Uma senha sera enviada para seu e-mail

Quando você é o último na liga, o único caminho é ir para cima. Foi assim que o técnico de secundária Aaron Glenn definiu o futuro da defesa do New Orleans Saints durante a intertemporada.

Só que na NFL o fundo de poço sempre pode ter um porão. A defesa dos Saints começou o ano de 2017 sendo uma das piores da história da NFL – isso já se repetiu algumas vezes, certo? 7,6 jardas cedidas por jogada, 80,6% dos drives dos adversários terminando em pontos, 10,5% de three and outs conseguidos, média de 32,5 pontos cedidos – e foi pouco. Parecia que o ano novamente seria resumido em Drew Brees correndo atrás do placar enquanto sua defesa entregava a paçoca diversas vezes.

Só que veio o jogo contra o Carolina Panthers e o rumo das coisas mudaram. A defesa melhorou consideravelmente, cedendo apenas 13 pontos nos dois últimos jogos. Isso significa que a defesa está funcionando melhor ou os adversários eram fracos? Claro que Cam Newton e Jay Cutler não se comparam a Tom Brady (mas se comparam a Sam Bradford, enfim).



“colts"

O pulo de produção

Nem Newton nem Cutler passaram das 200 jardas contra este time nas últimas duas semanas. O jogo terrestre? Média inferior a 100 jardas cedidas. É de se louvar a recuperação defensiva que New Orleans está tendo.

Na realidade era esperado que este time sofresse no início até engrenar. A defesa é muito jovem e isso se reflete nos erros mentais dentro de campo – obviamente. Apenas Kenny Vaccaro e Cameron Jordan foram escolhidos pela franquia antes de 2013. Craig Robertson (titular com Alex Anzalone indo para a injury reserve), A.J. Klein e Alex Okafor entraram na liga em 2013 ou antes, mas vieram como Free Agencys para este time. De resto, sete titulares foram escolhidos pelo time de 2015 em diante, o que revela o quanto o sistema defensivo foi reformulado.

Saiu a fórmula de time pesado defensivamente, focado em parar o jogo terrestre adversário (tchau Rob Ryan) e entrou uma defesa mais moderna, voltada ao passe e que possui jogadores mais atléticos. Tyeler Davison não é um nose tackle extremamente massivo com 316 libras (143 kgs) e o outro defensive tackle, Sheldon Hankins, está jogando abaixo das 300 libras (136 kgs). No fundo do campo, somente jogadores escolhidos pelo time nos últimos Drafts, com uma vontade impressionante dentro de campo.

Por causa de tantas mudanças, associado com o tanto de versatilidade que o esquema de Dennis Allen possui, era esperado o início lento. Os dois jogos em alto nível antes da bye week podem ser o necessário para montar o estilo defensivo de jogo da franquia, finalmente fornecendo a Drew Brees o que ele merece.

No ano passado, os Saints tiveram a quinta pior defesa da liga cedendo jardas após a recepção – média de 130,3 jardas cedidas por jogo. É muita coisa. Para este ano, Allen apostou em voltar para o básico: agressividade e técnica no tackle. Um dos exemplos veio na partida contra o Carolina Panthers, em um bubble screen:

bubble screen dos Panthers está montado da maneira correta: Curtis Samuel vai ter dois bloqueadores em sua frente contra dois jogadores de secundária. O diferencial da jogada é a agressividade de Ken Crawler, que ataca a linha de scrimmage sem hesitar e faz o tackle da maneira como deve ser.

O jogador que melhor representa esta evolução nos princípios fundamentais é A.J. Klein. Após um início apagado de ano contra New England e Minnesota, Klein brilhou nas últimas duas partidas e foi um dos responsáveis por limitar as jardas após a recepção dos adversários. Em especial, no jogo terrestre, Klein foi o melhor jogador dos Saints (junto com Anzalone) e esta jogada mostra bem o seu impacto:

Os Panthers vão executar uma inside zone blocking clássica, que teria tudo para dar certo nesta jogada acima. Com o guard ficando preocupado com o defensive end porque o tackle ficará responsável por Anzalone (que está na linha de scrimmage, na formação 4-3 over), o bloqueio no segundo nível ainda seria complicado, mas factível.

Cam Newton congela o camisa #32 Kenny Vaccaro (funciona como um bloqueio), e Jonathan Stewart tem uma avenida para percorrer e, possivelmente, ganhar 15 – 20 jardas. Só que A.J. Klein é um excelente tackleador: ele não foge do bloqueio e consegue fazer a leitura correta da corrida e fazer um tackle difícil – e perfeito para evitar um desastre. Stewart iria correr livremente no meio da secundária da equipe.

Versatilidade e agressividade

A intenção de reformular o sistema defensivo tinha um motivo especial: Dennis Allen quer utilizar a mesma filosofia de Jack Del Rio. Versatilidade, indo do 4-3 tradicional, para o 4-3 over e até mesmo para um 3-4 ou 3-3-5 em situações de nickel. Os jogadores o permitem fazer isso e a agressividade defensiva permitiu, nessas duas partidas, Allen ter muita criatividade em momentos importantes:

Terceira descida e os Saints vem com um front 3-4 contra Miami. Jay Cutler terá uma leitura muito simples, sendo duas hi-lo (rotas em níveis diferentes) nos cantos do campo. O diferencial aqui é que New Orleans manda o nickelback e o linebacker no blitz, sem que Cutler perceba, forçando que ele solte a bola rápido.

Nesta zone blitz de New Orleans, outra grande diferença foi a atitude do safety #48 Vonn Bell: ele fecha rapidamente na jogada e vai buscando a bola. O resultado é um passe incompleto e mais um punt para Miami no dia.

Como construir esta defesa daqui por diante

A juventude e o atleticismo estão permitindo que Allen tenha muito material para trabalhar durante o ano. Ele pode jogar com três cornerbacks ou três safeties em pacotes nickel, seja na 4-2-5 ou na 3-3-5. Ele tem formação dime e sua base defensiva vai do 4-3 para o 4-3 over rapidamente.

Só que não dá para permanecer assim: é preciso evoluir ainda mais o plano de jogo. Contra Miami os Saints começaram a mostrar mais zone blitzes e versatilidade dentro de campo. É o passo na direção certa.

A última grande questão é como o sistema defensivo vai se adaptar a grande perda de Alex Anzalone. O linebacker vinha jogando muito bem e era um dos pilares defensivos da franquia. Foi um dos principais responsáveis pela sequência de quatro jogos com pelo menos um turnover forçado pela equipe.

Mesmo com Anzalone de fora, as peças jovens permitem que este time tenha esperança de construir uma defesa que pelo menos deixe Drew Brees trabalhar melhor – ainda mais com este ataque tão criativo com os seus running backs. New Orleans, nestas duas últimas semanas, mostrou que é um candidato a disputar uma vaga nos Playoffs na NFC. Não parece nem um pouco aquele time triste que teve um recorde 7-9 em três anos seguidos.

Comentários? Feedback? Siga-nos no twitter em @profootballbr e curta-nos no Facebook.