ravens não contarão com ele pelo resto da temporada. Uma pena, gosto muito de vê-lo jogar.
  7. Inacreditável pensar como a carreira de Eddie Lacy foi ladeira abaixo desde o Draft. Quando ele foi draftado por Green Bay, parecia como a peça que faltava para o quebra-cabeça do bicampeonato de Aaron Rodgers na NFL. No domingo, não estava machucado nem nada: Pete Carroll simplesmente decidiu deixá-lo inativo para a partida. Gancho, por assim entender, para passar um recado.
  8. Falamos muito de Tom Brady aos 40 anos, mas você está vendo Julius Peppers em Carolina? De volta ao time que lhe draftou, Peppers tem 37 anos e continua jogando em alto nível – dois sacks na semana passada contra os Bills.
  9. Fico muito feliz pelo desempenho de Trevor Siemian nos Broncos. A controvérsia com Paxton Lynch pela titularidade simplesmente não deveria ter acontecido. Só aconteceu porque Siemian foi escolha de sétima rodada no Draft e Lynch, primeira.
  10. O jeito pelo qual os Colts estão administrando a situação de seus quarterbacks é uma das maiores bagunças que eu já vi na vida. É muito triste ver o potencial de Andrew Luck ladeira abaixo. Pior ainda é o time não ter se preparado corretamente para a ausência de Luck neste início de temporada – que poderia acontecer, havia um risco. Saber desse risco e ter Scott Tolzien na primeira semana é surreal. Ok, trocaram por Brissett – mas a troca foi em cima da hora. O time pode perder para Cleveland e, 0-3, ter que jogar em Seattle contra os Seahawks. Parabéns aos envolvidos.

Seu feedback!

Quer comentar algo? Me xingar com carinho? Dois caminhos para tanto:

a) Mande um tweet em @CurtiAntony
b) Caso queira escrever algo em mais de 140 caracteres, email para curti.antony@profootball.com.br

Neste final de semana, comento Falcons/Lions na ESPN (14h) e Titans/Seahawks na ESPN Extra. Até lá e, se você não me aguentar por tanto tempo, até a próxima semana!

Comentários? Feedback? Siga-me no twitter em @CurtiAntony ou no facebook – e ainda, nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

“RODAPE"